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Direto da Faria Lima

A estratégia da Galapagos para se posicionar no boom dos ETFs de renda fixa

Companhia entende que lançou o melhor produto, mas chegou atrasada; por isso, zerou a taxa do seu último ETF, o POSB11, feito para reserva de oportunidade

Por Luíza Lanza

04/05/2026 | 10:28 Atualização: 05/05/2026 | 11:52

Bruno Stein, responsável pela área de ETFs da Galapagos Capital. (Foto: Galapagos Capital/Arte: Victoria Fuoco)
Bruno Stein, responsável pela área de ETFs da Galapagos Capital. (Foto: Galapagos Capital/Arte: Victoria Fuoco)

A Galapagos Capital está conseguindo captar cerca de R$ 5 milhões por dia com seu mais recente Exchange Traded Fund (ETF), lançado há um mês. O POSB11 é um produto de renda fixa que combina Tesouro Selic e títulos atrelados ao IPCA+, apoiado por uma estratégia comercial agressiva para ganhar tração: taxa zero até novembro deste ano.

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A carteira do ETF tem cerca de 91% em títulos públicos pós fixados e 9% em indexados à inflação. Assim, consegue manter o perfil conservador da Selic, com um retorno extra do IPCA. Uma combinação boa para aquele dinheiro de oportunidade, que não é a reserva de emergência, mas está parado em liquidez aguardando as janelas de investimento no mercado.

A companhia entende que construiu o melhor produto do tipo, mas chegou atrasada na corrida. Bruno Stein, responsável pela área de ETFs da Galapagos, e Victor Batista, diretor de ETFs da asset, já pensavam na estrutura do produto há um tempo, desde antes de entrarem juntos na casa em 2025.

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A estrutura foi desenvolvida gradualmente, com simulações para definir a melhor composição da carteira dentro da vantagem tributária dos ETFs de renda fixa. Nesses ativos, o Imposto de Renda é calculado pelo prazo médio de repactuação (PMR) da carteira, com alíquotas que variam de 25% para prazos inferiores a 180 dias a 15% para PMRs acima de 720 dias. Como a maioria das gestoras mantém o prazo acima desse patamar, a tributação tende a ficar em 15%, independentemente do tempo de permanência do investidor.

O prazo do POSB11 ficou em 780 dias, com rebalanceamento de portfólio bimestral. Foi o cálculo que os executivos encontraram para entregar a melhor relação de risco e retorno no produto.

Enquanto essas simulações aconteciam, no segundo semestre de 2025, as discussões da Reforma Tributária também colocaram a proposta em pausa. Não fazia sentido correr para lançar um índice com a possibilidade da tributação dos ativos mudar logo na sequência.

Isso fez o POSB11 ser lançado apenas em março deste ano, quando já existiam no mercado opções semelhantes e até populares. O LFTB11, da Investo, tem cerca de 9,2% da carteira em NTN-Bs e o restante em LFTs, com prazo médio de 774,67 dias e uma taxa global de 0,19%. E já captou mais de R$ 3,5 bilhões.

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O AUPO11, do BTG, investe 8,5% da carteira em NTN-Bs e o restante em LFTs, mas com um cálculo diferente para o prazo médio da carteira, que se mantém em 760 e sobe para 780 dias nos períodos e que a volatilidade de curto prazo (20 dias anteriores) for superior a do médio prazo (80 dias). A taxa também é de 0,19%.

É aí que entra o marketing da taxa zero. A expectativa dos executivos é que isso faça alocadores olharem para o produto; no modelo fiduciário, os consultores e assessores têm a obrigação de apresentar aos clientes produtos de todas as casas, aqueles que tenham mais a ver com o perfil do investidor e, por vezes, os mais baratos.

Uma vez que entenderem o racional, vão permanecer investidos mesmo quando a campanha acabar e a taxa de administração subir para 0,15% – ainda assim, a menor dentre os produtos de estratégia parecida.

“A taxa zero chama a atenção pelo benefício claro para o cliente e conseguimos associá-la a um período de incerteza global, com guerras e eleições no Brasil e nos Estados Unidos. A ideia é oferecer ao investidor a tranquilidade de deixar o dinheiro alocado no melhor lugar possível, pagando o mínimo de imposto e sem taxa nesse período”, afirma Stein.

Os planos da Galapagos

A Galapagos entrou no mercado de ETFs em outubro do ano passado. É uma estratégia recente, mas isso não implica falta de experiência.

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Stein é um dos executivos mais experientes da indústria. Foi diretor na BlackRock quando a gestora lançou alguns dos ETFs mais populares do mercado local, como o IVVB11. Depois, passou por Itaú, Global X e Safra, até entrar em garden leave no primeiro semestre de 2025, com o objetivo de estruturar o próprio negócio.

Nesse meio tempo, o mercado de ETFs também foi crescendo. Mais gestoras entraram no negócio e a prateleira de produtos da B3 cresceu de forma significativa. O arcabouço regulatório passou a permitir os ativos de renda fixa, ainda que de forma tardia, com avanços entre 2019 e 2022. Agora, o fee-based começa a se popularizar, o que tende a ser o último gatilho para impulsionar a adesão entre investidores.

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Criou-se um ambiente propício para a popularização do produto: mais opções dentro da classe que os brasileiros gostam mais e menos conflitos de distribuição. E Stein encontrou na Galapagos o espaço para arquitetar a gestão da forma como acreditava.

A gestora, um dos braços da companhia de investimentos, lançou quatro ETFs, todos com tickers que já indicam sua proposta, em linha com a visão do executivo de que o produto deve ser compreendido em poucas letras. O primeiro, o GLFT11, um ETF de LFTs, surgiu a partir de uma demanda interna, com o objetivo de funcionar como caixa para pessoas jurídicas, como muitos dos clientes que já atendia.

Depois, vieram os GBIT11 e GXUS11. Como os nomes indicam, o primeiro compra cotas do IBIT11, o maior ETF de Bitcoin à vista, listado em NY. O segundo, por sua vez, é um poduto de renda variável que segue um índice de ações globais, com exceção dos Estados Unidos – por isso o “X US”. O POSB11 completa a família, comprando títulos pós-fixados e NTN-Bs.

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No pipeline, a Galapagos tem novos produtos de renda fixa, além de estratégias em renda variável local e internacional, e também avalia oportunidades em ativos reais.

Agora a missão é “tirar o atraso”, completar a prateleira priorizando estratégias que ainda não estejam disponíveis no mercado ou que possam ser aprimoradas; e que tenham demanda entre investidores.

Assim, surfar o boom do produto, que parece finalmente ter caído no gosto dos investidores brasileiros. No primeiro trimestre do ano, o produto captou R$ 17,8 bilhões, o melhor resultado para o período em cinco anos e a segunda maior captação líquida de toda a indústria de fundos. Desses, R$ 15,5 bi foram direcionados aos ETFs de renda fixa.

Ainda assim, o patrimônio líquido total soma R$ 103,5 bilhões, uma fatia pequena do todo da indústria de fundos. Mas, para Stein e muitos gestores desse mercado, agora é questão de tempo.

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O executivo traça duas metas. A indústria vai chegar ao primeiro R$ 1 trilhão antes de 2030; e em breve todo investidor brasileiro terá um ETF de renda fixa na carteira. A que acontecer primeiro, pavimenta o caminho para a outra.

“O ETF é um cavalo de Tróia“, brinca Stein, em referência ao mito da armadilha grega dada aos troianos. Neste caso, no entanto, é positivo. “A renda fixa vai servir para que as pessoas entendam e confiem nos ETFs. E isso será fundamental para o próximo passo, quando os juros caírem e elas verem que o produto permite investir em praticamente tudo.”

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