Segundo um levantamento da Elos Ayta com base nos formulários de referência das empresas publicados entre 2022 e 2024, o Itaú Unibanco dispendeu R$ 81,7 milhões com a remuneração de seu profissional mais bem pago em 2024.
A pesquisa considerou o total de empresas do Ibovespa. Esse conjunto de 79 companhias abertas gastou R$ 1,35 bilhão com as remunerações dos principais executivos em 2024. A remuneração do executivo do Itaú Unibanco respondeu por 6,04% do total (Observe a tabela abaixo).

A remuneração do principal executivo do Itaú Unibanco não apenas foi a maior dentre as empresas listadas no Ibovespa, mas também cresceu mais do que a média em 2023 e em 2024.
Em 2022, as empresas com ações listadas no Ibovespa dispenderam R$ 1,101 bilhão com remunerações. Em 2023, esse valor subiu 5,17% para R$ 1,159 bilhão. Em 2022, a maior remuneração paga pelo Itaú Unibanco foi de R$ 59,19 milhões. Em 2023, a importância avançou para R$ 67,71 milhões, um crescimento de 14,4%, quase o triplo do crescimento da média das empresas do Ibovespa.
Esse fenômeno se repetiu no ano seguinte. Em 2024, as empresas com ações no Ibovespa dispenderam R$ 1,354 bilhão em salários, uma alta de 16,83% na comparação com 2023. O avanço do Itaú foi maior do que isso: o salário pago ao principal executivo cresceu 20,7% na comparação com o ano anterior.
CEO do Itaú ganha mais do que a metade do valor pago a presidentes de outros bancos
Apesar de o setor financeiro ser conhecido pelas remunerações agressivas, os bancos com ações no Ibovespa não representam a maior fatia dos salários pagos aos executivos-chefes. Em 2024, os cinco bancos com ações no índice gastaram R$ 151,27 milhões com salários dos principais executivos.
Só o salário pago no Itaú representou 54,03% do valor pago pelos bancos. Ou seja, mais da metade do contracheque que os presidentes levaram para casa foi pago pelo Itaú Unibanco.
Os salários pagos pelos bancos perfazem uma quantia representativa, mas não são o grupo mais importante. O segmento mais relevante do índice são as empresas de prospecção, refino e distribuição de petróleo. Em 2024, as sete companhias cujas ações participam do índice pagaram R$ 196,86 milhões a seus presidentes, 14,5% do total.
Setores relevantes na economia e com grande diversidade na B3, como o de construção civil, são menos representativos no índice e também não pagam os maiores salários. As quatro empresas listadas com ações no Ibovespa pagaram R$ 48,42 milhões aos principais executivos em 2024, apenas 3,58% do total. Ou seja, um percentual relativamente muito menor do que o dos bancos.
O mesmo raciocínio vale para as siderúrgicas. As quatro empresas com ações no Ibovespa pagaram R$ 23,15 milhões a seus principais executivos em 2024, apenas 1,72% do total pago pelas 79 empresas do índice.
O resultado da pesquisa da Elos Ayta mostra que o Itaú Unibanco é a empresa mais agressiva na remuneração do principal executivo dentre as companhias abertas com ações listadas no Ibovespa.
As informações apresentadas neste material consistem em estimativas elaboradas com base em metodologia proprietária, desenvolvida a partir da análise de dados públicos disponibilizados pelas companhias abertas brasileiras, especialmente os Formulários de Referência arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os valores apresentados nesse formulário não correspondem necessariamente à remuneração efetivamente recebida por executivos específicos, podendo divergir em função de cláusulas contratuais individuais, metas de desempenho, condições de mercado, programas de incentivo baseados em ações, diferimentos ou outras componentes variáveis não integralmente capturados nas divulgações públicas.
Considerando que a regulamentação vigente no Brasil não exige a divulgação individualizada e nominal da remuneração dos administradores, as estimativas adotam como proxy a maior remuneração potencial atribuível à diretoria estatutária, inferida a partir das informações agregadas divulgadas pelas companhias, incluindo remuneração fixa, variável de curto prazo e incentivos de longo prazo, quando aplicável.