O petróleo hoje fechou em alta, impulsionado pela intensificação do conflito no Oriente Médio e em meio a um quadro tensionado, com risco direto sobre a oferta global de energia.
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O petróleo hoje fechou em alta, impulsionado pela intensificação do conflito no Oriente Médio e em meio a um quadro tensionado, com risco direto sobre a oferta global de energia.
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O avanço nos contratos ganhou tração ainda na madrugada desta quinta-feira (19), quando o barril do Brent saltou mais de 6%, negociado a US$ 113,95. Ao longo das horas seguintes, com a entrada dos mercados europeus e o aumento da liquidez global, chegou a ultrapassar US$ 119, no auge do estresse associado ao risco de interrupção no fornecimento da commodity.
No fechamento, os preços ainda sustentavam ganhos relevantes, ainda que abaixo das máximas. O Brent subiu 1,18% a US$ 108,65 o barril, enquanto o WTI avançou 0,09% a US$ 95,55 o barril.
Na B3, as petroleiras fecharam em queda.
A Prio (PRIO3) teve baixa de 0,32% a R$ 65,82, enquanto a Brava Energia (BRAV3) recuou 4,33%, a R$ 17,47. Já a Petrobras (PETR3; PETR4) terminou em desvalorização, com a ação ordinária (PETR3) cedendo 0,12% a R$ 51,57 e a preferencial (PETR4) caindo 0,47% a R$ 46,78.
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Na ponta oposta, a PetroRecôncavo (RECV3) recuou 2,26%, a R$ 13,43, após a companhia reportar queda de 8% na receita com venda de petróleo em 2025, pressionada por fatores macro e maiores descontos contratuais, apesar do avanço de 5% na receita com gás natural.
A leitura do mercado é de que o conflito entrou em uma fase mais sensível. O aumento de ataques direcionados a ativos energéticos e a embarcações na região reforça o temor de disrupções prolongadas na oferta.
O risco é rapidamente incorporado aos preços. Em um mercado já ajustado, o “ouro negro” passa a carregar um prêmio adicional, refletindo não apenas o cenário atual, mas a possibilidade de agravamento.
Ainda assim, parte do mercado passou a incorporar possíveis respostas do lado da oferta. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o país pode recorrer novamente à liberação de reservas estratégicas de petróleo para conter a alta dos preços.
Segundo ele, Washington também avalia flexibilizar restrições sobre o petróleo iraniano já estocado no mar, em uma tentativa de ampliar a oferta no curto prazo. A sinalização ajudou a moderar parte dos ganhos ao longo da manhã.
Os rendimentos dos Treasuries, títulos do tesouro norte-americano, fecharam sem direção única após o banco central estadunidense, Federal Reserve (Fed) manter a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% e reforçar uma sinalização mais cautelosa. A autoridade monetária indicou que ainda não vê espaço para cortes de juros no curto prazo, o que levou o mercado a empurrar para 2027 o início esperado do afrouxamento monetário.
O recado teve efeito direto na curva. Com juros mais altos por mais tempo, o dólar ganha tração global e os ativos de risco operam sob maior pressão, em um ambiente já tensionado pela escalada no Oriente Médio.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) já iniciou o ciclo de cortes, mas adotou um tom cuidadoso na comunicação mais recente. A indicação é de que o ritmo e a extensão do afrouxamento dependerão dos próximos dados, especialmente diante da piora do cenário externo.
Ainda assim, a Selic em patamar elevado preserva o diferencial de juros, o que ajuda a sustentar fluxo para ativos locais. Soma-se a isso o efeito do petróleo hoje mais caro, que melhora os termos de troca e funciona como amortecedor para o real, ainda que insuficiente para neutralizar a pressão vinda do ambiente global.
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