Conforme pesquisa da BLU365, fintech especializada na recuperação de crédito com mais de 15 milhões de clientes, 34% dos entrevistados pretendem cortar pela metade os gastos em dezembro e 26% para menos da metade. Já para 24% do público a meta é economizar até 25%, ao passo que 14% das pessoas consultadas querem gastar até 10% a menos do que tinham com despesas no último mês de 2019.
Em relação às dívidas, o estudo mostrou que mais da metade da população está otimista quanto à regularização financeira, de modo que 60% dos entrevistados esperam quitar os débitos até o fim do ano, sendo que 31% dizem ter atrasos, mas esperam resolvê-los, e 29% já estão com tudo em dia e assim querem ficar.
Já 32% das pessoas consultadas estão com as contas atrasadas e assim devem continuar. E 6% dizem estar “no azul” no momento, mas avaliam que encerrarão o ano com dívidas.
“Temos evidências de que, apesar do otimismo para 2021, ainda existe uma parcela relevante da população em dificuldades financeiras e que, mesmo com a ajuda do auxílio emergencial estendido até dezembro deste ano, não conseguirá fazer frente às suas despesas correntes e dívidas passadas”, afirma João Netto, líder de Ciência de Dados da BLU365.
No início de setembro, o governo confirmou a prorrogação do auxílio emergencial até dezembro deste ano, totalizando mais quatro parcelas de R$ 300 reais.
Em um terceiro cenário, a pesquisa também mostrou que 41% dos entrevistados esperam que o orçamento de novembro e dezembro seja melhor do que o de janeiro e fevereiro deste ano. Contudo, 28% esperam uma piora na condição financeira nos dois últimos meses do ano, se comparado aos dois primeiros, e 29% acreditam que estarão com as contas na mesma situação.
Além das expectativas das pessoas, é preciso também acompanhar como o País criará as condições necessárias para a recuperação da economia e, na ponta, a situação das famílias.
No último mês de setembro, por exemplo, o País tinha 67,2% dos brasileiros com dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e prestação de carro e de casa, conforme a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado foi 0,3 ponto porcentual menor do que o recorde da série histórica, registrado em agosto (67,5%).
Mas a situação econômica brasileira é delicada, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) na última quarta-feira (14). Para o fundo, o País deverá sofrer um salto da dívida pública brasileira de 89,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, para 101,4% neste ano. Até 2025, a estimativa é que a relação entre a dívida pública e o PIB chegue aos 104,4%.