A metodologia utilizada pela asset leva em consideração a precificação das taxas de juros a mercado para os próximos 12 meses e a inflação projetada pelos bancos centrais estrangeiros. Pelo cálculo, com a Selic em 11,75% e a projeção de inflação, pelo Focus, em 5,69%, a taxa real de juros no Brasil é de 7,10%.
A economia brasileira só fica atrás da Rússia (30,07%) que subiu sua taxa nominal de juros para 20% no final de fevereiro, com o início da guerra com a Ucrânia. Em seguida estão Colômbia (3,65%), Chile (3,64%) e México (2,62%).
Na visão de Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, embora esteja em segundo lugar, o Brasil é o país com maior chance de retorno positivo para investidores em carry trade – operação financeira em que se toma dinheiro a uma taxa de juros em um país e se aplica em outra moeda, onde as taxas de juros são maiores.
“O Brasil sendo o segundo colocado significa que, dentro do escopo de países que podem receber um investimento de renda fixa, ele é um dos que paga melhor. A Rússia não compete com o Brasil mesmo pagando muito mais juros. Se você precisa ter um rendimento expressivo, a pergunta é, entre Brasil e Rússia, você colocaria dinheiro na Rússia?”, afirma.
Pelo levantamento, a média geral de juros reais entre os 40 países listados no ranking é de -0,94%. “Nesse sentido, o Brasil se torna um grande atrator de investimentos globais mesmo em um cenário de elevação de juros nos Estados Unidos, porque o diferencial ainda é muito grande. Só nessa reunião [do Copom] nós demos e prometemos uma elevação de juros muito superior ao que os Estados Unidos está prometendo fechar em termos de taxa”, explica Vieira.
Na mesma quarta-feira (16) em que o Copom elevou a Selic no Brasil, o Fed, banco central dos Estados Unidos, iniciou a trajetória de alta nos juros por lá, com um aumento de 0,25%. Essa é a primeira elevação feita desde 2018, e deve ser seguida de outras seis altas – a expectativa é que os Estados Unidos encerrem 2022 com juros entre 1,75% e 2%.
“Ainda que se preservem parte dos programas de alívio quantitativo, o movimento global de políticas de aperto monetário continuou a ganhar força, com o aumento expressivo no número de BCs sinalizando preocupação com a inflação, em especial devido à guerra, aos recentes choques de oferta e perspectiva de alta nas commodities, com diversas altas de juros. No ranking, entre 40 países, 70,00% mantiveram os juros, enquanto 27,50% elevaram as taxas e 2,50% cortaram”, diz o relatório da Infinity.
Confira o ranking completo:
| Ranking |
País |
Juros reais* |
Juros nominais |
| 1 |
Rússia |
30,07% |
20,00% |
| 2 |
Brasil |
7,10% |
11,75% |
| 3 |
Colômbia |
3,65% |
4,00% |
| 4 |
Chile |
3,64% |
5,50% |
| 5 |
México |
2,62% |
6,00% |
| 6 |
Turquia |
1,44% |
14,00% |
| 7 |
Hungria |
1,22% |
3,40% |
| 8 |
Indonésia |
1,00% |
3,50% |
| 9 |
África do Sul |
0,46% |
4,00% |
| 10 |
China |
-0,01% |
4,35% |
| 11 |
Malásia |
-0,05% |
1,75% |
| 12 |
Filipinas |
-0,14% |
2,00% |
| 13 |
Hong Kong |
-0,74% |
0,86% |
| 14 |
Índia |
-0,90% |
5,40% |
| 15 |
Japão |
-0,95% |
-0,10% |
| 16 |
Suíça |
-0,98% |
-0,75% |
| 17 |
Israel |
-1,40% |
0,10% |
| 18 |
Tailândia |
-1,49% |
0,68% |
| 19 |
Nova Zelândia |
-1,76% |
1,00% |
| 20 |
República Checa |
-1,76% |
4,50% |
| 21 |
Coreia do Sul |
-1,79% |
1,25% |
| 22 |
Reino Unido |
-1,86% |
0,75% |
| 23 |
Polônia |
-1,89% |
3,50% |
| 24 |
Suécia |
-2,14% |
0,00% |
| 25 |
Cingapura |
-2,20% |
0,33% |
| 26 |
Dinamarca |
-2,30% |
-0,60% |
| 27 |
Austrália |
-2,34% |
0,10% |
| 28 |
Grécia |
-2,62% |
0,00% |
| 29 |
Áustria |
-3,19% |
0,00% |
| 30 |
Portugal |
-3,38% |
0,00% |
| 31 |
Taiwan |
-3,48% |
1,13% |
| 32 |
Canadá |
-2,31% |
0,50% |
| 33 |
França |
-3,84% |
0,00% |
| 34 |
Estados Unidos |
-4,28% |
0,50% |
| 35 |
Alemanha |
-4,85% |
0,00% |
| 36 |
Holanda |
-5,03% |
0,00% |
| 37 |
Espanha |
-5,12% |
0,00% |
| 38 |
Itália |
-5,35% |
0,00% |
| 39 |
Bélgica |
-5,48% |
0,00% |
| 40 |
Argentina |
-15,20% |
42,50% |
*Taxas de juros atuais descontadas a inflação projetada para os próximos 12 meses. Fonte: Infinity Asset