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Investimentos

ISA Energia (ISAE4) vale a pena após 4T25? XP e Genial reforçam cautela mesmo com execução sólida

Avanço operacional, controle de custos e investimentos recordes reforçam a tese defensiva; veja as recomendações e os preços-alvo

Por Isabela Ortiz

25/02/2026 | 10:14 Atualização: 25/02/2026 | 11:39

ISA Energia Brasil registrou Ebitda de R$ 854 milhões no 4T25 e manteve ciclo de investimentos elevado, mas analistas veem retorno limitado para a ação no curto prazo. (Foto: Adobe Stock)
ISA Energia Brasil registrou Ebitda de R$ 854 milhões no 4T25 e manteve ciclo de investimentos elevado, mas analistas veem retorno limitado para a ação no curto prazo. (Foto: Adobe Stock)

A ISA Energia (ISAE4) apresentou resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) em linha com as expectativas do mercado, combinando avanço operacional, disciplina de custos e um novo recorde de investimentos. Ainda assim, os números não foram suficientes para convencer as principais casas de análise de que há espaço relevante para valorização das ações no curto prazo.

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Tanto a XP Investimentos quanto a Genial Investimentos reforçaram postura cautelosa ao analisar se a ação ISAE4 vale a pena após o 4T25, citando retorno real considerado neutro, aumento da alavancagem em meio ao ciclo de expansão e ausência de prêmio em relação aos títulos públicos.

Para a XP Investimentos, o desempenho operacional ficou “amplamente em linha” com as estimativas. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 854 milhões, 2% abaixo da projeção da casa. A diferença, segundo os analistas, decorreu principalmente de uma redução pontual nas parcelas de ajuste (PA) e variável (PV) da receita do trimestre, com impacto estimado em R$ 52 milhões. A casa manteve recomendação neutra para ISAE4, com preço-alvo de R$ 25,90 por ação.

Já a Genial Investimentos manteve recomendação de manter, avaliando que, embora o trimestre tenha reforçado pilares centrais da tese – como a previsibilidade da Receita Anual Permitida (RAP), a execução consistente do pipeline greenfield (lista de projetos novos) e a continuidade da política de proventos –, o papel segue negociando sem potencial de valorização relevante frente ao preço-alvo da casa.

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XP: números em linha e reação neutra

Do lado positivo, as despesas com pessoal, material, serviços e outros (PMSO) vieram 10% abaixo do esperado, ajudando a compensar a frustração na linha de receita.

“No geral, esperamos uma reação neutra do mercado financeiro aos números divulgados”, afirma a XP.

O lucro líquido reportado, de R$ 329 milhões, também ficou abaixo das estimativas da corretora, reflexo de diferenças no reconhecimento de benefício fiscal diferido relacionado a juros sobre capital próprio (JCP), parte do qual já havia sido apropriado no terceiro trimestre de 2025 (3T25).

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Apesar disso, a XP destaca pontos que podem alterar estruturalmente sua visão. O controle de custos, evidenciado pelo PMSO abaixo do projetado, pode levar a revisões nas estimativas caso esse nível de eficiência se mostre recorrente. Já os ajustes de PA e PV foram classificados como pontuais, sem impacto estrutural nas projeções de receita.

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Pelos cálculos da XP, a companhia negocia a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 5,7%. O cenário-base considera que a empresa seguirá arcando integralmente com os pagamentos relacionados à disputa com a Secretaria da Fazenda (Sefaz) sobre pensões de funcionários aposentados. Uma eventual decisão favorável poderia representar vetor adicional de alta.

A corretora também chama atenção para os próximos leilões de transmissão, alertando que lances excessivamente agressivos podem afetar a percepção de disciplina de capital.

Genial: melhora operacional, mas sem potencial de alta

A receita líquida regulatória total atingiu R$ 1,12 bilhão no 4T25, queda de 3,1% na comparação anual. O recuo foi pressionado principalmente pela redução do componente financeiro da Rede Básica do Sistema Existente (RBSE), após decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em junho de 2025, além da trajetória decrescente da RAP de operação e manutenção definida na Revisão Tarifária Periódica (RTP) e de ajustes contábeis relacionados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Em contrapartida, a receita líquida ex-RBSE (exclui os efeitos financeiros associados à indenização da rede básica) cresceu 2,4% em relação ao ano anterior, para R$ 656,2 milhões. O avanço refletiu a entrada em operação de novos ativos, como Água Vermelha (SP), Riacho Grande (SP) e o bloco 1 de Piraquê (MG/ES), além do reajuste inflacionário da RAP, de 5,3%.

“Apesar de ruídos regulatórios e ajustes pontuais, a expansão da base de ativos tende a compensar efeitos negativos temporários ao longo do ciclo”, avalia a Genial.

A casa destaca que o modelo de transmissão, baseado em contratos de longo prazo indexados à inflação, sustenta a rentabilidade mesmo em ambientes regulatórios mais desafiadores.

Investimentos recordes e alavancagem sob controle

O trimestre marcou um novo recorde de investimentos, com capex (despesas de capital) de R$ 1,70 bilhão no 4T25, alta de 31,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, os investimentos somaram R$ 5,1 bilhões, concentrados em projetos greenfield, reforços e melhorias. A companhia ainda possui R$ 12,3 bilhões em investimentos autorizados até 2030, o que reforça a visibilidade de crescimento da RAP nos próximos ciclos tarifários.

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Segundo a Genial, esse ciclo de investimentos representa o principal vetor de criação de valor da companhia, embora implique aumento da dívida no curto prazo. A dívida líquida alcançou R$ 14,1 bilhões, refletindo captações recentes para financiar a expansão. Ainda assim, a casa avalia que a alavancagem permanece compatível com o perfil do setor de transmissão, caracterizado por receitas previsíveis e contratos de longo prazo.

O resultado financeiro foi negativo em R$ 354,7 milhões, impactado pelo maior custo da dívida em um ambiente de juros elevados. Já o lucro líquido regulatório somou R$ 482,7 milhões no trimestre, queda de 40,4% na base anual, influenciada principalmente pela normalização de efeitos tributários positivos observados no ano anterior e pelo aumento das despesas financeiras.

Dividendos e atratividade relativa

No campo da remuneração ao acionista, o Conselho de Administração da Isa Energia aprovou o pagamento de R$ 495 milhões em JCPs (R$ 0,7517 por ação), além de R$ 279,3 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,423933 por ação. Os valores serão pagos em três parcelas iguais, com início previsto para 29 de abril.

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Para a Genial, o papel oferece rendimento implícito de 2,5% apenas considerando o JCP anunciado. Ainda assim, pondera que a ação negocia a uma TIR real (retorno estimado acima da inflação) de 6,8%, “sem qualquer prêmio em relação aos títulos do Tesouro Direto“, o que limita o potencial de valorização no cenário atual.

Consenso: execução sólida, mas prêmio limitado

Em comum, XP e Genial reconhecem a execução operacional consistente da ISAE4, marcada pelo avanço da fila de projetos, pela disciplina de custos e pela previsibilidade da RAP.

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No entanto, ambas convergem na avaliação de que, aos preços atuais, a ação da ISA Energia após o 4T25 embute um retorno real considerado neutro, sem prêmio relevante frente às alternativas de renda fixa. Assim, mantêm postura cautelosa, com recomendação neutra ou de manutenção, à espera de catalisadores adicionais (como um desfecho favorável em disputas regulatórias ou maior disciplina nos próximos leilões) que possam destravar um novo ciclo de valorização.

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