Demanda por genéricos e medicamentos para obesidade e diabetes impulsionou o varejo farmacêutico em abril. (Foto: Adobe Stock)
O varejo farmacêutico brasileiro registrou em abril seu melhor desempenho desde 2023, impulsionado pela demanda resiliente pormedicamentos genéricos e pela normalização da oferta de produtos da classe GLP-1 (hormônio produzido naturalmente pelo intestino que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue e o apetite).
Dados divulgados pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), com base em levantamento mensal da empresa de pesquisas para a saúde IQVIA, mostram que o sell-out (total de vendas) consolidado do setor avançou 14,1% na comparação anual, acelerando frente ao crescimento de 13,4% observado no primeiro trimestre de 2026.
Segundo o BTG Pactual (BPAC11), no segmento de medicamentos genéricos, o avanço foi de 14,5% no período, também acima dos 13,4% observados nos três primeiros meses do ano. Após atingir um pico próximo de 20% em 2022, o setor passou por uma desaceleração gradual ao longo de 2023, chegando ao piso de 6,6% no quarto trimestre daquele ano. Desde 2024, porém, a trajetória voltou a ganhar força, com o ritmo de crescimento saindo de 8,8% no 1T24 para 13,4% no 1T26, até alcançar 14,1% em abril de 2026 – o melhor desempenho desde 2023.
Fonte: IQVIA, Sindusfarma, BTG Pactual
Na avaliação do banco, os números reforçam uma retomada consistente da demanda no setor. O BTG destaca que “a reaceleração é consistente com o discurso das companhias durante a última temporada de resultados”, indicando melhora nas tendências de consumo e normalização da oferta de GLP-1 a partir de abril. O relatório ressalta ainda que os dados do mês passado precisam ser analisados com cautela devido aos efeitos de calendário, já que o carnaval ocorreu em fevereiro em 2026, enquanto em 2025 caiu em março, o que reduz a comparabilidade mensal.
Mesmo assim, o banco segue otimista com o segmento farmacêutico. Segundo os analistas, os dados da Sindusfarma “reforçam nossa visão construtiva para os varejistas farmacêuticos“, sustentada pela força da demanda por medicamentos prescritos e genéricos, além do potencial adicional vindo dos remédios GLP-1, “que ainda não está totalmente refletido em nossas estimativas”.
Diante desse cenário, o BTG mantém recomendação de compra para os principais nomes do setor. Entre eles está a DROG3, dona das redes Raia e Drogasil, além de Panvel (PNVL3) e Pague Menos (PGMN3). Para os analistas, a combinação dos fatores ajuda a sustentar o momento positivo das varejistas farmacêuticas brasileiras.