Os futuros de Nova York também refletiram a escalada das tensões no Oriente Médio: os futuros em Dow Jones despencavam mais de 400 pontos, indicando uma queda a 0,9%. Os índices futuros do S&P 500 operavam em queda de cerca de 0,8%, enquanto Nasdaq 100 registrava baixa de 0,7%.
Neste domingo, assim que o mercado abriu, as cotações da commodity, com contratos para junho, saltaram na NYMEX (New York Mercantile Exchange): às 21h de Brasília, o petróleo do tipo WTI tinha alta de 7,36%, cotado a US$ 88,74, enquanto o Brent avançava 8,72%, a US$ 96,92.
Já a bolsa de Tóquio abriu a sessão desta segunda-feira (horário local) em tendência de alta, impulsionada pelo setor automotivo e também de máquinas. Os investidores seguem atentos aos desdobramentos no Oriente Médio, já que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve liderar uma nova rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão nesta segunda-feira. Às 21h11, de Brasília, o índice Nikkei subia 0,76%, aos 58.941,00 pontos
Cotação do petróleo tinha despencado na sexta com reabertura do Estreito de Ormuz
Na sexta, depois que o Irã abriu o Estreito de Ormuz, o preço do petróleo recuou ao menor nível em um mês, caindo a menos de US$ 90 depois de se manter ao longo de março e abril em torno de US$ 100.
No sábado, um dia depois de o ministro das Relações Exteriores do Irã declarar o estreito aberto, o país mudou de posição, reafirmando o “controle rigoroso” sobre ele e atacando duas embarcações de bandeira indiana. Após um aumento nas tentativas de trânsito no sábado, as embarcações no Golfo Pérsico mantiveram suas posições devido a disparos contra dois navios de bandeira indiana, que foram forçados a retornar. O recuo restabeleceu o status quo no estreito, por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo, ameaçando aprofundar a crise energética global enquanto a guerra entravaem sua oitava semana.
A Casa Branca informou que o vice-presidente JD Vance, que liderou a primeira rodada de negociações presenciais históricas ao longo de 21 horas no último fim de semana, chefiará a delegação dos EUA ao Paquistão, juntamente com os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner. O Irã, porém, segundo a agência estatal IRNA, rejeitou essa segunda rodada de conversas. A mídia estatal iraniana informou que Teerã não planejava participar de novas negociações com os Estados Unidos, horas depois de o presidente Donald Trump ter anunciado o envio de negociadores a Islamabad.
À medida que a guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã e o consequente bloqueio no Estreito de Ormuz reduzem o fornecimento global de petróleo, os viajantes têm motivos válidos para se preocupar com o custo e a disponibilidade de voos. O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que os países europeus podem ficar sem combustível de aviação em poucas semanas, forçando as companhias aéreas do continente e as transportadoras que voam para a Europa a diminuir significativamente a oferta de voos. Muitas aéreas já aumentaram as taxas de bagagem despachada ou adicionaram sobretaxas de combustível, já que o preço global do querosene de aviação saltou de cerca de US$ 99 por barril no final de fevereiro para até US$ 209 por barril no início de abril.
Para o analista do Price Futures Group, Phil Flynn, a pausa da nos combates no Oriente Médio, que envolvia o Hezbollah – com o acordo entre Israel e Líbano -, ajudara a reduzir os riscos imediatos de uma escalada regional mais ampla, com alívio no mercado de petróleo. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta ter “proibido Israel de bombardear o Líbano” e também chamou a passagem marítima de “Estreito do Irã”. Apesar da reabertura de Ormuz, o líder americano ressaltou que o bloqueio naval dos EUA seguirá em vigor até um acordo ser firmado.
Enquanto isso, o choque nos preços de energia continua a gerar temores sobre a inflação. A presidente do Federal Reserve (Fed) de São Francisco, Mary Daly, afirmou que a alta nos custos de energia provavelmente terá efeito mais inflacionário do que sobre o crescimento dos EUA. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a guerra no Oriente Médio levará a inflação a subir em toda a América Latina.
(com informações do Broadcast)