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Investimentos

Como a antiga boate Love Story arrecadou R$ 1 mi de investidores

"Crowdfunding" é um dispositivo regulado pela CVM para a captação de recursos voltado a pequenas empresas

Por Daniel Rocha

21/07/2022 | 17:31 Atualização: 21/07/2022 | 18:35

Crowdfunding é uma das formas de financiamento para as empresas fora da bolsa (Foto: Envato Elements)
Crowdfunding é uma das formas de financiamento para as empresas fora da bolsa (Foto: Envato Elements)

A possibilidade de captação de recursos por meio de investidores não está restrita apenas para as companhias brasileiras listadas na bolsa. As empresas de pequeno porte também podem conseguir financiamento de forma similar por meio do “crowdfunding”, dispositivo regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que permite ofertas públicas para pequenas empresas por meio de plataformas digitais focadas em investimentos participativos.

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Por meio desta modalidade, alguns negócios conseguiram arrecadar até R$ 1 milhão com a negociação de suas “ações” neste mercado alternativo. Foi o caso da Love Cabaret (antiga Love Story, boate tradicional do centro de São Paulo) que no fim de junho conseguiu vender em menos de uma hora 100 cotas, no valor de R$ 10 mil cada, para 62 investidores.

Do total dos recursos, 70% serão destinados para as obras e reformas que transformarão o espaço em Love Cabaret. A ideia é transformar a boate em uma “plataforma de desejos” e de educação sexual com a presença de shows eróticos. O restante será utilizado para outras despesas, como marketing do novo empreendimento.

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A Favela Brasil Xpress fez o mesmo caminho. Após realizar o seu “IPO” (Oferta Pública de Ações) no início deste ano, a startup que atua em operações de logística de entrega dentro das favelas na cidade de São Paulo captou R$ 899 mil ao negociar suas “ações” a R$ 10.

“O perfil dos investidores vai desde pessoas que têm condições financeiras menores, com aportes iniciais de R$ 10 reais, até investidores mais experientes”, comenta Gilson Pereira, CEO da Favela Brasil Xpress sobre a sua base de investidores. “O diferencial está exatamente no tipo de investidor, que são desde moradores de favela a moradores de classe média”, acrescenta.

Com os recursos captados, a startup pretende expandir as suas operações para outras cidades brasileiras e até para América Latina.

As duas negociações aconteceram na plataforma DIVI.Hub, que possui a permissão da CVM para a realização destas ofertas públicas em regime de SCP (Sociedade em Conta de Participação). As operações que acontecem neste ambiente alternativo são semelhantes às do mercado tradicional. A empresa realiza uma espécie de IPO ao dividir um percentual do seu negócio em cotas para serem negociadas na plataforma.

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Os interessados em ter participação no empreendimento compram essas cotas e passam a ter direito a um percentual da remuneração da empresa. No caso da DIVI.Hub, os preços de cada “papel” são estabelecidos pelas empresas e podem ter um valor mínimo de R$ 10.

Segundo Ricardo Wendel, CEO da plataforma, a remuneração dos cotistas acontece a partir do compartilhamento de 5% da receita bruta da empresa a cada trimestre. “O percentual é depositado em uma conta da plataforma e a DIVI.Hub distribui para as carteiras dos investidores que compraram as cotas da empresa de forma proporcional e automática”, detalha Wendel.

Além disso, os investidores também têm a oportunidade de analisar os resultados operacionais das empresas a partir de relatórios disponibilizados dentro da plataforma. Em casos de dúvidas, há um fórum para possíveis esclarecimentos.

Segundo a norma da CVM, as empresas interessadas em participar deste tipo de financiamento coletivo devem ter uma receita bruta de até R$ 40 milhões no último ano fiscal. Caso o empreendimento faça parte de um grupo financeiro, o critério é de R$ 80 milhões. A captação máxima permitida é de R$ 15 milhões.

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