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Investimentos

Com setor “queridinho” em crise, qual é a melhor ação para ganhar dividendos em 2024?

Ações do setor elétrico são pressionadas em 2024; analistas apontam os subsegmentos e empresas de potencial

Por Luíza Lanza

29/05/2024 | 3:00 Atualização: 29/05/2024 | 12:19

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

As companhias elétricas da Bolsa, grandes queridinhas dos investidores pela resiliência e previsibilidade de lucros, estão enfrentando um cenário mais hostil nestes primeiros meses de 2024. O desempenho é fruto de uma combinação de fatores macro, com a abertura da curva de juros e uma piora na percepção de risco, somada à falta de encaminhamento de temas políticas e regulatórios do setor.

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Analistas do mercado ainda veem as ações do segmento com bons olhos, especialmente dentro de uma estratégia voltada ao recebimento de dividendos, mas é preciso escolher as oportunidades em meio à pressão de curto prazo em alguns nomes.

  • Itaú BBA aponta dois fatores que estão pesando nas ações das elétricas

Como mostramos nesta reportagem, o mercado espera que a incorporação da AES Brasil (AESB3) pela Auren (AURE3) resulte em uma queda dos proventos da companhia. Aqui, contamos ainda como a remuneração de investidores também deve cair para quem tem Taesa (TAEE11) na carteira, com a mudança anunciada na base de cálculo da política de dividendos da empresa e os velhos desafios envolvendo a necessidade de expansão e o alto nível de endividamento.

Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, explica que há uma série de fatores atrapalhando as elétricas na Bolsa. “A alta dos juros dos Títulos Públicos por conta dos receios fiscais, preços baixos de energia por conta do cenário de sobre oferta combinado com extensão dos incentivos do governo para renováveis, incertezas com relação ao processo de renovação das concessões de distribuição, e leilões de transmissão extremamente acirrados são os principais fatores que atrapalharam as companhias de energia neste ano”, diz.

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Em abril, o governo federal publicou uma Medida Provisória (MP) que renovou os subsídios concedidos para que projetos renováveis de energia obtenham desconto nas tarifas de transmissão. A MP 1.212/2024 tem como objetivo baratear a conta de luz, mas, por outro lado, pesa nos resultados das elétricas.

“Os preços de energia vinham se recuperando desde o final do ano passado. Contudo, a MP que estende os subsídios para implementação de projetos renováveis, contribui para uma queda nos preços devido às perspectivas de aumento de capacidade, o que prejudicou a performance das ações das geradoras”, afirma Luis Moran, head da EQI Research.

Até o fechamento desta terça-feira (28), o IEEX, índice de energia elétrica na B3, acumulava uma queda de 6,10% em 2024. O desempenho seria pior, não fosse a recuperação do setor em maio – o índice caminha para encerrar o mês com uma alta de 4,17%.

A queda, porém, não é uma exclusividade das elétricas. O Ibovespa cai 7,75% em 2024 e todos os índices de ações da B3 também estão no negativo.

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Para Ricardo França, analista da Ágora, trata-se de um cenário de aversão a risco motivado por fatores macroeconômicos que penaliza ativos de renda variável como um todo. “Essa queda no ano mostra, em algum grau, até mesmo a resiliência do setor, que apesar de operar em baixa ainda cai menos do que o Ibovespa”, destaca.

Melhor para alguns subsetores

Analistas costumam dividir as empresas do setor de energia em quatro subsetores principais: geração, transmissão, distribuição e comercialização. Cada uma possui características próprias e, assim, os fatores em jogo impactam de formas diferentes os modelos de negócio.

As empresas de transmissão, por exemplo, são consideradas as mais previsíveis, com pagamentos de dividendos mais estáveis. “A transmissão é um segmento que trabalha com um contrato de longo prazo, as empresas transmissoras são remuneradas pela disponibilidade da linha e não pelo volume transmitido, e também possui mecanismos de repasse de inflação. São as ações que tendem a ser menos voláteis”, ressalta Ricardo França, da Ágora.

Mas o subsegmento tem alguns desafios. De um lado, a forte competição dos leilões recentes, que faz com que companhias tenham que fazer lances mais elevados para adquirir novos projetos, tem sido apontada como um ponto a ser monitorado nas transmissoras, especialmente dado à necessidade de investimentos e os níveis de endividamento das empresas.

Por outro, justamente por terem os lucros mais previsíveis, esse grupo de ações não costuma ser negociado muito abaixo de seus preços-justos; não são papéis “baratos”, diz França. “É bastante interessante para o investidor ficar posicionado a longo prazo, mas não me parece que tenham agora um valuation muito descontado.”

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No curto prazo, a queda dos preços da energia tende a continuar pressionando as ações ligadas à geração de energia. Esse sim, pode ser um segmento de valuations mais descontado que tende a se recuperar no médio prazo.

“Ainda estamos em um cenário de sobre oferta, ou seja, mais energia sendo gerada do que a demanda equivalente. As geradoras sofrem muito com isso”, explica Bruno Oliveira, analista do AGF. “O ponto interessante é que isso tende a se reverter a partir de 2027, 2028. É nesse contexto que o investidor vai ter oportunidades de comprar boas empresas, que agora estão sendo pressionadas, para colher o fruto mais para frente. Mas é questão de paciência.”

No lado negativo, o segmento que chama menos a atenção do AGF é a distribuição de energia. O entendimento, segundo Oliveira, é que as distribuidoras enfrentam maiores riscos em relação aos pares do setor de energia, especialmente com a incidência de ligações clandestinas que impactam a remuneração dos negócios.

Onde estão as oportunidades?

As elétricas são ações que estão sempre no radar dos investidores, especialmente aqueles que têm foco na renda passiva gerada pelas ações. Com muitos fatores no cenário, o E-Investidor pediu para que os analistas destacassem quais são os nomes preferidos no momento.

Leia também: Tem estômago para ir às compras? Essas 7 ações ficaram baratas

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Na Ágora, as top picks do setor de energia como um todo são Copel (CPLE6) e a Eletrobras (ELET3). Ricardo França, analista da corretora, explica que a escolha se deve à combinação de expectativas positivas para a valorização das ações e de aumento dos dividendos no médio/longo prazo. “A medida que os resultados vão se tornando mais maduros e mais consistente, elas devem aumentar o payout para o investidor. Diria que são teses de crescimento com adicional de dividendo mais a frente”, diz.

Para o investidor focado em renda, a casa gosta também de outros nomes, como Engie (EGIE3), Cemig (CMIG4) e Taesa (TAEE11). O ganho de capital nestes casos é mais limitado, mas a Ágora projeta um dividend yield perto de 8%, 9,% e 8,5%, respectivamente, para os três papéis.

Na EQI Research, além da EGIE3, a Isa Cteep (TRPL4) também é vista com maior potencial. “Para a Isa Cteep (Neutro), temos uma estimativa de dividend yield de 8,2% para 2024. Já para a Engie (Neutra), temos uma estimativa de 5,0% para 2024”, destaca o head Luis Moran.

Já na Empiricus, a top pick é a Eletrobras, ainda que a companhia esteja exposta aos preços baixos de energia no segmento de geração. “Ainda tem um bom espaço para corte de custos e despesas, e com isso melhorar a geração de caixa e os dividendos, que hoje estão na casa de 5% de yield. Mas se trata de uma tese de médio/longo prazo”, ressalta o analista Ruy Hungria.

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Para além da tese de dividendos, analistas apontam que a Eletrobras pode estar em um bom ponto de entrada. Ainda que tenha sido privatizada em 2023, a companhia sofreu com o aumento das ingerências políticas nas empresas estatais e, para parte do mercado, ficou barata.

“A ELET3 sofreu bastante no mês passado em função de todas notícias envolvendo governo e, apesar de ser privatizada, tem acento no conselho e pleiteia ter mais controle. É uma operação forte de geração de energia. Hoje ela é a empresa mais barata do setor elétrico pagando 8% de yield, e com um EV.EBITDA de 7x, tem uma combinação atrativa nesse sentido”, afirma João Lucas Tonello, analista da Benndorf Research.

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