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Colunista

Como fazer uma “faxina” nas suas finanças para prosperar

A desintoxicação financeira implica fazer um “detox” mental

Por Ana Paula Hornos

08/10/2023 | 7:45 Atualização: 08/10/2023 | 9:57

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 (Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Fazer uma “faxina” nas suas finanças é livrar-se de hábitos ruins com o dinheiro e aprender a fazer escolhas mais saudáveis. A desintoxicação financeira implica fazer um “detox” mental, desapegar-se de crenças e comportamentos que aprisionam a mente, desperdiçam energia e impactam na saúde financeira.

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Você conhece o conto do elefante que permanecia preso a uma pequena estaca desde a infância, sem cogitar escapar? Mesmo sendo muito forte e grande, infinitamente maior do que a minúscula estaca na qual estava preso, o elefante, acostumado à prisão que o segurava desde pequeno, não percebeu que a situação havia mudado e não tentava mais se soltar.

Desapegar-se significa desprender-se de algo. Quais são suas estacas?

Objetos e gastos inúteis

Comprar ou acumular bens pode trazer uma injeção instantânea de bem-estar ou segurança, que não se sustenta no tempo. A pessoa que age assim entra em um círculo vicioso de compras desnecessárias e acúmulos, para manter essa sensação passageira de alegria.

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O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), em seu livro “Ser e Tempo”, disse que a organização da nossa casa reflete nossa organização interior, o que também é verdade para a organização financeira. Portanto, livre-se de objetos inúteis, arrume sua casa, organize seu orçamento. Busque estabelecer prioridades e definir estilo de vida compatível com sua renda.
Velhas feridas, sentimentos negativos e mundo ideal

Feridas e sentimentos com impactos negativos, como ansiedade, raiva, medo e culpa, estão muito relacionados ao que esperamos dos outros, ao que outros esperam de nós, ao que esperamos de nós mesmos, ao que esperamos do mundo.

A expectativa frustrada pode acontecer nas pequenas coisas do dia a dia, como um dissabor no trânsito, o atraso de alguém a um compromisso com você, um garçom que não atende direito a seu pedido. Ou nas maiores, como uma traição, palavras e ações de outros que nos ferem, doenças, perdas e crises ou mesmo algo que não fomos capazes de realizar como gostaríamos.

O ponto é que feridas, raiva, medo, culpa ou ansiedade minam nossa confiança de forma generalizada e nos impedem de construir pontes com pessoas, de ousar, de crescer profissionalmente e de enriquecer a própria vida.

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A grande causa do sofrimento humano está muito ligada à recusa em aceitar a realidade. Estar constantemente comparando-se ou buscando referências ideais resultam em infelicidade e paralisação. Aceitar, perdoar, agradecer são chaves para a saúde mental e financeira.

Dívidas

Existem pessoas, de diferentes perfis, que passam a vida devendo. Dívidas escravizam. Impedem a liberação de uma vida saudável e próspera. O desapego do modelo mental de devedor passa por aprender a dizer não a pedido de familiares, aos impulsos próprios de gastos desnecessários e à oferta de novos créditos.

Há programas de ajuda a superendividados, como o Desenrola Brasil, feirões de negociação de dívidas como Serasa Limpa Nome, ajuda profissional de psicólogos, educadores financeiros e grupos de apoio como o Devedores Anônimos. Mas é necessário o primeiro passo de sair da negação e decidir buscar ajuda para mudar hábitos.

Relações difíceis, exercer o controle, ter razão

A necessidade de controlar pessoas é a tentativa equivocada de exercer poder para reduzir ansiedade e obter falsa segurança. O problema é que, quanto mais se tenta controlar o incontrolável, mais ansiedade gera.

Tentar controlar os outros com frases como: “você tem que…”, “não é assim que se faz…” ou buscar o domínio por meio do dinheio, da manipulação, de chantagem, emprestando a própria conta ou CPF para corrigir situações só gera mais angústia e intensifica problemas financeiros.

Despegue-se do desejo de ter sempre razão, de corrigir o mundo, de obter perfeição. Libere-se a si mesmo de controlar os outros ao seu redor, para viverem suas próprias vidas, tomarem suas próprias decisões e enfrentarem suas próprias consequências.

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Aceite que a vida e as pessoas são imperfeitas e que na imperfeição há espaço para o amor. Aceite que consequências dolorosas às vezes são necessárias para o crescimento de quem se ama e que dar amor, não implica superproteção.

Necessidade de status e enriquecimento rápido

Dinheiro e status são reforçadores generalizados que são condicionados ao longo da vida. Tiram o foco dos reais geradores de felicidade humana e levam a decisões impulsivas e a comportamentos compulsivos.

Refletir sobre os valores essenciais como relacionamentos, saúde, crescimento pessoal, contribuição e propósito ajuda a resgatar o equilíbrio, o autocontrole e o bem-estar geral.

Foco no essencial

Desapegar-se não significa deixar de se importar com os outros, mas sim ter em mente que sua vida pertence a você e que a vida do outro pertence a ele. Significa aceitar a realidade como ela se apresenta, ter humildade para admitir que não é onipotente e deixar de lamentar-se sobre o passado para viver plenamente o presente.

Desapegar-se é substituir o medo, a culpa e a ansiedade, pelo perdão, pela compaixão, pela gratidão e pelo amor. Livrar-se daquilo que é inútil para reencontrar o essencial.

E assim você poderá experimentar os benefícios da prática do desapego, em paz interior e na própria liberdade financeira. Isso ajudará você a ganhar dinheiro, guardar mais e pagar o que deve.

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