O barril do WTI para abril avançou cerca de 3,11% a US$ 98,71 o barril, enquanto o Brent para maio subiu 2,67% a US$ 103,14 o barril.
O movimento ocorreu após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que a guerra com o Irã terminará “quando ele quiser que termine”.
A preocupação com a oferta global de energia segue elevada, sobretudo após o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã por onde passa cerca de um quinto da produção de petróleo transportada no mundo.
O aperto na oferta também aparece em outro indicador acompanhado de perto pelo mercado. Segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler citados pelo Wall Street Journal, o volume de petróleo russo armazenado em navios-tanque no mar caiu de cerca de 135 milhões para 121 milhões de barris desde o início do conflito envolvendo o Irã. A redução sugere que compradores , sobretudo asiáticos, vêm absorvendo rapidamente essas cargas, em um momento em que o mercado busca alternativas diante do risco de interrupções.
Na bolsa brasileira, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) fecharam em queda, com PETR3 recuando 0,54%, a R$ 49,38, e PETR4 caindo 0,73%, a R$ 44,67. Entre as demais companhias do setor, Brava Energia (BRAV3) cedeu 2,24%, a R$ 17,91, enquanto PetroReconcavo (RECV3) caiu 0,16% a R$ 12,84. Já Prio (PRIO3) encerrou em baixa de 2,86%, a R$ 57,8.
O impacto no preço da gasolina
No Brasil, o avanço recente do petróleo aumentou a pressão sobre os combustíveis. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a defasagem do diesel nas refinarias da Petrobras chegou a 72%. Para equiparar aos preços internos ao mercado internacional, o reajuste necessário seria de R$ 2,34 por litro no diesel e de R$ 1,10 na gasolina.
Na tentativa de conter o repasse ao consumidor, o governo anunciou na quinta-feira (12) a isenção de PIS e Cofins na importação e comercialização do diesel, medida que pode reduzir o preço do combustível em cerca de R$ 0,64 por litro nas refinarias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também pediu que governadores avaliem cortes de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para evitar aumentos nos postos.
Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) começou a organizar a implementação das novas medidas previstas na MP 1340, voltadas a minimizar os efeitos da disparada do petróleo no mercado interno. A agência também definiu diretores responsáveis por acompanhar ações ligadas à chamada “segurança econômica” do diesel e pela fiscalização de possíveis abusos de preços em situações excepcionais.
O Conselho de Administração da Petrobras também aprovou a adesão ao programa de subvenção para a venda de diesel rodoviário, enquanto o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, voltou a afirmar que o governo respeita a governança da companhia e descartou intervenções nos preços.
Segundo levantamento do Google Trends obtido pela Coluna do Estadão, as buscas por “gasolina” no Brasil atingiram o maior nível em três anos nesta semana. As perguntas mais comuns foram “a gasolina vai subir?” e “vai faltar gasolina?”, em meio à escalada do petróleo após o conflito envolvendo o Irã.
O pacote também entrou no radar de bancos internacionais. O Goldman Sachs avaliou como negativo para exportadoras de petróleo e distribuidoras brasileiras as medidas anunciadas pelo governo para conter o preço do diesel. Segundo o banco, a elevação do imposto sobre exportações de petróleo bruto para 12%, usada para financiar o corte de tributos sobre o diesel, tende a pressionar as receitas do setor.
Na avaliação dos analistas, a empresa mais exposta é a Prio, já que praticamente 100% de sua produção é destinada à exportação. Brava Energia e Petrobras teriam impacto menor, com exposição estimada entre 40% e 50% da produção. O banco também observa que a Petrobras ainda não reajustou o preço do diesel, atualmente abaixo da referência internacional, e considera que um ajuste pode ocorrer em breve.
Apostas de cortes de juros do Fed
No exterior, o salto recente da commodity reforçou receios inflacionários e contribuiu para adiar apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Parte do mercado já trabalha com um início mais tardio do ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos.
Com informações da Broadcast