Ibovespa pode chegar aos 200 mil pontos se acomodação externa continuar, diz UBS BB
Reabertura do Estreito de Ormuz é importante, mas é necessário que as negociações sobre cessar-fogo também evoluam, diz Marcelo Okura, diretor de mercados globais para a AL
Ibovespa: queda do petróleo com diminuição de tensões geopolíticas teve efeito negativo para o Ibovespa (Foto: Adobe Stock)
Após a reabertura do Estreito de Ormuz, importante via de passagem para cerca de 20% do petróleo global, os preços do óleo despencaram 9%. Contudo, mesmo em um ambiente de menor aversão a risco, o Ibovespa pouco mudou: passou a cair e fechou em queda de 0,55%, aos 195.733,51 pontos. O peso da Petrobras no índice, que veio se valorizando da alta do óleo, pesou no desempenho. Mas, para além disso, apenas a reabertura do Estreito de Ormuz não resolve tudo, diz Marcelo Okura, diretor de Mercados Globais na América Latina do UBS BB, ao E-Investidor.
“Abriu o Estreito de Ormuz solucionou tudo? Não tem mais bomba caindo em nenhum lugar? Não. O mercado está olhando muito mais o prazo final de cessar fogo na terça, se será estendido ou não. Há ainda a questão de que Israel continuou a bombardear o Líbano, e Irã colocou como pré-condição para o cessar fogo que esse conflito seja encerrado. Mas as negociações de ambos os países vêm avançando”.
O que está precificado no mercado é que os contratos mais longos do petróleo estão com preços mais baixos do que os atuais. Ou seja, tudo leva a crer que não veremos o conflito se estendendo por muito tempo a ponto de levar a um impacto duradouro na oferta de petróleo.
“Há um equilíbrio instável. Todo dia existem notícias novas para o lado positivo e negativo. Por isso, o mercado está tendo um pouco de cautela”.
Há, contudo, um forte sentimento de que o dólar deve continuar fraco. Esse cenário tem sido relativamente favorável para a bolsa brasileira. “O fuxo de dinheiro vindo do exterior tem atuado como um amortecedor no Ibovespa em relação aos mercados internacionais, com quedas potencialmente menores do que as observadas nos Estados Unidos em momentos de estresse”, diz Okura.
Na avaliação do executivo do UBS-BB, o Brasil continua bem posicionado nesse contexto, por ser exportador líquido de commodities como petróleo e alimentos, o que aumenta sua atratividade em um cenário global ainda incerto.
Com isso, o estrategista vê espaço para o Ibovespa atingir os 200 mil pontos no curto prazo. “Se tivermos dez dias de acomodação no cenário externo e estabilidade no petróleo, é um movimento possível”, afirma. Apesar das incertezas, a visão de Okura para o mercado brasileiro segue cautelosamente otimista.