Um levantamento do BTG Pactual com 52 participantes mostra que 88% dos agentes esperam o primeiro corte de juros já nesta reunião, com “predomínio claro do cenário de redução de 25 pontos-base [pb]”, segundo o relatório. 71% veem corte de 25 pb, enquanto 17% ainda consideram possível um movimento mais agressivo, de 50 pb, e apenas 12% projetam manutenção da taxa em 15%.
O resultado reforça a leitura de que o Banco Central deve optar por um início mais gradual do ciclo, calibrando o ritmo de um ambiente ainda incerto. Na prática, o corte menor funciona como uma “porta de entrada” para flexibilização monetária, preservando margem de manobra caso o cenário inflacionário volte a pressionar.
De acordo com a pesquisa, mesmo com um corte de 25 pb, “predomina a leitura de que o BC deverá sinalizar continuidade do ciclo, mas sem especificar magnitude”, deixando em aberto se os próximos movimentos serão de 25 ou 50 pontos-base. Ou seja, a autoridade monetária deve evitar um guidance (projeções) rígido, mantendo dependência dos dados.
O comportamento conversa com o macro
Apesar da expectativa de início dos cortes, o diagnóstico sobre inflação e riscos piorou desde a última reunião. A maioria dos respondentes (73%) avalia que houve uma deterioração moderada da inflação, enquanto o balanço de riscos passou a ser visto como “moderadamente assimétrico para cima”, um sinal de que ainda há mais fatores pressionando os preços do que aliviando.
No cenário internacional, a leitura também não ajuda. O levantamento aponta uma percepção de “piora significativa” do ambiente externo, o que tende a dificultar o trabalho do BC, especialmente via câmbio e preços de commodities. Ainda assim, mais da metade dos participantes vê o dólar abaixo de R$ 5,25 nos próximos meses, sugerindo que a taxa de câmbio, por ora, não é o principal vetor de risco.
Outro ponto de atenção é o petróleo
Em meio às recentes tensões geopolíticas, cerca de 60% dos participantes defendem que o choque na commodity seja tratado “com alguma parcimônia metodológica” nas projeções, seja alongando o uso da curva futura, seja assumindo reversão parcial dos preços. A discussão é relevante porque movimentos persistentes no petróleo podem contaminar expectativas de inflação e, consequentemente, o ritmo de queda da Selic.
Mesmo com esse cenário mais desafiador, o mercado não abandonou a expectativa de um ciclo relevante de afrouxamento monetário ao longo do ano. A projeção majoritária é de cortes acumulados entre 225 e 250 pontos-base em 2026, indicando que a reunião desta semana deve marcar apenas o início de um processo mais amplo.
Por fim, as próprias projeções de inflação do Banco Central devem refletir esse ambiente mais pressionado. A maior parte dos entrevistados espera que a estimativa para o horizonte relevante (3º trimestre de 2027) suba para algo entre 3,4% e 3,5%, acima dos 3,2% observados anteriormente, o que reforça a necessidade de um ciclo de cortes mais gradual.