Tesouro Direto hoje: taxas recuam com alívio externo, mas IPCA+ paga acima de 7%
Movimento de alívio no cenário global reduz prêmios dos títulos públicos, mas papéis atrelados à inflação seguem oferecendo retornos acima de 7% ao ano
Títulos do Tesouro Direto seguem oferecendo juros reais elevados mesmo após recuo moderado das taxas nesta quinta-feira (21). (Foto: Adobe Stock)
As taxas do Tesouro Direto hoje oscilam em um movimento que reflete o alívio no cenário global e a redução dos prêmios exigidos pelos investidores. Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, os títulos prefixados acompanham esse movimento com uma queda moderada, como no caso do Tesouro Prefixado 2032, cuja taxa recuou de 14,09% para 14,03%. Apesar da desaceleração das taxas, os títulos indexados à inflação seguem atrativos: nesta quinta-feira (21), o Tesouro Educa+ com vencimento em 2031 oferece retorno de IPCA + 7,98%, um dos maiores entre os papéis disponíveis.
“Os IPCA+ se mantêm acima de IPCA + 7%, mostrando que a renda fixa ainda oferece retorno real relevante mesmo diante da melhora no clima externo e na percepção de risco”, afirma Assis. De acordo com o especialista, o ambiente internacional tem contribuído diretamente para essa dinâmica das taxas. O recuo do petróleo e os sinais de avanço nas negociações internacionais diminuem a aversão ao risco nos mercados, permitindo que parte da pressão recente sobre os juros seja revertida.
Contudo, o investidor brasileiro ainda mantém cautela diante do cenário doméstico. Assis destaca que a inflação segue acima da meta e que a expectativa é de um Banco Central (BC) mais conservador no processo de cortes da Selic, o que limita um fechamento mais intenso das taxas no mercado de renda fixa – a mediana do relatório Focus para o IPCA aumentou pela nona semana consecutiva, de 4,89% para 4,91%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida de 4,50%)
Nesse contexto, o executivo reforça a importância da diversificação dentro da carteira de Tesouro Direto. Segundo ele, os títulos prefixados continuam oferecendo prêmios elevados para investidores que conseguem carregar os papéis até o vencimento, enquanto os IPCA+ funcionam como proteção contra a inflação. Já o Tesouro Selic permanece como alternativa de liquidez imediata.
“A estratégia ideal combina prazos e indexadores, aproveitando a redução das taxas sem comprometer o equilíbrio entre retorno, proteção e flexibilidade da carteira”, conclui Gustavo Assis.
Tesouro Selic: pouca volatilidade
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Veja um exemplo:
Tesouro IPCA+
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,38% e 7,11%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
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No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,47% em 2049 e vão caindo gradualmente nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflaçãono longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,98%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,28% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
O quadro atual do Tesouro Direto hoje mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.