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Investimentos

Inflação alta faz investidores voltarem ao Tesouro Direto em 2021

As compras de títulos superam os resgates em R$ 565,4 milhões no acumulado do 1º semestre do ano

Celular exibe aplicativo do Tesouro Direto na PlayStore
Tesouro Nacional oferece simulação de investimentos em título de renda fixa baseado em estimativas. (Foto: Shutterstock/Brenda Rocha - Blossom/Reprodução)
  • O volume de operações com títulos públicos atingiu R$ 14,1 bilhões no 1º semestre deste ano. O número de vendas de títulos também superou os resgates em mais de R$ 500 milhões
  • O novo ciclo de alta dos juros impulsiona a volta dos investidores ao Tesouro Direto, assim como a preocupação com a alta da inflação - motivo pelo qual os títulos indexados à inflação são os favoritos dos investidores no ano
  • No cenário de eleições, o Tesouro Selic é o mais indicado, uma vez que o estresse com os ruídos políticos pode afetar as taxas prefixadas do Tesouro IPCA+ e dos títulos prefixados

Apesar da continuidade da pandemia de covid-19, a conjuntura econômica no Brasil ganhou contornos diferentes em 2021. O Tesouro Direto, que ficou em segundo plano no ano passado com a queda da Selic (taxa de juros básica da economia) para a mínima histórica de 2%, retornou aos holofotes. Hoje há 2,3 milhões de investidores a mais do que em 2020, um patamar de 11,5 milhões de cadastros.

Somente no 1º semestre deste ano, o volume de operações com títulos públicos atingiu R$ 14,1 bilhões, um salto de 3,92% em relação ao mesmo período de 2020. Em junho, essas negociações atingiram a segunda melhor marca da história para o mês e somaram R$ 2,3 bilhões.

“Ano passado, o Copom (Comitê de Política Monetária) já havia dado sinais de aumento de juros”, diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos. “Ao ver notícias sobre a correção de juros, as pessoas naturalmente buscam posições mais conservadoras.”

O retorno dos investidores ao Tesouro Direto fica ainda mais claro no saldo de vendas líquidas, isto é, nas compras de títulos menos os resgates realizados. Na primeira metade de 2021, as emissões superaram as retiradas em R$ 565,4 milhões. O cenário é bem diferente do que foi desenhado em 2020, quando o inverso aconteceu e houve retirada líquida de R$ 41,20 milhões no período. Em 2019, o montante dos seis primeiros meses também ficou negativo em R$ 11,5 milhões.

É importante lembrar que com as expectativas de inflação mais baixa, a Selic caiu de 6,5%, no início de 2019, para 2% em 2020. De acordo com Renato Pascon, CIO de renda fixa e multimercados da Franklin Templeton, o cenário dos últimos dois anos alimentava o apetite ao risco, ou seja, direcionava os investidores para a renda variável.

“Os títulos do Tesouro Direto estavam com as taxas mais baixas também. Um papel de cinco anos, por exemplo, estava remunerando perto de 4% ou 5% ao ano. Isso influenciou muita gente a sair do Tesouro. Quando as taxas caem, o preço pago pelos papéis (emitidos antes com um prêmio maior) sobe. Quem tinha estoque conseguiu resgatar por um preço maior”, afirma.

A partir de março de 2021, o Copom passou a elevar a Selic, hoje em 4,25%. A expectativa é que a taxa chegue ao fim do ano aos 7%, de acordo com as projeções do Boletim Focus, do Banco Central. “O juro de cinco anos está a 9% dependendo do dia, então ficou muito mais atrativo. Até mesmo quem estava em Bolsa, que subiu bastante no auge da crise, talvez esteja um pouco mais preocupado agora com os riscos econômicos. Assim, os investidores começam a voltar para o Tesouro”, diz Pascon.

Inflação é a preocupação principal

Além da alta dos juros, que torna investimentos conservadores mais atrativos, a preocupação com a inflação também entra no radar. Se entre 2019 e 2020, o Tesouro Selic (título indexado aos juros) foi disparado o papel favorito dos investidores do Tesouro Direto, este ano os indexados à inflação (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com juros semestrais) roubam a cena.

O Tesouro IPCA foi o mais negociado em todos os meses do 1º semestre de 2021. “O estoque do Tesouro IPCA está em cerca de 50% dos títulos públicos do Tesouro e o Tesouro Selic em 25%”, ressalta Paulo Moreira Marques, gerente de Relacionamento Institucional da Secretaria do Tesouro Nacional.

Os números ressaltam o movimento de investidores em busca de proteção do patrimônio contra o aumento da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O indicador disparou 8,35% entre junho de 2020 e junho de 2021, na maior alta dos últimos cinco anos para um período de 12 meses.

Com isso, o IPCA se afasta do centro da meta estabelecida pelo Banco Central para 2021, de 3,75%, e atinge em cheio o bolso das famílias. “Nesse período houve um aumento de poupança na sociedade como um todo, com primeiro as pessoas indo para a Bolsa e depois para o Tesouro, à medida que os juros aumentavam. Além da proteção contra a inflação, via Tesouro IPCA+”, afirma Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Research.

Para a especialista em renda fixa, os indexados à inflação devem continuar como favoritos no 2º semestre. “Há uma preocupação porque os índices de preço mostram que a inflação que se pintava como temporária, se tornou mais permanente”, afirma Fontes. “Provavelmente fecharemos o ano com a inflação bem alta, acima de 6%, e isso faz com que os investidores procurem seguro. Apesar de ser um pouco tarde para isso, é como procurar seguro do carro quando ele já bateu.”

A estratégia ideal seria que os investidores buscassem o Tesouro IPCA+ no ano passado, quando o Banco Central desceu a Selic para 2% e a inflação ainda não tinha dado as caras. Segundo a especialista, quem compra os títulos agora está pagando mais caro para realizar a proteção.

“Hoje você compra uma inflação a 4,6%, quando a meta de inflação para os próximos anos é 3,25%”, afirma Fontes. Isso significa que os títulos IPCA+ estão mais caros atualmente do que os emitidos em 2020, quando as expectativas para a inflação eram menores.

Por outro lado, Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office, destaca que os ‘prêmios’ pagos pelo Tesouro IPCA+ estão bem mais interessantes do que os oferidos no cenário internacional. Isso porque esses papéis possuem um componente prefixado, ou seja, uma taxa fixa a ser paga além da variação da inflação. Hoje, essa taxa fixa flutua entre 3,89% a 4,43%.

“Quando você compara com o CDI (taxa próxima à Selic) corrente, o carrego dos títulos indexados à inflação está bem mais interessante, por isso o aumento dessa demanda”, afirma Gibertoni. “Nesse nível de prêmio, vemos bastante atratividade para esses títulos."

Na visão de Adriano Germenink, especialista de estratégia da Ágora Investimentos, o movimento é natural. “As pessoas estão notando o aumento dos preços no dia a dia. Principalmente nos supermercados e no setor de serviços, que tiveram uma evolução considerável. Portanto, buscar alternativas atreladas à inflação vai permitir que o investidor preserve poder de compra e ainda obtenha um juro real (no componente prefixado)”, diz.

Eleições à vista

Com os ruídos políticos relacionados a possíveis rupturas institucionais e a corrida eleitoral em 2022, o investidor do Tesouro Direto deve se preparar para volatilidade nos próximos meses. Nesse contexto, o Tesouro Selic é recomendado como o ativo mais seguro, já que não é tão afetado pela variação das condições econômicas como os prefixados (títulos que já têm os juros acordados no momento da compra).

“Se tivermos alteração na política econômica, ou discussões sobre mudanças dessas políticas, o mercado não vai gostar e vai penalizar as taxas de juros, levando elas para cima. Ou seja, os prefixados e IPCA+ (com componentes prefixado)”, afirma Fontes, da Nord Research. “Um pós-fixado em momento pré-eleitoral dá uma boa dose de conservadorismo ao patrimônio.”

Vale lembrar que as taxas prefixadas variam conforme as perspectivas econômicas. Logo, quando o risco-Brasil aumenta, as expectativas para os juros sobem e os prêmios pagos pelos prefixados e os componentes prefixados do Tesouro IPCA+ sobem junto.

“Existe um medo gigante com o cenário político em várias frentes, como essas ameaças antidemocráticas. Também existe o temor em relação a uma guinada populista do presidente Jair Bolsonaro para segurar sua popularidade”, afirma Pascon, da Franklin Templeton. “Isso causa o efeito direto nos títulos, que ficam com taxas mais altas e mais atrativos para quem quer comprar. Entretanto, isso representa um prejuízo para quem já comprou. Principalmente para quem tem prefixados e Tesouro IPCA+.”

Mudanças

O processo de financial deepening (aprofundamento financeiro) também tem contribuído para atrair mais investidores para a Bolsa e para o Tesouro Direto. Segundo Marques, da Secretaria do Tesouro Nacional, o número de investidores que acessam o programa com aportes menores tem crescido nos últimos anos.

“Mais de 66% das operações feitas no mês são com valores abaixo de R$ 1 mil. Isso mostra que o programa vem se democratizando bastante e cada vez mais atinge a parcela mais jovem da sociedade”, diz Marques. “Temos conseguido atrair as pessoas que realmente estão saindo da Poupança e procurando um investimento tão seguro quanto. A participação das mulheres também está em movimento ascendente.”

Vinícius Brancher, superintendente de relacionamento com a pessoa física da B3, destaca as novas iniciativas para modernizar ainda mais o Tesouro Direto. “Em setembro faremos liquidação em D+0 (resgate do dinheiro no mesmo dia). Equiparamos ainda mais o Tesouro com o tipo de liquidação da Poupança e alguns CDBs”, afirma. “No ano passado, com as quedas constantes na Selic, isentamos as aplicações até R$ 10 mil reais para os investidores que compram Tesouro Selic.”

Os especialistas são unânimes em afirmar que o Tesouro Direto deve continuar atraindo investidores nos próximos anos, até porque a tendência é que os brasileiros estejam cada vez mais antenados no mercado financeiro. Um outro ponto é que não só as pessoas físicas continuarão a procurar títulos públicos, mas a expansão de outras aplicações, como fundos de investimento multimercados (que também investem em títulos), contribuirão para a alta do programa do Governo.

“Temos mais pessoas físicas nos fundos imobiliários, mais pessoas na Bolsa e, também, no Tesouro Direto, até porque os ativos (de renda fixa) não serão tributados na reforma, então a competitividade deles aumenta mais ainda”, explica Franchini. “É uma tendência de alta. O brasileiro aprendeu com a crise econômica que precisa de reservas, com rendimentos juntos.”

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