Nesta quinta-feira (14), as ações chegaram a recuar 3,42% e lideraram mais cedo as perdas do Ibovespa, que opera aos 178.589 pontos (+0,84%). Já no fim da manhã, por volta das 11h40 (de Brasília), os papéis ganharam tração e registraram ganhos de 0,29%.
O BB também divulgou o seu guidance para 2026 e aprovou a distribuição de proventos. Para o Citi, o balanço reforça um quadro de baixa visibilidade e de pressão persistente sobre a qualidade dos ativos, com pouca evidência de melhora nas métricas que importam para estabilizar as preocupações do mercado.
Já a XP destacou as preocupações com o portfólio do agronegócio devido ao ritmo dos pedidos de recuperação judicial (RJs) que continua se intensificando. Segundo a corretora de investimentos, apenas em abril, que marca o início da temporada anual de vencimentos, o volume financeiro de RJs atingiu cerca de R$ 650 milhões. “É quase metade do observado em todo o 2T25, o que sinaliza uma dinâmica de crédito mais desafiadora à frente”, disse.
Ainda assim, vender as ações não tem sido a principal orientação dos analistas. Flávio Conde, head de renda variável da Levante Investimentos, por exemplo, recomenda aos investidores manter as ações do Banco do Brasil (BBAS) em função do atual valor de mercado da estatal. “As ações do BB negociam a apenas 61% do valor patrimonial, abaixo da média histórica de cerca de 70% observada em períodos de deterioração do patrimônio líquido”, afirma.
Antes do balanço, as previsões do mercado também não eram positivas. O BBA estimava que as despesas com provisões permanecessem nos níveis dos trimestres anteriores, na casa de R$ 17 bilhões. O banco também esperava por um lucro líquido de R$ 3,6 bi, o que implicaria em um “modesto” ROE de 7,5%. O BTG Pactual, por sua vez, esperava por um lucro líquido de R$ 5,06 bilhões, acima do consenso de mercado que era de R$ 4,1 bi.
Histórico recente ruim
Os balanços financeiros do BB vem sendo acompanhados pelo mercado de perto, desde que a carteira de crédito ligada ao agronegócio deixou de ser uma fortaleza para o banco e se tornou um problema.
Como explicamos com detalhes aqui, a piora do crédito rural se deu fruto de um combo de fatores macroeconômicos, com a queda dos preços das commodities e problemas de safra enfrentados nos últimos anos. Mas também graças a um componente jurídico, relacionado a mudanças nas provisões do banco contra calotes e na Lei das Falências, que fez o número de pedidos de recuperação judicial subir muito entre os produtores rurais.
Isso fez a inadimplência da estatal disparar em 2025, pressionando os resultados de tal forma que a instituição se viu obrigada a suspender o guidance para os meses a frente. No consolidado do último ano, o lucro caiu 45% em relação a 2024. Muitos bancos e corretoras cortaram a recomendação do papel, chegando a cair mais de 30% em determinados momentos do ano.
Criou-se uma tempestade perfeita e, desde então, investidores questionam quando – e se – o banco vai conseguir se recuperar. Geovanne Tobias, CFO do banco, afirmou no BB Day este ano que o movimento será de “W”; ou seja, uma trajetória de altos e bancos. No evento, os executivos evitaram antecipar leituras mais detalhadas antes da divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), mas reiteraram o compromisso com o guidance já apresentado ao mercado financeiro.
Em fevereiro, quando apresentou os resultados do 4T25, o banco projetou que o primeiro trimestre de 2026 ainda seria “mais apertado”, com resquícios de operações do ciclo anterior do agro, contratadas antes da implementação dos novos modelos de mitigação de risco. A projeção do Banco do Brasil era de um ROE entre 10% e 13%; distante da média de 20% entregue pelos pares privados.
*Com informações do Broadcast