DÓLAR R$ 5,28 -1,37% MGLU3 R$ 19,46 -2,21% ITUB4 R$ 27,19 -1,02% EURO R$ 6,36 -1,02% BBDC4 R$ 23,80 -0,17% ABEV3 R$ 16,00 +7,67% GGBR4 R$ 35,38 +2,70% IBOVESPA 119.190,44 pts -0,31% PETR4 R$ 23,58 -1,05% VALE3 R$ 113,94 +2,92%
DÓLAR R$ 5,28 -1,37% MGLU3 R$ 19,46 -2,21% ITUB4 R$ 27,19 -1,02% EURO R$ 6,36 -1,02% BBDC4 R$ 23,80 -0,17% ABEV3 R$ 16,00 +7,67% GGBR4 R$ 35,38 +2,70% IBOVESPA 119.190,44 pts -0,31% PETR4 R$ 23,58 -1,05% VALE3 R$ 113,94 +2,92%
Delay: 15 min
Ana Paula Hornos, colunista do E-Investidor (Foto: Divulgação)

Mente sã em bolso são

Ana Paula Hornos é mediadora, palestrante e produtora de conteúdo sobre finanças e comportamento. Dedicada à psicologia, educação financeira e orientação profissional, com mais de 20 anos de experiência como executiva e empresária, trabalha assessorando pessoas na formulação e alcance de seus objetivos. Mestranda em psicologia e graduada em Engenharia, ambas pela USP, com MBA em finanças pelo Insper e especializações pela FGV e IMD, foi diretora de grandes empresas nacionais como o Grupo Pão de Açúcar e membro de Conselho de Administração da Essencis Ambiental. É autora da coleção ‘Educação Financeira e Valores’, de apoio didático escolar para educação financeira de crianças e adolescentes e do livro infanto-juvenil ‘Crise Financeira na Floresta’. Atualmente também professora na FGV-IDE e na Casa do Saber.

Escreve às segundas-feiras, a cada 15 dias.

Ana Paula Hornos

O efeito Madoff terminou mesmo?

O golpe de pirâmide financeira continua repaginado nos tempos atuais e volta a fazer vítimas no Brasil

Bernie Madoff, criador da maior pirâmide financeira
Bernard Madoff, criador da maior pirâmide financeira da história, em imagem de 2009 (Foto: Brendan McDermid/Reuters)

O golpe do esquema de pirâmide financeira, cujo dinheiro vindo de novos investidores é usado para pagar os antigos, usado por Madoff nos Estados Unidos, mas já praticado por Carlos Ponzi na Itália, continua repaginado aos tempos atuais e volta a fazer vítimas na pandemia no Brasil.

O curioso é notar que o fenômeno se intensifica em épocas de juros baixos ou dificuldades econômicas, cenário favorável para busca do “dinheiro rápido e fácil”. São gurus financeiros, blogueir@s e influenciador@s que bombardeiam ao longo da história, promessas de enriquecimento através de fórmulas mágicas, lucro por arbitragens fantásticas e investimentos miraculosos.

Por que o velho golpe sempre funciona? Ele ativa no ser humano a busca da recompensa imediata, feita através de escolhas impulsivas, que estimulam no organismo a produção dos mesmos hormônios da felicidade presentes nos comportamentos compulsivos.

E há um agravante ainda no vício por investimentos, a multifunção de um único comportamento ter diversas recompensas simultâneas: a emoção de correr riscos, a sensação de sucesso e o sentimento de pertencimento à roda de amig@s sociais ligad@s ao tema. E ainda alimentar o sonho de bens a adquirir através dos ganhos. É muita coisa junta!

Algumas pessoas são presas mais fáceis que outras? Sim! Mas o perfil, possivelmente, não está ligado ao sexo, gênero, raça, idade, escolaridade ou nível socioeconômico, mas sim ao sistema de motivação atrelado. É provável que pessoas mais ligadas às recompensas financeiras, ao dinheiro por ele mesmo, de forma generalizada, são mais vulneráveis ao golpe.

Leia também:‘Me senti nua e desprotegida’, diz investidora enganada por guru day trader

O grande paradoxo é que quanto mais se busca o alvo generalizado do dinheiro, maior é a perda do sentido específico da ação e da realização. Quanto mais se busca a felicidade na recompensa imediata através de atalhos mentais, maior é a insatisfação no longo prazo.

Estamos próximos à comemoração do Dia do Trabalhador em um cenário mergulhado por forte desemprego. A palavra trabalho é polêmica e, às vezes, carregada de significados negativos  ou sinônimos como labor, luta, labuta, sobrevivência, exploração, punição ou o dinheiro advindo do trabalho como fruto do pecado. Aparece então neste contexto, a mensagem conveniente e tentadora do “faça seu dinheiro trabalhar por você”.

Aqui cabe a pergunta: você conhece alguém que obteve sucesso e admiração sem trabalhar com persistência? Trabalho não é sinônimo de emprego com a única finalidade de gerar capital. Ele é a atividade inerente ao ser humano, intimamente ligado à sua identidade.

Uma experiência que tive ao levar meu pai de 84 anos para vacinação contra a covid-19, foi vê-lo contando a todos os colaboradores, com orgulho, que era médico há 56 anos. Outro idoso fazia o mesmo na fila, sobre sua profissão. Nenhum deles falava do patrimônio acumulado, não era isso que
importava.

É necessário resgatar valores primários, como a busca do prazer pela realização, a contribuição através de propósito e do uso dos talentos em favor da sociedade, exercícios que são sinônimos de saúde mental. A boa notícia é que a capacidade de conhecer e usar os próprios talentos, de fazer a diferença no mundo, de servir e contribuir para a sociedade, Madoff nenhum pode tirar de você!

Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Abra sua conta na Ágora Investimentos

Informe seu e-mail

Faça com que esse conteúdo ajude mais investidores. Compartilhe com os seus contatos