No Brasil, ao longo da semana, serão divulgados dados de contas públicas, emprego e atividade industrial, além da atenção ao cenário político: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza reunião ministerial na terça-feira (31) para avaliar a saída de cerca de 19 ministros que disputarão as eleições 2026 e anunciar substitutos.
Nos próximos dias, também entram no radar os índices de gerentes de compras (PMIs) de Europa, China, Japão e Estados Unidos, além do relatório mensal de empregos norte-americano (payroll).
Em evento nesta segunda-feira, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, minimizou o impacto de divergências internas no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) e afirmou que diferentes visões contribuem para decisões mais robustas de política monetária. Segundo ele, o dissenso não dificulta sua atuação. “Eu não vejo isso como algo que torna meu trabalho mais difícil”, disse, acrescentando que ouvir argumentos contrários ajuda a testar convicções e aprimorar o processo decisório.
Durante evento na Universidade de Harvard, Powell ressaltou que, diante do atual cenário marcado por incertezas, é natural que não haja unanimidade. “Tentar esperar unanimidade em um momento como este seria quase enganoso”, afirmou. Ele destacou que há uma “tensão” entre os objetivos do duplo mandato do Fed, com riscos distintos para inflação e mercado de trabalho.
Às vésperas da Páscoa, vale lembrar que os mercados no Brasil, em Nova York, na Europa e em Hong Kong permanecem fechados durante o feriado de Sexta-Feira Santa.
No mercado hoje, as ações da Petrobras ajudaram o Ibovespa: PETR3 avançou 0,64% e PETR4 subiu 0,53%, embaladas pela alta do preço do petróleo. As ações da Vale (VALE3) tiveram ganhos de 0,63%, com a alta do minério de ferro.
Resultado do Focus
A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu pela terceira semana consecutiva, de 4,17% para 4,31%, em meio às incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio, que levou a uma disparada dos preços do petróleo no mercado internacional. A taxa está 0,19 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 3,91%. Considerando apenas as 71 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 4,21% para 4,47% colada ao limite superior do alvo perseguido pelo Banco Central.
A projeção para o IPCA de 2027 aumentou de 3,80% para 3,84%. Há um mês, era de 3,79%. Considerando apenas as 69 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,81% para 3,93% O Banco Central prevê que o IPCA vai fechar 2026 em 3,9% e atingir 3,3% no terceiro trimestre de 2027 horizonte relevante da política monetária e no fim do ano que vem.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
No Focus desta segunda-feira (30) a mediana para o IPCA de 2028 aumentou de 3,52% para 3,57%, a segunda alta consecutiva. Um mês antes, era de 3,50%. A estimativa intermediária para o IPCA de 2029 permaneceu em 3,50% pela 30ª semana seguida
E lá fora?
No exterior, o ambiente seguiu pressionado pela escalada geopolítica. O petróleo ampliou ganhos, com o Brent acima de US$ 107, após os houthis do Iêmen entrarem na guerra e os Estados Unidos enviarem mais tropas para uma possível operação terrestre contra o Irã. O foco migrou para os riscos em rotas alternativas de exportação. Analistas do ANZ destacam que a Arábia Saudita tem contornado o Estreito de Ormuz por meio de um oleoduto até o Mar Vermelho, que, por sua vez, se torna um alvo potencial.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 3,25% a US$ 102,88 o barril. Já o Brent para junho avançou 1,96% a US$ 107,39 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE)
O The Wall Street Journal reportou que o presidente dos EUA, Donald Trump, avalia uma operação para retirar cerca de 1 mil libras de urânio do Irã. Teerã, que controla o Estreito de Ormuz e ameaça navios “hostis”, liberou 20 embarcações paquistanesas, segundo o chanceler Ishaq Dar, e navios de GLP com destino à Índia também cruzaram sem incidentes.
Bolsas internacionais superam tensões no Oriente Médio
Apesar das tensões, as bolsas europeias fecharam em alta e o Dow Jones subiu nos Estados Unidos, enquanto os juros dos Treasuries (títulos públicos dos EUA) recuaram.
Os índices de Nova York encerraram sem sinal único após as perdas da semana passada, ainda sob impacto da guerra no Oriente Médio e da alta do petróleo: o Dow Jones subiu 0,11%, o S&P 500 caiu 0,39% e o Nasdaq registrou perda de 0,73%.
Na Europa, o tom foi positivo. Londres subiu 1,61%, enquanto Paris ganhou 0,92% e Frankfurt avançou 0,88%, com investidores monitorando de perto os desdobramentos do conflito.
Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries terminaram em queda, refletindo a busca por proteção diante dos riscos ao crescimento global. “No geral, com o sentimento de risco provavelmente permanecendo frágil antes do ultimato do próximo fim de semana e com os EUA aparentemente preparando tropas terrestres, ainda vemos um argumento mais forte para reduzir o risco nas recuperações, seja em termos de duração ou de exposição a spreads“, afirma Rainer Guntermann, do Commerzbank.
O juro da T-note de 2 anos caiu a 3,832%, o da T-note de 10 anos recuou a 4,347% e o do T-bond de 30 anos diminuiu a 4,907%.
Na Ásia, as bolsas fecharam em queda generalizada, pressionadas pela alta do petróleo e seus impactos sobre a inflação global. O Kospi caiu 2,97% em Seul, o Nikkei recuou 2,79% em Tóquio, o Taiex perdeu 1,80% em Taiwan e o Hang Seng cedeu 0,81% em Hong Kong. Na China continental, o Xangai Composto caiu 0,24%, enquanto o Shenzhen Composto ficou estável. Na Oceania, o S&P/ASX 200 recuou 0,65% em Sydney.
Dólar hoje avança
O dólar hoje avançou frente a pares, com exceção do iene. O principal diplomata cambial do Japão, Atsushi Mimura, afirmou que medidas decisivas podem ser adotadas para conter a fraqueza da moeda japonesa, enquanto o presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, disse que seguirá monitorando os movimentos.
O euro caiu a US$ 1,145, a libra recuou a US$ 1,317, e o dólar cedeu a 159,7 ienes. O índice DXY subiu 0,37%, a 100,524 pontos. No mercado doméstico fechou em alta de 0,12%, a R$ 5,2478.
*Com informações do Broadcast