Carlos Martins, sócio e gestor da Kinea Investimentos, vê retomada dos FIIs de escritórios e um ambiente mais favorável para novas emissões no setor (Foto: Kinea Investimentos/Arte E-Investidor)
O rali dos fundos imobiliários (FIIs) na Bolsa nos últimos 12 meses não se distribuiu de forma igual entre os segmentos do setor. Segundo Carlos Martins, sócio da Kinea Investimentos, gestora com R$ 40 bilhões em ativos imobiliários sob gestão, os fundos de lajes corporativas foram os últimos a ganhar fôlego, reflexo direto do modelo de trabalho home office adotado pelas empresas após a pandemia da covid-19.
Desde 2025, esse cenário começou a mudar. Segundo o executivo, o retorno gradual das empresas ao modelo híbrido ou presencial tem impulsionado a demanda por salas comerciais. Um exemplo é o Nubank, que anunciou, em janeiro, um investimento de R$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos para expandir a sua rede de escritórios no Brasil, como mostramos nesta reportagem.
“Esse movimento tem gerado uma grande demanda por escritórios e esse segmento foi um dos mais atrasados no processo de retomada da classe de ativos desde a pandemia. Por isso, gostamos muito desse segmento”, diz Martins.
No pano de fundo, o ciclo de queda de juros também tem impulsionado os FIIs. Em março, o Banco Central (BC) iniciou o corte da Selic após quase dois anos, e a expectativa do mercado é de continuidade desse movimento na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). A queda dos juros, além de impulsionar o valor das cotas, também abre espaço para novas captações via emissão.
Confira a entrevista do E-Investidor com Carlos Martins
“Estamos entrando em um período que veremos destravar novas captações para os fundos de tijolo, seja em escritórios, shoppings, logística ou renda urbana. O investidor que gosta da classe quer ver novas emissões”, avalia o executivo.
A entrevista com Carlos Martins faz parte de uma série produzida pelo E-Investidor com os principais gestores do FIIs do País. O conteúdo reúne análises e estratégias dos profissionais que ajudam a definir os rumos da indústria de fundos imobiliários no Brasil.