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Rafael Paschoarelli

Benefícios e malefícios da massificação de influenciadores de finanças

O maior risco é o de perda de qualidade na informação transmitida

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

A internet e as redes sociais são um campo aberto para qualquer um se autodeclarar especialista em algum tema. O mesmo ocorre quando o assunto é educação financeira, investimentos e finanças pessoais.

O tema educação financeira passou a ocupar lugar de destaque nas redes sociais com um número significativo de influenciadores digitais, canais no YouTube, Instagram, Telegram e Twitter.

Entre estes influenciadores existem professores de finanças, investidores milionários e bilionários, autores de livros, gestores de fundos, profissionais de marketing, educadores e a lista não para de crescer.

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O lado bom é que mais e mais pessoas são inoculadas com informações sobre investimentos e finanças pessoais em escala nunca vista antes no Brasil. Como todo processo de massificação, existe o risco de perda de qualidade na informação transmitida.

Isto posto, é cabível perguntar se vale a pena massificar a informação mesmo sabendo que sua qualidade provavelmente cairá. Antes de responder à pergunta, queria esclarecer alguns pontos:

1) O processo de viralização da informação por diferentes canais não pode ser controlado;

2) Não passa pela cabeça de ninguém exigir uma certificação ou diploma para cada pessoa que opine sobre investimentos em algum canal do YouTube;

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3) Existe o risco de se valer do conceito de “Curso sobre Investimentos” para claramente fazer apologia/recomendação de investimentos;

4) Existe o risco do digital influencer conduzir um efeito manada;

5) A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) não tem braço suficiente para exercer controle sobre tudo o que é dito ou postado.

Na minha opinião, existem indícios que a massificação da informação financeira esteja dando bons frutos e, numa análise de custo/benefício, concluo que vale a pena viralizar informação, ainda que parte dela seja de qualidade duvidosa.

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Vejamos:

  • No auge da crise em março/2020, as pessoas físicas não saíram da Bolsa e também não se desfizeram de suas posições em fundos de ações;
  • Este admirável comportamento trouxe resultados concretos para estas pessoas físicas, dado que boa parte desses fundos que sofreram pesadas perdas em março e abril/20 já voltaram aos patamares pré-crise;
  • Foi-se o tempo em que o brasileiro médio apenas considerava produtos bancários (caderneta de poupança, por exemplo) na hora de fazer seus investimentos;
  • Os próprios bancos redesenharam suas grades de produtos, dado que seus clientes passaram a exigir produtos de mais qualidade;
  • As plataformas digitais de investimento, antes restritas ao público entendido de mercado financeiro, continuam a se expandir capturando clientes outrora alienados em termos de educação financeira.

Em resumo, creio que o tsunami de informações sobre investimentos traga mais benefícios que malefícios e, gradativamente, as pessoas aprenderão a separar informações boas das más. No limiar em que as pessoas físicas não sejam capazes de distinguir “um curso de investimentos” da mais deslavada recomendação de investimentos, o órgão regulador deve agir.

Neste ponto, é importante que os órgãos de regulação e controle desenvolvam mecanismos para separar uma opinião sobre um tema de investimentos de uma recomendação, particularmente se esta recomendação for feita por indivíduo sem autorização para tal.

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