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Petróleo hoje sobe com risco em Ormuz e ameaças de Trump; Itaú vê barril a US$ 125 em abril e fim de corte de juros nos EUA

Escalada pressiona rotas estratégicas, eleva o prêmio de risco e recoloca a energia no centro do debate global nesta segunda-feira (30)

Por Igor Markevich

30/03/2026 | 9:47 Atualização: 30/03/2026 | 18:07

Petróleo dispara com guerra no Oriente Médio, risco no Estreito de Ormuz e ameaça à oferta global; Brent supera US$ 107 e WTI passa de US$ 102. (Imagem: Adobe Stock)
Petróleo dispara com guerra no Oriente Médio, risco no Estreito de Ormuz e ameaça à oferta global; Brent supera US$ 107 e WTI passa de US$ 102. (Imagem: Adobe Stock)

O petróleo hoje iniciou a semana em alta firme, impulsionado pela escalada da guerra no Oriente Médio e pela crescente vulnerabilidade das rotas de exportação.

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Nesta segunda-feira (30), o Brent para junho avançou 1,96%, a US$ 107,39, enquanto o WTI para maio subiu 3,25%, a US$ 102,88.

Os níveis consolidam a volta do petróleo à faixa de três dígitos e sinalizam um mercado que, mais do que reagir a fundamentos clássicos, passa a precificar cenários extremos com maior probabilidade.

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Na B3, o movimento do “ouro negro” foi traduzido diretamente nos preços das ações. A Petrobras (PETR3; PETR4) avançou, com alta de 0,64% nas ações ordinárias, a R$ 54,65, e de 0,53% nas preferenciais, a R$ 49,67.

O movimento foi acompanhado por outras petroleiras. A PetroReconcavo (RECV3) subiu 2,72%, a R$ 13,95, enquanto a PRIO (PRIO3) avançou 1,81%, a R$ 72,1. Já a Brava Energia (BRAV3) liderava os ganhos, com alta de 2,97%, a R$ 20,14.

Risco no Estreito de Ormuz

No Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, o fluxo opera sob restrições. O Irã passou a exigir autorizações militares para a travessia de embarcações e indicou que pode bloquear unidades consideradas hostis, o que eleva o risco de interrupções abruptas.

Há, no entanto, sinais pontuais de flexibilização, como a liberação de navios paquistaneses, mas o quadro geral permanece frágil. A leitura predominante no mercado é que o estreito está funcional, porém longe do normal.

Isso força exportadores a recorrerem a rotas alternativas, como o oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, que desvia o fluxo para o Mar Vermelho. Ainda assim, essas alternativas também entram no radar de vulnerabilidade, sobretudo após a entrada dos houthis — grupo rebelde do Iêmen alinhado ao Irã e conhecido por atacar rotas marítimas e instalações energéticas na região — no conflito, ampliando o risco de ataques a infraestruturas energéticas fora do eixo tradicional.

Escalada militar e retórica dos EUA

O vetor geopolítico ganha ainda mais intensidade com novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou, no último domingo (29), que alvos no Irã foram “eliminados e destruídos” e classificou a ofensiva como um “grande dia”, ao mesmo tempo em que voltou a mencionar a possibilidade de atingir a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano no Golfo Pérsico.

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Trump indicou ainda que, caso não haja acordo, pode ampliar ataques a infraestruturas críticas, incluindo usinas de energia, poços de petróleo e até instalações de dessalinização. Em paralelo, afirmou que negociações com Teerã avançam “direta e indiretamente” e podem resultar em um acordo em breve.

Do outro lado, autoridades iranianas reforçam o tom duro, com ameaças a tropas norte-americanas em caso de invasão terrestre.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington pretende retomar o controle do Estreito de Ormuz e destacou que já há aumento no número de embarcações cruzando a região, o que poderia aliviar, ainda que parcialmente, as restrições no fluxo global.

Segundo ele, o mercado enfrenta um déficit relevante, estimado entre 10 milhões e 12 milhões de barris por dia, o que mantém qualquer incremento de oferta como fator sensível para os preços.

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Ao mesmo tempo, a Rússia reforça sua atuação como fornecedora global. O Kremlin confirmou o envio de derivados de petróleo à Cuba e reiterou que pretende seguir como um parceiro energético confiável para diferentes mercados, inclusive o europeu, em meio à reorganização das cadeias globais de energia.

O desencontro de narrativas mantém o mercado financeiro em estado de alerta. Entre a possibilidade de cessar-fogo e o risco de escalada mais ampla, o petróleo subiu em meio às declarações.

Impacto direto nos preços

A alta do petróleo reflete tanto o risco de interrupção da oferta quanto a incerteza sobre a duração do conflito. O Itaú (ITUB3; ITUB4) projeta o Brent em US$ 125 em abril, com posterior acomodação para US$ 75, ainda acima do patamar anterior.

O choque no petróleo reabre o debate sobre inflação global. Bancos centrais passaram a enfatizar o risco de desancoragem das expectativas, especialmente após a experiência recente com choques persistentes de energia. Nesse contexto, o Itaú revisou seu cenário e não vê mais espaço para cortes de juros nos Estados Unidos em 2026, com possibilidade até de alta caso o petróleo permaneça elevado por mais tempo.

O Boletim Focus passou a indicar um corte mais moderado da Selic em abril, de 0,25 ponto porcentual, levando a taxa de 14,75% para 14,50%. A revisão reflete o aumento das incertezas, com o Banco Central adotando postura mais cautelosa diante do impacto potencial da alta do petróleo sobre a inflação.

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O presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, reforçou que o momento exige conservadorismo, destacando que o choque de energia ainda será melhor compreendido até a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

*Com informações da Broadcast

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