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Pitch deck: a pilha de slides dos empreendedores

Pitch deck, em bom português, nada mais é do que uma pilha (deck) de slides que empreendedores (ab)usam para apresentar (pitch) sua empresa para potenciais investidores

Fábio Póvoa é fundador da Movile/iFood, professor de Empreendedorismo na Unicamp e managing partner em Smart Money Ventures (Foto: Divulgação)
Por Fábio Póvoa

17/02/2021 | 7:49 Atualização: 17/02/2021 | 7:49

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(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

No artigo anterior, eu te alertei sobre o perigo de você “serperntanjo” ser encantado por empreendedores e seus slides. E encerrei o artigo sugerindo menos PowerPoint e mais Excel.

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Muitos me escreveram perguntando o que eu tinha contra PPTs. Posso ter passado a impressão errada de serem algo inerentemente ruim, o que obviamente não é o caso.

Então, antes de falar mal deles, vamos dar um passo atrás e explicar o que são, onde vivem, como se reproduzem: em English, para que soe mais startup business: o pitch deck. 

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Em bom Português: é uma pilha (deck) de slides que empreendedores (ab)usam para apresentar (pitch) sua empresa para potenciais investidores.

Conteúdo

O pitch deve condensar no formato de slides os principais pontos de oportunidade do negócio tendo em mente o seu público alvo: nós, os investidores. Esta cambada com déficit de atenção, falta de tempo, pouca paciência, excesso de oportunidades para investir capital (e não apenas startups), alguns com idade avançada (não é o meu caso!) mas … com capital, conhecimento e conexões que podem alavancar muito o negócio. Smart money, sacomé! 

Assim, o pitch resume de forma estruturada informações suficientes para dar a dimensão da oportunidade e despertar o interesse do investidor em se aprofundar e saber mais. Ou, tão bom e valioso quanto, já confirmar o desinteresse – em geral, falta de fit com sua tese de investimento – e com isso poupar tempo e energia de todos – investidores e founders – com mais reuniões e outros engajamentos que não levariam a um investimento.

Os principais tópicos a serem contemplados em um pitch deck são:

  • O problema ou dor sob a ótica do cliente: se não houver alguém com uma dor, nada mais interessa. NADA. Isso inclui a tecnologia, o algoritmo, o app, o website, o logo, os founders, os anjos, o preço, o … <insira o que mais quiser aqui>; 
  • A solução: articulado na forma de proposição de valor que enderece a dor do cliente conforme slide acima. Sim, porque o cliente busca resolver seu problema. Ele até “paga” por um app, mas compra a solução pra sua dor. É isso que o slide deve mostrar – e não, por óbvio, um punhado de telas de como funciona o produto;
  • O tamanho do mercado: números que mostrem que há espaço para crescer (e se valorizar e capturar parte do valor gerado na forma de receitas);
  • Os competidores: outras empresas, com atuação no mesmo nicho ou correlatas, para mostrar não apenas há mercado mas ele é interessante, tanto que tem players atuando e, por óbvio, quais são os diferenciais competitivos da startup para ser mais competitiva que os concorrentes;
  • A tração: evidências concretas que esta oportunidade já está ganhando momentum, com métricas e indicadores de performance – receitas, downloads, usuários ativos – relevantes no contexto da startup;
  • A tecnologia: como a startup pode usar bits & bytes para crescer exponencialmente –  ganhar escala !;
  • A estratégia : a tática e plano de jogo que amarra os pontos apresentados: como entregar a solução pros problemas do perfil de clientes que têm esta dor, ganhando mercado dos competidores com base nos diferenciais apresentados e crescendo com uso inteligente de tecnologia;
  • O time: quem são as pessoas que fazem tudo isso acontecer, porque seu histórico e formação as tornam unicamente capacitadas para navegar esta onda de oportunidade;
  • O modelo de negócio: como a startup gera, monetiza e captura valor, de forma ampla, que inclui (mas não se limita) ao modelo de receitas – preços, assinaturas ou afins;
  • A rodada : quanto se deseja captar, quem já está comprometido, quem já investiu antes, o valuation (e portanto a participação) a ser cedida, onde se espera investir estes recursos para crescer.

Cada um dos bullets acima irá se traduzir em 1 slide, de modo a gerar um máximo de 12 ou 15 slides que permitam compreender os fundamentos da oportunidade por trás da startup.

Não apenas o conteúdo, mas também a ordem dos slides é de suma importância: o pitch guarda um componente de storytelling, com começo, meio e fim que compõem uma narrativa racional. Ela chega ao seu clímax com o pleito de injeção de capital para o crescimento continuado desta história já promissora.

Por que slides ?

Uma dúvida comum é: por que slides? Não seria melhor mostrar o website, baixar o app, ler o whitepaper, cair numa ligação, ouvir um áudio explicativo, assistir o filme da vida, ler o livro da história genealógica da startup e seu founder desde o nascimento da ideia?

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Você já deve ter sacado a resposta: porquê PPT é resumido. A limitação de espaço útil no slide, juntamente com a simplicidade dos seus elementos – texto (bullets !), imagens, animações, gráficos e links – forçam uma objetividade intrínseca ao mundo dos negócios. Menos, neste contexto, é mais por permitir o enfoque no que é essencial.

Seja bem vindo ao vasto mundo das startups, habitado por seres empreendedores e seus pitch decks animados. É melhor conhecer e se acostumar: como investidor, uma parte significativa do seu trabalho será abrir, revisar, analisar, criticar, questionar, ouvir e, em grande medida, se conter para não chorar ou sair correndo antes que chegar o final de um pitch. Na forma de um ppt aberto no seu micro ou, se você não for cuidadoso, em infindáveis apresentações em reuniões, demo days, eventos ou youtube vídeos.   

No próximo artigo vamos falar das principais cagad… erros incorridos dos founders ao elaborar, apresentar e disponibilizar seus decks.

 

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