Já às 12h (de Brasília), os preços ainda sustentavam ganhos relevantes, ainda que abaixo das máximas. O Brent subia cerca de 3,46%, na faixa de US$ 111,10, enquanto o WTI avançava aproximadamente 1,18%, próximo de US$ 95,57.
Reação das petroleiras
O rali se espalhou pela B3, com as petroleiras reagindo em bloco.
Por volta das 12h, a Prio (PRIO3) liderava os ganhos, com alta de 3,74%, a R$ 68,58, enquanto a Brava Energia (BRAV3), em oposição, recuava 0,05%, a R$ 18,25. Já a Petrobras (PETR3; PETR4) operava com valorização, com a ação ordinária (PETR3) subindo 2,56%, a R$ 52,95, e a preferencial (PETR4) avançando 1,87%, a R$ 47,88.
Na ponta oposta, a PetroRecôncavo (RECV3) recuava 3,13%, a R$ 13,31, após a companhia reportar queda de 8% na receita com venda de petróleo em 2025, pressionada por fatores macro e maiores descontos contratuais, apesar do avanço de 5% na receita com gás natural.
Mercado precifica “prêmio de guerra”
A leitura do mercado é de que o conflito entrou em uma fase mais sensível. O aumento de ataques direcionados a ativos energéticos e a embarcações na região reforça o temor de disrupções prolongadas na oferta.
O risco é rapidamente incorporado aos preços. Em um mercado já ajustado, o “ouro negro” passa a carregar um prêmio adicional, refletindo não apenas o cenário atual, mas a possibilidade de agravamento.
Ainda assim, parte do mercado passou a incorporar possíveis respostas do lado da oferta. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o país pode recorrer novamente à liberação de reservas estratégicas de petróleo para conter a alta dos preços.
Segundo ele, Washington também avalia flexibilizar restrições sobre o petróleo iraniano já estocado no mar, em uma tentativa de ampliar a oferta no curto prazo. A sinalização ajudou a moderar parte dos ganhos ao longo da manhã.
Juros e inflação entram na conta
Os rendimentos dos Treasuries, títulos do tesouro norte-americano, sobem após o banco central estadunidense, Federal Reserve (Fed) manter a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% e reforçar uma sinalização mais cautelosa. A autoridade monetária indicou que ainda não vê espaço para cortes de juros no curto prazo, o que levou o mercado a empurrar para 2027 o início esperado do afrouxamento monetário.
O recado teve efeito direto na curva. Com juros mais altos por mais tempo, o dólar ganha tração global e os ativos de risco operam sob maior pressão, em um ambiente já tensionado pela escalada no Oriente Médio.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) já iniciou o ciclo de cortes, mas adotou um tom cuidadoso na comunicação mais recente. A indicação é de que o ritmo e a extensão do afrouxamento dependerão dos próximos dados, especialmente diante da piora do cenário externo.
Ainda assim, a Selic em patamar elevado preserva o diferencial de juros, o que ajuda a sustentar fluxo para ativos locais. Soma-se a isso o efeito do petróleo hoje mais caro, que melhora os termos de troca e funciona como amortecedor para o real, ainda que insuficiente para neutralizar a pressão vinda do ambiente global.