Por outro lado, a poupança recuou 1,1% no mesmo período, para R$ 961,4 bilhões em recursos aplicados.
O avanço dos investimentos em CDBs ocorreu em um cenário de Selic elevada e foi impulsionado pela presença cada vez maior desses títulos nas estratégias de captação das instituições financeiras.
Nesse contexto, também ganharam força os chamados CDBs promocionais, produtos que prometem retornos mais elevados, mas costumam vir acompanhados de condições específicas, como prazos restritos, limites de investimento e, em alguns casos, disponibilidade temporária.
Esses títulos se destacam em ofertas divulgadas nas redes sociais e em sites das instituições financeiras. “É uma estratégia muito comum quando o banco está buscando novos clientes”, diz Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN).
Ele compara as ofertas com as promoções de um supermercado, onde os produtos com preços atrativos são colocados em gôndolas aparentes. “O supermercado vai vender outras mercadorias, mas usa aquelas propagandas para chamar a atenção. As instituições financeiras também funcionam assim.”
Os CDBs promocionais disponíveis no mercado
Os rendimentos prometidos nos CDBs promocionais são elevados. Na Rico, há duas opções: o CDB a 150% do CDI e o CDB a 230% do CDI. O primeiro permite investimento máximo de R$ 60 mil e mínimo de R$ 10 mil. Já o segundo tem limite mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 3 mil. Ambos têm prazo de 60 dias após o investimento e são emitidos pelo Banco XP.
Os produtos são voltados para novos clientes ou clientes inativos – aqueles que não operaram compromissadas, não realizaram transferência via Transferência Eletrônica Disponível (TED) ou Pix, nem efetuaram operações de cartão, câmbio ou seguros – que tenham aberto sua conta entre às 10h do primeiro dia útil e às 15h do último dia útil do mês vigente.
Na XP, as condições são similares, mas o único CDB disponível é o de rendimento de 150% do CDI, com limite máximo de R$ 60 mil e mínimo de R$ 20 mil. Alguns escritórios associados à empresa não participam da promoção. Por isso, a recomendação é de que os interessados verifiquem as regras específicas junto ao respectivo escritório.
No caso da Genial Investimentos, o CDB promocional oferece rendimento de 220% do CDI por um prazo de 2 meses para novos clientes e usuários inativos da corretora. O valor mínimo para investimento corresponde a R$ 1 mil e o máximo a R$ 3 mil. A campanha terá validade até as 15h do dia 15 de março.
Na Neon, há um CDB promocional que rende 150% do CDI durante 2 meses. O investimento mínimo é de R$ 100 e o máximo é de R$ 20 mil. O produto está disponível aos novos clientes e aos usuários que não realizam aportes desde janeiro de 2024. Para novos clientes, a campanha fica acessível por até 30 dias após a abertura da conta.
Já o PagBank oferece um CDB de 130% do CDI por 30 dias para usuários que não investiram na instituição nos últimos 6 meses e para novos clientes. A oferta vale para aplicação mínima de R$ 500 e máxima de R$ 2 milhões.
O Safra, por sua vez, oferta um CDB promocional de 110% do CDI para novos clientes com prazo de 9 meses para aplicações de até R$ 250 mil. A campanha segue até 31 de março.
CDB promocional ou tradicional: qual escolher?
Domingos, da ABEFIN, orienta o investidor a pensar na finalidade para a qual o recurso será investido. Os CDBs promocionais têm prazos mais curtos, então podem não ser vantajosos para quem tem objetivos de longo prazo ou planeja manter o valor aplicado por mais de um ano.
Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, aponta que a taxa de rentabilidade – por mais atrativa que seja – não deve ser o único fator considerado. Questões como a liquidez do produto e o risco de crédito da instituição emissora também devem ser observadas.
“Em muitos casos, o CDB promocional faz sentido como parte de uma estratégia de diversificação e busca de retorno adicional, mas não necessariamente como alocação principal de reserva de emergência”, comenta Piellusch.
Os cuidados antes de investir em um CDB promocional
O professor ressalta que o primeiro cuidado do investidor consiste em verificar se o valor aplicado está dentro do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O mecanismo garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Outro ponto importante envolve a liquidez do produto. O investidor precisa checar se o resgate ocorre diariamente ou apenas no vencimento da aplicação. Também vale observar o prazo e o tipo de rentabilidade oferecida.
“Em cenários de queda de juros, uma taxa prefixada elevada pode se mostrar muito vantajosa. Já em ambientes de alta de juros, tende a perder atratividade. Os CDBs pós-fixados atrelados ao CDI, por sua vez, acompanham o ciclo monetário”, explica Piellusch.
Outro aspecto relevante é o custo de oportunidade. Segundo o professor, pequenas diferenças de rentabilidade nem sempre justificam abrir mão de liquidez ou assumir mais risco. “Em alguns casos, a diferença entre 110% e 115% do CDI, por exemplo, pode ser pequena em termos absolutos”, afirma.
Na hora de pesquisar a instituição emissora do CDB, um indicador ganha importância: o Índice de Basileia (IB). Quanto mais alto for esse índice, maior será a capacidade da instituição para absorver perdas. O Banco Central determina que, para ser considerado saudável, um banco deve ter um Índice de Basileia de no mínimo 10,5%.
A qualidade da carteira de crédito também merece atenção, especialmente critérios como percentual de inadimplência e concentração em segmentos mais arriscados. “Bancos muito expostos a crédito consignado, pequenas empresas ou crédito pessoal sem garantias tendem a apresentar maior volatilidade”, diz o professor da FIA.
Além disso, instituições excessivamente dependentes de um único produto ou segmento de atuação costumam apresentar risco maior do que aquelas com receitas mais diversificadas. Bancos com prejuízos recorrentes ou margens muito comprimidas também podem indicar fragilidade estrutural.
As notas de crédito (ratings) atribuídas por agências especializadas, como Fitch, Moody’s e S&P Global Ratings, representam outro ponto importante. Elas ajudam a entender a percepção de risco da instituição por trás do CDB promocional, embora não sejam uma garantia absoluta sobre a solidez do emissor.