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Investimentos

Bitcoin: o impacto do desligamento das fazendas de mineração na China

Em maio, o governo chinês anunciou que faria uma repressão maior ao comércio e à mineração de Bitcoins

Por Luiz Felipe Simões

24/06/2021 | 10:42 Atualização: 25/06/2021 | 12:22

"Fazenda" de Bitcoins (FOTO: Envato Elements - photocreo)
"Fazenda" de Bitcoins (FOTO: Envato Elements - photocreo)

O governo chinês anunciou em maio que faria uma repressão maior ao comércio e à mineração de Bitcoins no país, a fim de evitar riscos financeiros e a especulação em negócios com moedas virtuais. “Membros de instituições financeiras, instituições de pagamento e outras agências não devem usar moeda virtual para precificar produtos ou serviços”, informaram as autoridades chinesas.

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Segundo dados da Universidade de Cambridge, em abril de 2020, cerca de 65% da mineração de Bitcoin ocorreu na China, especialmente nas províncias de Xinjiang, Mongólia Interior, Sichuan e Yunnan.

No dia 9 de junho, a província de Xinjiang ordenou o fechamento de várias unidades de mineração de Bitcoin, conhecidas também como “fazendas”. Neste fim de semana, foi a vez da província de Sichuan. Na sexta-feira (18), o Departamento de Energia de Sichuan e a Comissão de Desenvolvimento e Reforma de Sichuan enviaram um documento no qual exigem a suspensão do fornecimento de energia para 26 instalações de mineração de Bitcoin.

End of an era. Followed by Xinjiang and Inner Mongolia, Sichuan also shut down #Bitcoin mining farms. #ChinaBansCrypto pic.twitter.com/v8G7dH3JCQ

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— Sharon (@Crypto_Sharon) June 21, 2021

De acordo com Vinícius Chagas, analista educacional da Blockchain Academy, o aperto do governo chinês é uma sinalização de um governo que está se posicionando contra o Bitcoin e que visa dificultar seu uso como meio de troca. “Na prática, o gesto mostra como a rede é resistente à censura e tolerante a falhas. Mesmo com as restrições, a rede segue funcionando normalmente e se reorganizando de forma descentralizada”, diz Chagas.

A mineração do Bitcoin é o processo pelo qual novas unidades da moeda são criadas. Basicamente, a atividade envolve deixar supercomputadores ligados 24 horas por dia, resolvendo problemas matemáticos complexos, checando se existem Bitcoins suficientes para a transação e se a parte receptora está apta a receber aquela quantia, por exemplo.

O processo é basicamente uma prestação de serviços para a rede, nesse caso, a do Bitcoin. A prática, além de gerar novas unidades para aqueles que contribuem para a segurança e confiabilidade da rede, valida todas transações feitas na blockchain a fim de mantê-la à prova de fraudes.

Segundo Alex Buelau, CTO da Parfin, plataforma de consolidação de investimentos em criptoativos para institucionais, que é minerador de Ether e Bitcoin desde 2013, explica que quanto maior o preço do Bitcoin, maior é o incentivo para os mineradores começarem exercer a atividade.

Impacto na rede

Com cada vez mais fazendas sendo desligadas, segundo informações da plataforma de research e notícias de ativos digitais The Block, no último fim de semana quase todas as 15 maiores cooperativas de mineração de Bitcoin, conhecidas também por pool, tiveram quedas em poder computacional. Algumas tiveram perdas de até 46%.

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Com isso, a média do Hashrate (a velocidade de processamento de dados) da rede do Bitcoin foi de 150,52 EH/s no dia 9 de junho para 120,46 EH/s em 21 de junho. É uma queda de 19,9% no poder computacional da rede, o que implica em maior demora para as transações serem efetuadas e também taxas mais altas para os usuários. Mas gera mais recompensas em Bitcoins para os mineradores que restaram.

Além disso, o preço da criptomoeda parece ter sofrido com as notícias vindas da China. Na segunda-feira (21), o Bitcoin abriu o dia cotado a US$ 35.641,15 e encerrou valendo US$ 31.676,69, o que representa uma queda de 11,12% no acumulado do período.

Na terça-feira (22), o Bitcoin chegou a valer US$ 28,893.62 no pior momento do dia, por volta das 10h50. Mas encerrou o dia no azul, cotado a US$ 32.505,66. Na quarta-feira (23), a criptomoeda registrou alta de 1,75% cotada a US$ 33.273,15

Entretanto, Buelau explica que a redução do Hashrate causada pelos fechamentos da China não deve ter um impacto direto nos preços do Bitcoin. “Se o preço do Bitcoin começar a subir, vale a pena investir cada vez mais em equipamentos e energia elétrica para ter mais Hashrate. Ou seja: o preço que influencia na quantidade de mineradores, não o contrário”, diz.

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André Franco, analista de criptomoedas da Empiricus, explica os desligamentos trazem impactos negativos para o mercado, mas que esses efeitos devem ser temporários. “Esse minerador não vai desligar a máquina dele e deixar de minerar Bitcoin, ele vai só arrumar outra jurisdição”, diz Franco.

Chagas explica que o preço do Bitcoin é afetado por muitos fatores e, certamente, as notícias da China tendem a movimentar as cotações. No entanto, não é possível prever se esse impacto será negativo ou positivo. “O preço é somente uma métrica dentre tantas outras que considero importantes para avaliar o momento que estamos vivendo do universo dos criptoativos”, diz Chagas.

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