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Investimentos

Além da Verde: as gestoras famosas que perderam 50% dos cotistas em 1 ano

Players conceituados enfrentam evasão de investidores. Saiba quais são e o que está acontecendo

Por Jenne Andrade

11/05/2023 | 3:00 Atualização: 22/05/2023 | 19:12

(Foto: Evanto Elements)
(Foto: Evanto Elements)

A conceituada Verde Asset perdeu R$ 24 bilhões em ativos sob gestão entre dezembro de 2021 e abril deste ano, na esteira da saída de 20,3 mil cotistas no período.

Leia mais:
  • Como a Verde Asset, de Luis Stuhlberger, perdeu R$ 24 bi
  • Os caminhos para o investidor da Verde, com patrimônio em queda livre
  • Por que você pode perder dinheiro usando ‘Gatonet’
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Levando em conta os dados de abril de 2023, a gestora de Luis Stuhlberger conta com 24,2 mil cotistas e possui um patrimônio total de R$ 28,1 bilhões. O desfalque recente fez a asset cair 14 posições no ranking das maiores do Brasil.

Entre os principais motivos para a evasão, estão os juros altos, que “roubam” investidores da renda variável para a renda fixa, além de fatores específicos, como uma rentabilidade menor dos principais fundos da asset no período.

  • Como a Verde Asset, de Luis Stuhlberger, perdeu R$ 24 bilhões

Contudo, não é só a Verde que sofre com a fuga de cotistas. Outros nomes de peso enfrentam um fluxo ainda mais intenso de resgates nos últimos meses.

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De acordo com o levantamento feito por Einar Rivero, head comercial do TradeMap, pelo menos três gestoras perderam mais de 50% dos cotistas nos últimos 12 meses: Adam Capital, Giant Steps e JP Morgan Asset.

A pesquisa considerou gestoras que mais registraram perdas de cotistas em termos percentuais e que detinham pelo menos 5 mil investidores em 5 de maio de 2022, início da amostra. O levantamento também considerou apenas os fundos 555, ou seja, renda fixa, ações, multimercados e cambiais. Fundos de previdência não estão inclusos.

A Adam Capital, fundada por Márcio Appel, um dos gestores mais respeitados do mercado, tinha 10,2 mil cotistas há 12 meses. Atualmente, possui cerca de 4,5 mil, isto é, a empresa viu a saída de 55,94% dos cotistas.

Essa debandada também fica evidente quando o assunto é capital. Segundo dados do Ranking de Gestores da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), entre março de 2022 e março de 2023, recorte mais atualizado, a Adam Capital sofreu R$ 4,8 bilhões em saques. Atualmente, o patrimônio líquido é de R$ 3,7 bilhões.

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Em segundo lugar na lista está a gestora Giant Steps, especialista nos chamados “fundos quantitativos”, que são aplicações que utilizam algoritmos para identificar padrões e fazer investimentos. A empresa perdeu 14,8 mil cotistas dos fundos 555, saindo de 27,1 mil para os atuais 12,3 mil. Hoje, conta com R$ 6 bilhões sob gestão.

Após a publicação da matéria, a A Giant Steps contestou os números. “Diferentemente do que foi informado na matéria, os fundos 555 tiveram uma variação de 18% do número de cotistas entre maio/22 e maio/23. Reforçamos ainda que esse recorte não representa a realidade da gestora, já que a casa opera ainda com fundos de previdência, que não foram contemplados na pesquisa. Além disso, os dados apresentados indicam que o levantamento considerou apenas um dos CNPJs que integram o grupo Giant Steps e, portanto, não condizem com a realidade”, afirma.

Completando a lista, a JP Morgan Asset perdeu 6,4 mil cotistas nos últimos 12 meses (de 12,1 mil para 5,6 mil), além de ter R$ 989 milhões em patrimônio, após R$ 1 bilhão em resgates entre março de 2022 e março de 2023. Segundo Mario Goulart, analista de investimentos, o principal motivo por trás da fuga de investidores é um só: a taxa  Selic em 13,75% ao ano.

“O pessoal simplesmente tira o dinheiro das gestoras de fundos de ações e multimercados e coloca no Tesouro Direto”, afirma. “Quando os juros caírem esses investidores voltam. Não tem a ver com a competência da gestão.”

  • Veja também: Os caminhos para o investidor de fundos com patrimônio em queda livre

A Selic mais alta também dificulta os ganhos com ativos de risco, já que as empresas passam a lidar com despesas financeiras maiores, que reduzem os lucros. Além disso, a régua do benchmark CDI fica mais alta – em outras palavras, competir com a renda fixa se torna mais difícil. “Quando a Selic estava em 2% era a festa dos fundos, porque qualquer um batia o CDI. Em 13,75%, é preciso ralar pra bater o CDI”, diz Goulart.

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O fundo Adam Macro, por exemplo, ganhou do CDI no acumulado de maio de 2016 a dezembro de 2021, com um retorno de 56,48%, contra uma taxa CDI de 45,32%. De janeiro de 2022 até agora, esse cenário se inverteu, após o resultado de -3,35% em 2022.

Em 2023, no entanto, a alta até abril é de 4,42%, frente a um CDI de 4,20%. No total (maio de 2016 a abril de 2023), a aplicação rendeu 57,91% aos cotistas, enquanto na renda fixa o retorno seria de 70,18%.

O Zarathustra, criado em 2012 pela Giant Step, não conseguiu bater o CDI pela primeira vez no ano passado. A aplicação reportou um retorno de 9,09%, versus um CDI de 12,37%. Em 2023, a aplicação está no zero a zero.

Isso não significa que retirar dinheiro do fundo quando este não consegue bater o CDI seja uma boa ideia. “As pessoas tem um viés natural de ‘querer fazer alguma coisa’ (quando os rendimentos caem), mas o melhor e mais efetivo para ter ganhos no longo prazo é ficar ‘parado’, não mexer na carteira”, afirma Erik Sala, especialista em investimentos da DVInvest.

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Procurados, Adam Capital e Giant Steps não responderam às solicitações do E-Investidor até a publicação desta reportagem. JP Morgan preferiu não se pronunciar.

  • Leia mais: conheça o gestor de fundo mais famoso do País

Veja a lista completa:

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