Publicidade

Criptomoedas

O investimento que era apenas para os ricos, mas agora você pode comprar

Segundo especialistas, o mercado financeiro passa por uma era de digitalização da economia

O investimento que era apenas para os ricos, mas agora você pode comprar
A nova blockchain latinoamericana foi criada para atender as necessidades da região. Foto: reprodução Canva
  • Tokenizar é selecionar um ativo, seja ele físico, como ouro, ou não físico, como um título do tesouro, e emitir “frações” deste ativo em formato digital (tokens)
  • A tokenização torna os investimentos mais acessíveis para o público do varejo, já que com ela é possível comprar apenas um pedaço do investimento. A exemplo, para investir em FIDC, era necessário desembolsar R$ 25 mil. Agora, é possível comprar uma fração por apenas R$ 25
  • O Drex vai "interligar" as duas pontas entre os ativos tokenizados e a moeda real, já que ele nada mais é do que a tokenização do dinheiro

O mercado financeiro passa por uma era de digitalização da economia, como defendem alguns especialistas. Com o surgimento da blockchain, além das conhecidas criptomoedas, a tokenização de diversos investimentos passou a ser possível – e o que antes era somente para um nicho de investidores qualificados, agora chegou ao público geral.

A tokenização nada mais é que selecionar um ativo, seja ele físico, como ouro, ou não físico, como um título do tesouro, e emitir “frações” deste ativo em formato digital, os chamados tokens, como explica Vinicius Bazan, analista em criptoativos da Empiricus Research.

Feita essa “transformação” com a tecnologia blockchain, as frações de tokens podem ser transacionadas entre pessoas e instituições de forma mais rápida, descentralizada, segura e sem a necessidade de intermediários. O custo das operações, por sua vez, tende a diminuir segundo Carlos Akira Sato, especialista em ativos digitais e fintechs e sócio do escritório Jantalia Advogados.

Publicidade

Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos

Ainda de acordo com o especialista, ao viabilizar o fracionamento de ativos financeiros em pequenos pedaços, a tokenização permite que o valor mínimo de aplicação seja baixo. “Por exemplo, investir em fundos de investimento exige aplicação mínima de R$ 500, já tokens de investimento em recebíveis estão disponíveis no mercado a partir de R$ 25; outro exemplo são tokens de investimento em precatórios, que estão disponíveis a partir de R$ 10”, afirma.

E o que ainda parece exceção à regra, para Marcelo Godke, professor do Insper, da FAAP e advogado especializado em Direito Bancário, pode se tornar o carro-chefe do mercado: “Eu arrisco a dizer que grande parte dos investimentos vão ser oferecidos em tokens no futuro. Porque eu posso, em tese, selecionar qualquer tipo de investimento e transformar em token. É somente uma nova tecnologia para algo que já se fazia de uma outra maneira”.

Mais acessível e rentável

Os especialistas destacam ao E-Investidor que, atualmente, investimentos em direitos creditórios de produtos e serviços, precatórios, debêntures, notas comerciais, startups e projetos imobiliários já são possíveis através dos tokens. Todos estes existem também na forma tradicional, mas com o fracionamento dos ativos, é possível investir pequenas quantias.

A exemplo, para investir da forma tradicional em FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) é necessário desembolsar a partir de R$ 25 mil. Com a tokenização, é possível participar desse mesmo investimento comprando uma fração de apenas R$ 25, através dos TIDCs (Tokens de Investimentos em Direitos Creditórios).

Além do investimento baixo, os tokens também apresentam rendimentos superiores aos produtos tradicionais oferecidos às pessoas no mercado financeiro segundo Akira. “O que tokenização está fazendo é dar acesso a produtos de investimento que não eram acessíveis aos investidores não qualificados”, pontua, citando que é possível encontrar TIDCs hoje no mercado com rentabilidade de 1,3% ao mês, contra 0,66% da poupança (registro de julho),   por exemplo.

“Com valores de investimento inicial baixos, os tokens atrairão uma quantidade maior de pessoas e, consequentemente, haverá mais liquidez no mercado, facilitando, ao mesmo tempo, a oferta de crédito aos empresários e empreendedores. Com a oferta maior de crédito, os juros tendem a cair. Portanto, a tokenização ajuda tanto o investidor quanto o tomador de recursos”, salienta Akira.

Publicidade

Já o professor Godke ilustra o exemplo de projetos imobiliários, em que uma incorporadora pode precisar de R$ 5 milhões para a construção de um prédio e utilizar a tokenização ao seu favor, onde ela irá emitir e vender um token representando uma parte do edifício com um retorno sobre para o investidor.

E para encontrar estes investimentos tolenizados, Godke comenta que o local mais comum são as exchanges. “Lá a gente encontra desde a criptomoeda até precatórios tokenizados, por exemplo”.

Tokenização e Drex

Não só os investimentos, mas o próprio dinheiro está sendo tokenizado. Como mostramos nesta reportagem, o Banco Central anunciou o início do projeto piloto, com oito consórcios participantes, para o desenvolvimento e testes do Drex (Digital, Real, Eletrônico e Exchange), o real digital. Ele será lastreado no real, na mesma proporção, e poderá ser utilizado para a compra de ativos.

A tokenização não precisa do Drex para acontecer, no entanto, com o real digital os produtos estarão na mesma linguagem. “Funcionará como uma tokenização das duas pontas da operação, traz tudo para o mesmo tipo de tecnologia”, diz Bazan. Ou seja, quando tiver disponível ao público, o real poderá ser convertido em Drex.

“Se hoje o investidor compra um título público de outro investidor, ele disponibiliza o dinheiro na conta para o pagamento, a instituição financeira recebe, passa esse dinheiro para outra instituição, que repassa pro vendedor, e muda a titularidade daquele título. Isso demora algum tempo, podem ser horas ou até um dia. Através do Drex, essa transação entre as instituições será automática”, comenta Lis Grassi, educadora financeira e sócia da Matriz Capital.

Outra facilidade que Drex deve trazer, segundo Grassi, é que o investidor não precisará, necessariamente, obedecer aos horários bancários. Atualmente, há limites de horário por dia para vender e comprar um ativo ou fazer resgate de uma conta. Quando o Drex estiver disponível, a ideia é poder fazer a compra de investimentos tokenizados 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Publicidade

Web Stories

Ver tudo
<
>

Informe seu e-mail

Faça com que esse conteúdo ajude mais investidores. Compartilhe com os seus contatos