Às 12h17 (de Brasília), o WTI para maio avançava 3,70%, a US$ 93,60, enquanto o Brent para junho subia 4,13%, a US$ 101,28.
O movimento reflete a recomposição do prêmio de risco diante das incertezas no Oriente Médio. Nesse contexto, cada sinal contraditório sobre negociações entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto e quase imediato nas cotações da commodity.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que há conversas em curso com o Irã e que o país estaria disposto a negociar. Em sentido oposto, a mídia estatal iraniana indicou rejeição a uma proposta norte-americana para encerrar o conflito, ainda que mantenha interlocução por meio de mediadores. A leitura do mercado é de que as negociações seguem frágeis e sujeitas a rupturas, o que mantém o risco de oferta no radar e dificulta uma correção consistente dos preços no curto prazo.
Segundo a agência Tasnim News, o governo iraniano classificou a proposta americana como “enganosa”, acusando Washington de tentar ganhar tempo, conter os preços do petróleo e preparar uma nova ofensiva militar. O país exige garantias contra novos ataques, indenizações e o reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.
Efeito imediato nos mercados globais
O dólar ganha força frente a euro e libra, enquanto os rendimentos dos Treasuries, títulos do tesouro americano, avançam, refletindo a busca por proteção. Na Europa, as bolsas operam em queda generalizada, pressionadas pela perspectiva de energia mais cara e seus efeitos inflacionários.
A Fitch Ratings estima que, em um cenário de prolongamento do conflito até o fim do primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) global pode ficar cerca de 0,8% menor após quatro trimestres. O impacto viria tanto do choque nos preços do petróleo quanto da queda nos mercados acionários, com efeitos mais intensos sobre economias como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.
Inflação no Brasil e política monetária no radar
No Brasil, a alta do petróleo já aparece nas métricas de preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março subiu 0,44%, abaixo dos 0,64% registrados um ano antes, mas ainda assim a maior taxa para o mês desde 2024. Em 12 meses, o índice desacelerou para 3,90%, o menor nível desde maio daquele ano.
O Banco Central incorporou a recente elevação da commodity às projeções e segue sinalizando um ambiente de juros restritivos por mais tempo. O diagnóstico é de que a convergência da inflação à meta permanece distante, o que mantém a política monetária em terreno contracionista.
O impacto sobre as petroleiras
Na bolsa brasileira, por volta das 12h, Petrobras (PETR3; PETR4) avança 1,44% nas ações ordinárias a R$ 52,99 e apresenta alta de 0,66% nas preferenciais, negociadas a R$ 47,80. Já a Brava Energia (BRAV3) lidera os ganhos do setor, com avanço de 4,60% a R$ 19,79.
Outras produtoras também operam em alta, PetroReconcavo (RECV3) sobe 1,06% a R$ 13,41, enquanto a Prio (PRIO3) avança 1,01% a preço de R$ 67,96.
No noticiário corporativo, a Petrobras adiciona um vetor positivo adicional ao anunciar a descoberta de um novo poço no pré-sal da Bacia de Campos, no campo de Marlim Sul. A identificação do “óleo de excelente qualidade” reforça a estratégia da companhia de recompor reservas em áreas maduras e sustentar sua capacidade de produção no longo prazo.