Entretanto, patamares elevados nas taxas prefixadas refletem o prêmio exigido pelo mercado para assumir risco no Brasil, diante da inflação persistente e das incertezas fiscais. Basicamente, a renda fixa lida com os olhos atentos de um ‘pai exigente’. “O Prefixado 2032 recuou de 14,35% para 14,24%, enquanto os títulos IPCA+ seguem pagando acima de IPCA + 7% em diversos vencimentos, mantendo taxas historicamente atrativas”, diz Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.
O especialista explica o porquê desse movimento. Ele reflete um cenário doméstico com a atividade econômico aquecida, “como mostram os dados fortes do varejo e a prévia do PIB [Produto Interno Bruto], mantendo pressão sobre a inflação”, afirma. O espaço limitado para cortes agressivos da Selic mantém os títulos prefixados e indexados à inflação atrativos para investidores que buscam proteção e retorno consistente.
“Para quem investe, isso significa que os títulos prefixados ainda oferecem prêmio altos, mas sofrem marcação a mercado no curto prazo”, orienta. O CEO indica que os produtos com IPCA+ continuam sendo instrumentos estratégicos para preservar poder de compra, enquanto o Tesouro Selic garante liquidez imediata. “A diversificação entre indexadores e prazos permanece essencial, equilibrando retorno, proteção e flexibilidade”, defende.
Tesouro Selic: pouca volatilidade
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Veja um exemplo:
Tesouro IPCA+
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,33% e 7,05%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,41% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 7,00% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,96%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,21% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.