A notícia gerou um impacto imediato nos mercados globais, com reflexo principalmente sobre o petróleo, que, por causa do fechamento de Ormuz, chegou a subir mais de 40% em março e vinha sendo negociado acima dos US$ 100 o barril.
Às 11h52 (de Brasília), o Brent tinha queda de 13,10%, a US$ 86,45. No mesmo horário, o WTI caía 13,56%, a US$ 81,85. É o menor valor em um mês. O último pregão negativo assim para a commodity havia sido em 10 de março deste ano, quando falas de Trump indicando um possível fim da guerra fizeram a cotação ceder 11,3%, a US$ 87,8.
A trégua no Oriente Médio
Em publicação nas redes sociais, o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que a passagem está liberada no estreito de Ormuz a todas as embarcações comerciais, desde que sigam uma “rota coordenada” definida pelas autoridades marítimas do país.
A sinalização foi bem-recebida pelo governo americano. Donald Trump agradeceu publicamente ao Irã pela reabertura do estreito, um dos principais corredores logísticos do petróleo global. A medida representa uma mudança relevante em relação aos últimos dias, quando a rota operava praticamente fechada, com apenas um número reduzido de navios conseguindo atravessar a região.
O cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano segue sendo respeitado nesta sexta-feira. A trégua, embora localizada, passou a ser interpretada como um passo relevante para destravar negociações mais amplas envolvendo Irã e EUA.
A pausa nos combates atende a uma demanda central de Teerã nas negociações indiretas com Washington, especialmente no que diz respeito ao conflito com o Hezbollah. Com isso, o mercado começa a precificar não apenas a redução do risco imediato, mas a possibilidade de avanço diplomático mais amplo.
O próprio Trump reforçou esse tom ao afirmar que a guerra “deve acabar muito em breve”, enquanto o Irã classificou a trégua como parte de um entendimento mais abrangente para interromper o conflito regional.
Petrobras e petroleiras limitam alta maior do Ibovespa
O avanço das negociações no Oriente Médio criou um ambiente de maior apetite a risco nos mercados globais. Em Wall Street, as Bolsas de Nova York têm uma sessão positiva, com altas de 1,49% na Nasdaq e de 1,24% no S&P 500. Já o Dow Jones avançava 2% às 12h (de Brasília). No Brasil, porém, o mercado de ações vai na contramão, depois de ter começado o dia em alta.
O Ibovespa abriu a sessão com alta de 0,91%, de volta aos 198,6 mil pontos. A melhora no apetite global fez o índice zerar a queda semanal e voltar a se aproximar dos 200 mil pontos. O Ibovespa futuro também dava esses sinais: às 09h55 (de Brasília), logo antes da abertura, o indicador bateu inéditos 203 mil pontos.
Aos poucos, no entanto, o índice foi perdendo força graças ao movimento das petroleiras. Dos 83 papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa, apenas 11 tinham queda no início da manhã – boa parte deles eram as empresas ligadas a petróleo e exportação.
Às 11h15 (de Brasília), a Prio (PRIO3), maior queda, caía 7,19% graças ao recuo do Brent. As ações da Petrobras não ficaram muito atrás: a PETR4 caía 6,13%, enquanto a PETR3 cedia 6,41%. Somados, os dois papéis da estatal representam 12% da composição do Ibovespa.
O peso da queda do petróleo acabou se sobressaindo ao otimismo global com a liberação de Ormuz. Às 11h54 (de Brasília), na mínima do dia, o Ibovespa caía 0,53%, aos 195.549,52 pontos.
Essa é uma dinâmica que já vem acontecendo. As petroleiras, sobretudo a Petrobras, são as grandes responsáveis pela alta de mais de 20% no ano, fazendo o Ibovespa se aproximar dos 200 mil pontos. Agora, no entanto, estão sendo a “trava” para que a marca histórica realmente aconteça.
Em dias negativos no exterior, com piora na incerteza geopolítica ou impasse nas negociações de cessar-fogo, o petróleo sobe e essas ações ajudam a limitar as perdas do IBOV. No entanto, em dias positivos, como poderia ser esta sexta-feira, a queda do petróleo pressiona os papéis e impede uma valorização maior do índice. Leia mais sobre isso nesta reportagem.
Dólar cai a R$ 4,95
A queda do petróleo ajudou a aliviar o câmbio, fazendo o dólar à vista tocar os R$ 4,95 pela primeira vez em mais de dois anos logo no início da manhã, quando a reabertura de Ormuz foi noticiada. Às 11h40 (de Brasília), a moeda americana tinha queda de 0,45% contra o real, para R$ 4,970 na venda.
“O movimento é sustentado pelo fluxo externo positivo para mercados emergentes, incluindo o Brasil. Apesar de ainda moderado, o ingresso de capital estrangeiro contribui para a valorização do real, em um contexto de diferencial de juros elevado”, destaca Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.
Não é um movimento exclusivo para o Brasil: o DXY, que mede a performance do dólar contra outras seis divisas fortes, caía 0,5% no mesmo horário, de volta à casa dos 97 pontos. O indicador não alcançava este patamar desde o início de fevereiro, antes da guerra começar.
*Com informações da Broadcast