A visão dos analistas é de que o desempenho da Itaúsa tende a refletir diretamente o resultado do banco. As demais investidas da empresa, como Dexco (DXCO3) e Alpargatas (ALPA4), também já divulgaram seus números, mas têm peso menor no consolidado.
A Dexco, dona da marca Deca, apresentou prejuízo líquido de R$ 48,3 milhões no quarto trimestre de 2025, o que representa uma reversão em relação ao mesmo período de 2024, quando teve lucro de R$ 22,3 milhões. Para o BTG Pactual, a empresa reportou um desempenho mais fraco do que o esperado em quase todas as suas divisões.
A Alpargatas, por sua vez, apresentou lucro líquido de R$ 197,3 milhões, bem acima dos R$ 2,1 milhões registrados no mesmo período de 2024, uma alta expressiva de 9.295% na comparação anual. O balanço foi considerado forte pelo mercado.
A Motiva (MOTV3), ex-CCR, outra investida da Itaúsa com capital aberto, reportou lucro líquido de R$ 605,7 milhões no quarto trimestre, alta de 178,1% ante igual intervalo de 2024. No critério ajustado, a cifra cresceu 68,3%, somando R$ 606 milhões. Como mostramos aqui, o balanço agradou as casas de análise.
Segundo Malek Zein, analista da Suno Research, as investidas contribuem para o resultado da Itaúsa, mas são pouco relevantes diante da participação do Itaú. “Por isso, a expectativa é de um resultado positivo, essencialmente puxado pelo desempenho do banco”, diz.
O que tem mexido com as ações da Itaúsa
Ampliação de participação na Aegea
Em fevereiro, a Itaúsa aumentou a sua participação acionária na Aegea, que passou de 12,82% para 13,27% do capital total, com um investimento próximo de R$ 418 milhões, a partir de recursos próprios.
Na avaliação de Fernando Benavenutto, planejador financeiro e sócio da Anvex Capital, o movimento pode ser entendido como uma estratégia da holding para ampliar sua exposição a setores de infraestrutura e serviços essenciais, que possuem características de previsibilidade de fluxo de caixa e crescimento estrutural no Brasil. “Esse movimento também reforça a diversificação do portfólio da Itaúsa além do setor financeiro”, acrescenta o planejador.
Em dezembro de 2025, a Aegea informou que analisa a possibilidade de realizar uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). A empresa iniciou o processo de engajamento de assessores financeiros e legais para a execução de trabalhos preparatórios para a definição da viabilidade, dos termos e da estrutura da potencial oferta.
Já em fevereiro de 2026, a companhia conseguiu aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a conversão do registro de emissor de valores mobiliários da categoria B para A, que permite a negociação de ações.
Calendário de JCP para 2026
A Itaúsa segue uma política de distribuição trimestral de juros sobre capital próprio (JCP). Em 2026, a empresa irá repassar R$ 0,02 por ação aos acionistas, conforme o calendário a seguir:
Zein, da Suno Research, avalia que a holding continua sendo uma companhia com perfil de forte pagadora de proventos, característica que deve se manter ao longo dos próximos anos, mesmo com investimentos pontuais, como o aumento de participação na Aegea.
Ainda assim, hoje a casa não vê a ação ITSA4 como uma grande oportunidade. “Embora a empresa distribua uma parcela relevante dos lucros em proventos, o preço atual não nos parece tão atrativo. Por esse motivo, a Itaúsa deixou de fazer parte da nossa carteira recomendada”, destaca.
Já Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, tem recomendação de compra para Itaúsa, com preço-alvo de R$ 16. Hoje a ação negocia na faixa de R$ 13. “Em 2026, a empresa deverá entregar um dividend yield (rendimento de dividendo) próximo de 9%, podendo superar esse valor no caso de dividendos extraordinários do Itaúsa”, afirma.
Itaú ou Itaúsa: em qual investir?
As opiniões de analistas são divididas em relação a essa pergunta. Bresciani gosta das duas opções, mas prefere Itaú, por projetar um maior potencial de valorização na ação do banco, que sobe mais de 8% no ano, enquanto Itaúsa tem ganhos de 13,5%.
Já Pedro Galdi, analista CNPI do AGF, vê a Itaúsa como uma forma de o investidor adquirir Itaú de forma indireta. “Se puder ter as duas ações, enxergo como uma movimentação interessante, pois o investidor conseguirá mais fluxos de dividendos no ano, com um risco próximo”, avalia.
Em relatório recente, o JPMorgan elevou o preço-alvo da Itaúsa de R$ 13,5 para R$ 17,5 e destacou sua preferência pela ação em detrimento do Itaú, tendo recomendação overweight (equivalente à compra) para ambos.
O banco acredita que o desconto histórico da holding deve cair do nível atual de cerca de 22% para a faixa média da casa dos 10%, impulsionado pela implementação da reforma tributária no Brasil.
Nos últimos meses, o desconto da Itaúsa já começou a diminuir, passando de cerca de 25% no 3º trimestre de 2025 para aproximadamente 22,3% atualmente. O JPMorgan estima que cerca de 5% desse desconto de holding decorra de ineficiências tributárias típicas de holdings, que devem ser resolvidas com as novas regras tributárias no Brasil.
Atualmente, a Itaúsa paga tributos – PIS e Cofins – sobre receitas incidentes sobre a parcela de JCP recebida principalmente do Itaú. No novo modelo tributário, essa ineficiência tende a desaparecer. “Embora pareça que o mercado já esteja antecipando esse movimento, acreditamos que ainda há espaço para continuidade dessa tendência”, afirma o banco.
Além disso, o JPMorgan aponta que o dividend yield da holding é cerca de 10% maior que o do Itaú, justamente por causa desse desconto histórico. Outro catalisador positivo para a Itaúsa, na avaliação do banco, seria o possível IPO da Aegea, ao aumentar a liquidez dos investimentos e potencialmente reavaliar um ativo atualmente reconhecido apenas pelo valor contábil.