Publicidade

Colunista

Empreendedorismo na pandemia? Decifre o medo e lucre com isso

Mesmo que o ambiente externo não favoreça, temos recursos internos para virar o jogo

Se não há sonho, se não há confiança, como manter acesa a chama do DNA empreendedor? Foto: Envato Elements
Se não há sonho, se não há confiança, como manter acesa a chama do DNA empreendedor? Foto: Envato Elements

O que eu quero fazer antes de morrer? Em 2009, a artista Candy Chang criou nos Estados Unidos uma lousa gigante em parede pública para as pessoas completarem a frase “antes de morrer, eu quero…” e assim registrarem seus desejos mais importantes. Nunca, neste último século, a humanidade esteve tão intensamente em luto coletivo como na atual pandemia. Todos nós tivemos, de certa forma, perdas profundas.

O contato com a morte gera medo, tristeza e dor, mas também pode ser uma oportunidade única de reflexão com a essência e o propósito da vida. Lancei a mesma pergunta de Chang recentemente em minhas redes sociais e me chamou a atenção a carência de sonhos e a falta de clareza nos objetivos de vida através das respostas recebidas.

O brasileiro parou de sonhar?

Segundo pesquisa mundial do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), divulgada pelo Sebrae em 2019, o Brasil ocupa a primeira posição em empreendedorismo no mundo. Empreender é a arte de transformar uma ideia em ação. Mas se não há sonho, se não há confiança, como manter acesa a chama do DNA empreendedor?

O cenário de pandemia despertou intenso medo e ansiedade, sentimentos que preparam o cérebro para reações de luta e fuga. Por ser uma situação de extrema incerteza, cada indivíduo, reagindo a seu modo, pode passar por paralisia, pela negação, por narrativas de autoengano e por depressão. Ao ser lançado ao instinto mais primitivo da sobrevivência, é desperto em si o individualismo e o egocentrismo, como estratégias de proteção pessoal.

Publicidade

Muito embora, infelizmente, ao longo da história econômica de nosso país, estejamos treinados a conviver com a instabilidades e obstáculos, o contexto atual despertou um fechamento psicológico nas relações e disparou com força conflito dos extremos, polarização, com sérios riscos para a criatividade e inovação.

Onde há então oportunidade e esperança nesse cenário?

Mesmo que o ambiente externo não favoreça, a boa notícia é que temos recursos internos em nosso cérebro para virar o jogo, como os sistemas límbico e cortical. No entanto, para acioná-los, é necessário virar a câmera frontal do modo “self” para a observação do entorno e da necessidade do outro.

O empreendedorismo começa a partir de uma ideia que só pode existir como solução da dor e do problema do próximo. Sem observar a necessidade do outro, sem abertura para a empatia, não há como empreender.

A proximidade da morte é uma oportunidade única para a percepção do valor e do propósito da vida. Se tivermos a capacidade de ressignificar o medo e o apego à própria defesa, para ligar o radar da compaixão, da empatia e do altruísmo, seremos capazes de agarrar a esperança, identificar oportunidades para novos negócios, projetos e retomar a construção de uma sociedade novamente colaborativa, criativa e produtiva.

Medo ou esperança? Paralisia ou ação? Autoconhecimento ou insegurança? Egoísmo ou altruísmo? Polarização ou cooperação? Segundo semestre de 2021 está aí. Você pode escolher de que lado quer ficar.

Publicidade

Encontrou algum erro? Entre em contato

O que este conteúdo fez por você?