Conflito no Oriente Médio, atuação do Tesouro e postura cautelosa do Copom mexem com a renda fixa. (Foto: Adobe Stock)
Mesmo com a queda do petróleo e o alívio recente no exterior, os juros dos títulos do Tesouro Direto seguem elevados nesta sexta-feira (22), sustentados pelo avanço do risco eleitoral no Brasil. A cautela doméstica mantém os prêmios pressionados ao longo da curva, com destaque para o Tesouro Educa+ 2030, que paga IPCA + 7,95% ao ano.
No exterior, a queda do petróleo, após avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, trouxe algum alívio aos mercados, mas sem força para reduzir os prêmios locais.
Neste cenário, o Tesouro Prefixado 2029 opera próximo de 13,67% ao ano, enquanto o Prefixado 2032 gira em torno de 13,75%. Os títulos atrelados à inflação também seguem em patamares historicamente elevados: o Tesouro IPCA+ 2029 paga IPCA + 7,56%, e o IPCA+ 2060 continua acima de IPCA + 7% ao ano.
“Os prêmios estão entre os mais atrativos das últimas duas décadas, e travar essas taxas hoje significa proteger o poder de compra por um longo período, embora a marcação a mercado ainda deva permanecer volátil até que o cenário externo e as incertezas eleitorais encontrem maior acomodação”, afirma André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Tesouro Selic: pouca volatilidade
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,32% e 7,05%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,40% em 2049 e vão caindo gradualmente nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflaçãono longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,89%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,22% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
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O quadro atual do Tesouro Direto hoje mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.