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Direto da Faria Lima

O pilar que fez a carteira da Ágora render 56% e segue no centro da estratégia em 2026

Dividendos estão no foco da corretora e funcionam como um filtro para selecionar empresas de qualidade, que vão bem independentemente de juros ou eleições

Por Luíza Lanza

26/01/2026 | 3:00 Atualização: 26/01/2026 | 17:37

Ricardo França, head de research para pessoa física da Ágora Investimentos. (Foto: Divulgação/Ágora/Arte de Victoria Fuoco)
Ricardo França, head de research para pessoa física da Ágora Investimentos. (Foto: Divulgação/Ágora/Arte de Victoria Fuoco)

A Bolsa brasileira está passando pelo melhor começo de ano em mais de uma década. Na última sexta-feira (23), depois de uma semana de alta acentuada, cruzou os 178 mil pontos pela primeira vez.

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Os recordes do Ibovespa não são uma novidade para o investidor que acompanhou o mercado no ano passado. Mas impressionam em meio a uma série de novidades que poderiam ter colocado um freio na alta de 34% do índice em 2025.

No ano passado, o IBOV surfou no novo ciclo global de enfraquecimento do dólar e de realocação de capital de portfólios que estavam concentrados nos Estados Unidos e agora passaram a buscar outras geografias. Esse foi o pano de fundo principal, mas os acontecimentos de janeiro levantavam dúvidas sobre a sustentabilidade do movimento.

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Em apenas três semanas, não faltaram motivos para movimentar o mercado: invasão na Venezuela, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, conflitos no Irã e liquidações extrajudiciais de bancos e gestoras no Brasil. Nada disso parece ter abalado a confiança – especialmente dos gringos.

Até o dia 21 de janeiro, o investidor estrangeiro havia ingressado com R$ 12,35 bilhões na B3. Mais da metade de tudo que foi investido na Bolsa brasileira em todo o 2025.

Para Ricardo França, head de research da Ágora Investimentos, ainda é o capital estrangeiro que está mantendo o Ibovespa em alta, apesar das turbulências que o mês de janeiro já trouxe, tanto no cenário doméstico, quanto no internacional.

“O investidor continua vendo que, na avaliação relativa, países emergentes ainda estão muito mais baratos e atrativos do que os desenvolvidos. É uma temática de aumento da diversificação, em um mundo que está com muita liquidez”, diz.

A Ágora conseguiu transformar o bom momento do IBOV em uma alta de 56% na sua carteira recomendada de 2025, o melhor resultado entre as principais instituições. Boa parte da estratégia bem sucedida tem a ver com a seleção de nomes que os investidores gringos também gostam: as boas pagadoras de dividendos.

Para 2026, o rumo de alocação segue o mesmo. No limite, o “filtro” dividendos acaba por selecionar empresas resilientes, de resultados sólidos, baixa alavancagem. Com o juro ainda alto, as ações ainda baratas e as incertezas de um ano eleitoral, o investidor não precisa abrir mão da qualidade dos ativos para gerar retorno, diz França.

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E-Investidor – 2025 foi um ano bastante positivo para o Ibovespa, mas melhor ainda para a Ágora. Qual foi o pilar da estratégia responsável pelos 56% de retorno?

Ricardo França – Ao longo do ano, nosso portfólio esteve muito centrado em empresas com boa capacidade de manter resultados saudáveis, com forte exposição ao setor financeiro e utilities. Em um cenário de juro alto, caso de 2025 e ainda o de 2026, o investidor que compra Bolsa tende a buscar, pelo menos em um primeiro momento, aquelas empresas que pagam bons dividendos, porque é uma forma de mitigar o custo de oportunidade do CDI. Bons nomes, com ações com liquidez, que estavam muito baratas e um alto nível de retorno, ajudaram a compor esse retorno total superior a 56%.

O pilar central realmente foi muito embasado na tese do dividendo. Tínhamos a premissa – que se provou verdadeira – de que a Bolsa brasileira estava tão barata que o investidor não precisava abrir mão da qualidade dos ativos para conseguir gerar retorno. Olhando em retrospectiva, muitas ações de primeira linha, bluechips, tiveram desempenhos excepcionais.

A nova tributação de dividendos, que começou a valer neste ano, fez muitas empresas anteciparem os proventos na reta final de 2025. Isso pode ter, de certa forma, inflado o desempenho desses papéis?

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De fato, concordo que algumas empresas acabaram antecipando o pagamento dos dividendos para o ano passado, em função da mudança da lei, mas a expectativa é de que os resultados de 2026 ainda serão bastante resilientes. Então, se mantendo razoáveis as condições de lucratividade, as empresas provavelmente continuarão com suas estratégias de remuneração ao acionista. É importante lembrar também que muitas utilizam o mecanismo do dividendo, mas também tem as alternativas complementares para o pagamento ao acionista. A Axia, por exemplo, criou uma ação resgatável, outras companhias foram no mesmo caminho. Há dezenas de programas de recompra de ações em andamento.

Então os dividendos continuam como pilar central da carteira?

Começamos o ano com a mesma cabeça em relação à alocação – o pilar de estratégia com foco em empresas que pagam dividendos se mantém. Mas temos que lembrar também que há uma chance bastante razoável de o Banco Central cortar juros. Esse cenário se confirmando, talvez em março, talvez em abril, pode ser que traga uma oportunidade de aumentar a diversificação da carteira e trazer nomes que sejam mais sensíveis à política monetária. Bond proxies, setor de concessão, shoppings. Só não é uma grande guinada na nossa estratégia, porque, embora vejamos com bons olhos esse movimento, o juro médio do ano ainda vai ser muito elevado.

Há espaço para incluir mais risco na carteira, mesmo com toda a volatilidade que, historicamente, anos eleitorais trazem?

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Teremos diferentes fases no ano. No Brasil, assim como em outros países, a política está muito polarizada, o que nos leva à percepção de que a eleição só será definida, de fato, no evento. O mercado vai ter alguns picos de volatilidade, quando sair uma notícia, eventualmente uma pesquisa de intenção de voto, mas tomar uma decisão de investimento em função das eleições talvez só mais próximo da data. Nesse primeiro momento, predomina o vento favorável que vem de fora, com uma entrada de capital estrangeiro muito forte. É um pouco do filme de 2025 se estendendo para 2026.

Ainda no primeiro semestre teremos a redução da Selic e, historicamente, é muito difícil apostar contra a renda variável em ciclos de queda de juros. Só depois, em um terceiro momento, será o evento das eleições. Será preciso considerar também como estarão os preços dos ativos em outubro. A decisão de alocação de capital terá que ser ponderada ao longo do ano. De toda forma, como a nossa estratégia central em Bolsa é optar por empresas que pagam bons dividendos, não vamos mudar materialmente a nossa cabeça.

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