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Colunista

Chegou a hora de rever a sua carteira de investimentos. Veja como decidir

Último elatório Focus já trouxe uma redução significativa da taxa de juros para os próximos meses

Por Vitor Miziara

08/08/2023 | 12:42 Atualização: 08/08/2023 | 12:42

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Ações recomendadas pelo Itaú BBA (Foto: Shutterstock/NicoElNino/Reprodução)
Ações recomendadas pelo Itaú BBA (Foto: Shutterstock/NicoElNino/Reprodução)

Investir no Brasil é um trabalho geralmente fácil tanto para os investidores quanto para os assessores de investimentos, isso porque aqui o nosso maior produto exportado é o juro, sonho de todos que possuem uma estratégia de longo prazo.

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Sem muito esforço ou invenção a gente hoje ainda ganha quase 1% ao mês líquido, mas esse cenário deve mudar nos próximos meses e por isso as carteiras de investimentos devem se ajustar também. A grande questão aqui: para onde correr e manter o rendimento alto e com segurança?

Quando falamos em investimentos fazemos separação por classes de ativos, sendo renda fixa, crédito privado, ações, cambio e outros. Nessas “caixinhas” que devemos fazer conta de risco versus retorno e adequá-las ao nosso perfil de investidor para visualizar qual porcentual alocar em cada uma. Esse é o primeiro trabalho ao se investir.

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O segundo, mas não menos importante, fica com o rebalanceamento de tempos em tempos, a depender do perfil.

Mudanças em curso

O relatório Focus – a pesquisa feita pelo Banco Central (BC) com diversos agentes de mercado – já trouxe nesta segunda-feira (7) uma redução significativa da taxa de juros para os próximos meses, terminando 2023 em 11,75%, enquanto 2024 tem previsão de 9% e 2025, perto de 8,5%. Ou seja, o “amanhã” parece piorar para a renda fixa e com isso já devemos prever o que fazer com nossos investimentos de médio e longo prazos.

O ajuste nas expectativas colhidas no relatório Focus reflete a percepção do do mercado de que a inflação está caindo e deve permanecer baixa por um longo tempo. A meta do BC para esse indicador é de 3%, algo que não me parece ser sustentável, já que o governo atual tem um perfil expansionista e isso resulta em aumento de custos para a cadeia como um todo (começando por impostos).

Hoje, ao olhar os títulos de renda fixa mais longos e prefixados, por exemplo, já vemos uma queda relevante nas taxas pagas pelo emissor, é logico. Todo titulo de longo prazo reflete e acompanha o que o mercado espera, mas nem por isso a renda fixa deixou de ser atrativa.

Daqui pra frente devemos começar a ver um fluxo de dinheiro migrando de investimentos de renda fixa para ativos de mais risco em busca de maior retorno, tentando sempre completar a renda esperada do sonho brasileiro, o “1% ao mês”. Agora, vale correr esse risco?

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O juros atual ainda está em 13,25% e mesmo que caia para 9% em 2024 a média seria um número alto, provavelmente mais perto de 11% do que de 10%. Correr mais risco em um cenário deflacionário e com um governo expansionista não me parece a melhor opção.

E a renda fixa?

Li nesse último fim de semana diversos artigos com chamadas como “A renda fixa morreu?” e “Onde investir agora com a queda de juros?”. Calma lá, os juros ainda estão altos e vão continuar altos por muito tempo.

Olhar apenas o número bruto da taxa de juros pode nos cegar para o fato da inflação estar baixa mas, como resultado dessa situação, o juro real do nosso investimento aumenta.

O que vale mais? Ganhar 12% ao ano na renda fixa com uma inflação (aumento de custos) de 8% ou ganhar 9% na renda fixa com uma inflação de 4%?

A conta de juro real versus aumentar o risco na carteira é a pergunta que você deve se fazer como investidor. Até onde vai seu apetite por risco para aumentar o retorno? Até onde novas posições de risco estão de acordo com seu perfil de investidor?

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Fato é que os juros vão cair acompanhando a queda da inflação e o mercado inteiro deve se ajustar à nova realidade, mas isso não quer dizer que você também precisa sair correndo e fazer mudanças.

Todo dia trago dados e indicadores macro no meu grupo de Whatsapp que corroboram uma visão mais pessimista de médio e longo prazos, com alertas sobre situações que podem fazer a inflação voltar a subir, os juros não caírem como esperado ou a economia andar mal e os ativos de risco performarem no campo negativo – tanto deixando de agregar retorno como tirando parte da rentabilidade que poderíamos obter caso ficasse quieto na renda fixa.

Pra mim a renda fixa não morreu. A inflação, talvez, no curto prazo sim, mas no longo prazo sabemos o histórico do Brasil e, por isso, correr risco nesse cenário ainda me parece desnecessário.

Perfil do investidor

Sabe aquele perfil do investidor que você preenche ao investir? Recomendo voltar a ler as perguntas e verificar se realmente você concorda com aquilo que preencheu um tempo atrás. Além disso – e para ajudar –, vou incluir algumas perguntas no meu grupo para fazer um “pente fino” e dar mais visibilidade sobre o que é realmente correr risco e se você está nessa fase ou não.

Lembre-se de que não fazer nada (ou manter a carteira como está em épocas de incertezas) também é uma tomada de decisão. O rebalanceamento ou a calma para os investimentos se provam muitas vezes mais eficazes para um retorno maior do que correr riscos apenas acompanhando as mudanças no cenário.

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Se você estava esperando “a dica” para rebalancear sua carteira, me desculpe. No entanto, é a minha incerteza que faz eu ter um perfil mais conservador e tomar decisões mais assertivas no longo prazo.

Essa é a dica de hoje.

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