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O relatório de produção e vendas da Petrobras será divulgado nesta quinta-feira (30), após o fechamento do mercado, e funciona como um termômetro para o balanço completo, previsto para 11 de maio.
Para Régis Chinchila, analista de Research da Terra Investimentos, os dados devem mostrar produção estável ou em leve alta, com destaque para o avanço do pré-sal — segmento de maior margem da companhia. O mercado deve olhar com lupa para a produção total em relação ao guidance, além do mix, dos volumes vendidos e dos preços realizados.
“O mercado vai usar esses dados para inferir sustentabilidade de caixa, qualidade do resultado e espaço para payout [parcela do lucro distribuído aos acionistas] no balanço completo”, afirma.
Na avaliação de Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, o cenário operacional do trimestre foi favorável. “Houve aumento de produção e de exportação, com custos controlados, o que deve trazer uma expectativa positiva para o resultado”, diz. Para ele, os preços internacionais mais altos devem compensar eventuais pressões cambiais, reforçando a perspectiva de um desempenho sólido.
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“A companhia deve capturar ganhos relevantes na exportação. A expectativa é de melhora, sustentada pelo aumento de produção, de exportação e pelos preços praticados no exterior”, acrescenta.
O avanço do pré-sal aparece como um dos principais consensos entre os especialistas. Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, afirma que o mercado seguirá atento “à evolução da produção, especialmente no pré-sal, nos volumes vendidos e na realização de preços”. Segundo ele, no segmento de downstream (refino, distribuição e venda de derivados), a utilização das refinarias e os spreads de refino (margem bruta de refino) também ajudam a antecipar a rentabilidade da companhia.
Para Mollo, o relatório funciona “como um termômetro da eficiência operacional e da qualidade do resultado”. Ele avalia que os preços mais altos do petróleo ao longo do trimestre devem sustentar as receitas da estatal, enquanto o câmbio depreciado favorece a geração de caixa em reais.
“Os cortes da OPEP+ [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] acabam influenciando no preço do Brent, mas têm pouco efeito direto sobre os volumes da companhia, porque eles dependem mais da execução operacional”, afirma.
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O executivo destaca ainda que o mercado não espera grandes surpresas no trimestre da Petrobras.
Na mesma linha, Edgar Araujo, CEO da Azumi Investimentos, afirma que o foco estará menos em crescimento acelerado e mais na capacidade da Petrobras em manter estabilidade operacional com rentabilidade elevada. Segundo ele, os investidores devem acompanhar especialmente a consistência da produção total de óleo e gás, os volumes exportados, a utilização das refinarias e o mix de derivados vendidos no mercado interno.
“Mais do que crescimento, o foco está na capacidade de manter estabilidade operacional com qualidade de produção”, afirma.
Araujo ressalta que o principal vetor positivo continua sendo o petróleo em patamares elevados. “O efeito mais relevante é sobre preço e margem, não sobre produção”, diz, ao comentar os impactos do Brent mais alto, dólar mais forte e dos cortes da OPEP+ sobre os resultados da companhia.
Na visão dele, a expectativa é de “estabilidade operacional, não de uma expansão relevante nem de deterioração”. Isso ocorre, segundo o CEO da Azumi, pela combinação entre histórico recente consistente, maior concentração no pré-sal – que reduz custos – e ambiente mais favorável para os preços da commodity.
Embora os especialistas não esperem uma deterioração relevante na geração de caixa, o aumento dos investimentos pode limitar o fluxo de caixa livre e trazer moderação na distribuição aos acionistas.
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Chinchila observa que, ainda assim, os dividendos “seguem no radar, porém com viés mais conservador”.
Mollo também vê espaço para uma distribuição robusta, apesar do avanço do capex (investimento).
“A companhia tem feito mais investimentos, então isso pode afetar os dividendos, mas não acredito que haja um corte muito significativo nos dividendos”, afirma.
Já André Matos, CEO da MA7 Negócios, destaca que o relatório desta quarta-feira (30) deve antecipar os principais sinais do balanço completo de maio: os três indicadores mais importantes para o mercado serão “volume produzido, receita de vendas em dólar e eficiência no custo de extração, especialmente no pré-sal”.
Matos lembra que o trimestre foi favorecido por uma combinação de fatores positivos. Entre eles, o recorde nacional de 5,3 milhões de barris equivalentes por dia registrado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), o crescimento de 31% das exportações de petróleo bruto, que somaram US$ 12,5 bilhões, e o câmbio acima de R$ 4,90, que elevou a conversão das receitas em reais.
“O consenso de mercado projeta lucro de R$ 30,5 bilhões e Ebitda de R$ 63,9 bilhões para o trimestre”, afirma.
Para o executivo, o principal indicador para o humor do mercado com as ações da Petrobras seguirá sendo a geração de caixa livre, justamente por seu impacto direto sobre os dividendos. “As projeções apontam para uma distribuição entre R$ 0,60 e R$ 0,64 por ação referente ao período”, diz. Segundo ele, isso mantém a Petrobras “como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa brasileira”.
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