Para a corretora, o resultado foi sustentado por contribuições mais robustas das operações de mineração e pela divisão de cimento, que mais do que compensaram um desempenho ainda desafiador em aço. A XP também destaca desempenho em linha na logística.
No detalhamento por negócios, a XP aponta que a mineração teve desempenho robusto, com Ebitda 4% acima do projetado e margem de 43,1%, 3,6 pontos porcentuais acima da estimativa. Segundo a corretora, o segmento foi apoiado por preços resilientes e melhora de mix, apesar de custos de frete mais elevados.
Em cimento, a XP diz que foi o principal destaque do trimestre: o Ebitda ficou 30% acima do previsto, atingiu recorde de R$ 392 milhões e trouxe margens acima de 31%, impulsionado por melhores preços e controle de custos, ainda que com volumes mais fracos e expansão de margens por preços melhores.
Em energia, a corretora afirma que houve surpresa positiva, embora partindo de uma base comparativa baixa. Em logística, a XP descreve um desempenho amplamente em linha, com margens ainda sólidas em torno de 42%, apesar de sazonalidade mais fraca, embora também registre que a divisão ficou ligeiramente abaixo do esperado, com Ebitda 4% inferior ao estimado.
Do lado negativo, a XP ressalta que a divisão de aço teve desempenho mais fraco, com Ebitda 10% abaixo da estimativa e margem de 7%, 1 ponto porcentual abaixo do projetado. Para a corretora, esse resultado reflete um começo de ano desafiador em preços e custos mais elevados.
A XP ressalta, ainda, ver evolução positiva na dívida líquida, que recuou de R$ 41,2 bilhões para R$ 40,5 bilhões.
A alavancagem caiu para cerca de 3,4 vezes na relação dívida líquida/Ebitda, ante aproximadamente 3,5 vezes no quarto trimestre de 2025, mas segue, segundo a XP, como uma das principais preocupações dos investidores na tese de investimento da CSN e um fator que limita a margem de segurança, especialmente em um ambiente de juros elevados no Brasil.
A corretora observa, por outro lado, que preços resilientes do minério de ferro e uma melhora da perspectiva competitiva para o aço doméstico permanecem como possíveis fatores de alta no cenário base. A XP reiterou recomendação Neutra para as ações companhia.
Citi destaca cimento e logística
O Citi avalia que a CSN entregou um primeiro trimestre de 2026 com Ebitda ajustado consolidado em linha com as expectativas, apoiado principalmente pelas divisões de cimento e logística, enquanto a siderurgia seguiu como o principal ponto de pressão operacional.
Segundo o banco, o Ebitda ajustado consolidado somou R$ 2,6 bilhões no período, resultado 1% acima da estimativa do Citi e 3% acima do consenso, com o desempenho positivo desses dois segmentos compensando uma queda significativa no segmento de Aço.
Na CSN Mineração (CMIN), o Citi destaca que o Ebitda foi de R$ 1,4 bilhão, 3% acima de sua estimativa e 6% acima do consenso. O banco afirma que a margem expandiu para 44,9% no nível da CMIN, “apesar dos impactos cambiais negativos e do aumento do frete marítimo”.
Já na siderurgia, o Citi descreve o segmento como o ponto fraco do trimestre, ao ficar 14% abaixo da estimativa do banco. A leitura é que janeiro e fevereiro foram fortemente impactados pela pressão das importações, o que pesou no resultado do período.
Para o Citi, a dívida líquida está no centro do debate e que o número da holding CSN encerrou o trimestre em R$ 40,5 bilhões, equivalente a 3,36 vezes a relação dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses. O banco observa que o indicador ficou ligeiramente menor em relação ao trimestre anterior, mas ressalta que a redução da alavancagem continua sendo um processo lento e incerto.
O Citi reforça, ainda, que a alavancagem permanece acima do nível esperado e menciona um pesado ônus de juros que, segundo o banco, continua a gerar fluxo de caixa livre negativo no nível da holding. Ainda que tenha havido queda marginal na alavancagem em relação ao trimestre anterior, o Citi avalia que o ritmo de desalavancagem segue lento e dependente de alienação de ativos.
Nesse contexto, o banco chama atenção para a potencial venda do negócio de cimento, descrito como um dos segmentos mais rentáveis e de maior margem da CSN, que agora gera margens Ebitda superiores a 30% e que, de acordo com a administração, deverá ser concluída no 3º trimestre de 2026.
O Citi diz que os recursos obtidos seriam um passo significativo para a resolução da estrutura de capital, mas pondera que a empresa estaria, ao mesmo tempo, se desfazendo de um de seus ativos de melhor desempenho em um momento de alta cíclica para os preços do cimento.
O banco acrescenta que, mesmo em um cenário considerado razoável por ele, de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões em receita líquida para a empresa após impostos, referente à participação a ser vendida, a operação por si só não seria suficiente para levar a alavancagem a um nível confortável.
Pela conta do Citi, a dívida líquida ainda ficaria na faixa de R$ 30 bilhões a R$ 33 bilhões, o que implicaria alavancagem de aproximadamente 2,8 vezes a 3,1 vezes com base no Ebitda pro forma dos últimos 12 meses, e com uma exclusão de aproximadamente R$ 1,4 bilhão do Ebitda do segmento de cimento, permanecendo ainda acima do que consideraríamos um nível sustentável.