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Investimentos

Por que o mercado financeiro encomenda pesquisas eleitorais?

Especialistas dizem que investidor deve utilizar as projeções para não ficar tão exposto ao risco na Bolsa

Por E-Investidor

17/06/2022 | 10:13 Atualização: 17/06/2022 | 10:13

Acompanhar as pesquisas presidenciais é fundamental para que o investidor baseie os seus movimentos na bolsa. Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE
Acompanhar as pesquisas presidenciais é fundamental para que o investidor baseie os seus movimentos na bolsa. Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

(Abel Serafim e Daniel Reis) – Acompanhar as pesquisas presidenciais durante o período eleitoral é imprescindível para que o investidor oriente seus movimentos na Bolsa. Afinal, a agenda do candidato vencedor influenciará não apenas as questões políticas do País, mas o rumo da economia. Por isso, é comum empresas e grandes nomes do mercado financeiro participarem do debate eleitoral, seja por meio da promoção de sabatinas com candidatos seja via encontros reservados com políticos e levantamentos de cenários.

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Na última semana, a XP Investimentos virou centro de polêmica após alterar a periodicidade da sua pesquisa de intenção de voto para presidente. Antes divulgadas semanalmente pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), o estudo agora será publicado uma vez por mês.

A mudança ocorreu após apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, pressionarem a corretora por discordarem do levantamento, que mostrava Lula (PT) à frente do atual chefe do executivo e com um índice maior de eleitores que atribuíram a ele a característica de “honestidade”.

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Uma pesquisa que já estava pronta para ser divulgada ainda teve o registro cancelado.

Em nota, a XP afirmou “contratar diversos tipos de pesquisas de diferentes institutos com o intuito de auxiliar seus clientes a tomarem as melhores decisões sobre investimentos”. Além disso, a empresa afirmou que as novas pesquisas terão o número de entrevistas ampliado em relação aos levantamentos anteriores.

As pesquisas e os investidores

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, diz que é de extrema importância utilizar as projeções para não ficar tão exposto ao risco. Ele afirma que, para o investidor da bolsa brasileira, não será possível deixar de sentir a oscilação que a eleição proporcionará, mas as pesquisas podem servir como guia para alterações na carteira na busca por um melhor desempenho.

“É importante a gente se informar para compreender e traçar um estratégia bem objetiva. Fazer uma gestão de risco dos seus próprios ativos é fundamental, ainda mais em um ambiente em que a incerteza é preponderante”, recomenda.

A indicação do economista-chefe é fugir de setores que possuem maior potencial de serem afetados, como o educacional, caso o petista continue na liderança da pesquisa. Ele menciona que, enquanto Lula defende um estado grande, com a parte educacional com universidades públicas federais muito fortes, Bolsonaro entende que esse espaço pode ser ocupado pela iniciativa privada.

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“É uma diretriz econômica entre os dois principais candidatos, que é completamente antagônica. Isso faz com que o preço de empresas associadas ao setor educacional fiquem extremamente voláteis”, afirma Sanchez. Para isso, assim como acompanhar os levantamentos, é necessário estudar os planos de governos dos candidatos.

De acordo com Leandro Petrokas, diretor de Research e sócio da Quantzed, empresa de tecnologia e educação para investidores, outro fator a ser observado é um eventual crescimento da terceira via em torno de algum nome fora do radar nas pesquisas, como a Simone Tebet (MDB) ou outro candidato “diferente”, o que pode “fazer preço” no mercado.

“Temos que ter em mente que eleições são um organismo vivo. Caso algum candidato desponte tendo chance, esses pontos também devem ser observados”, pontua Petrokas, que diz ainda temer que atitudes dos líderes das pesquisas acabem influenciando negativamente a economia.

Por um lado, Petrokas pontua que o discurso “muito populista” de Lula, tendendo para a origem sindical do PT, pode sinalizar um descontrole fiscal maior. “O mercado não enxerga com bons olhos uso de estatais e bancos públicos em prol de programas pró-população”, diz o economista.

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Em relação ao atual presidente, o questionamento do sistema eleitoral e das urnas causa desconfiança, diz Petrokas. “Se ele quiser mudar o sistema eleitoral, colocar voto impresso ou qualquer coisa em um tom mais radical, isso também pode gerar um ambiente de incerteza que não é bom para os ativos brasileiros”, diz.

O sócio da BRA, João Beck, por sua vez, entende que as preocupações do mercado com as eleições deste ano estão menores se comparadas com os pleitos passados. De acordo com ele, a situação ocorre porque os candidatos que lideram as pesquisas, Lula e Bolsonaro, já são conhecidos na figura de presidentes do País.

Em sua visão, o investidor deve entender que campanhas são carregadas de ruídos e euforia. “Tomar decisões de investimento baseadas em campanha política é a receita pro desastre. Em campanhas os candidatos falam com os extremos políticos da população, mas governam para o centro, são duas coisas bem diferentes”, pontua Beck.

Ainda assim, as incertezas do período eleitoral devem contaminar o Ibovespa. “No ano eleitoral, o nível de incerteza aumenta, deixando o ambiente cada vez mais volátil. A escolha de um presidente novo implica em mudanças na condução do País, afetando economicamente e politicamente”, diz o CEO da Philos Invest, Rafael Marques.

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Apesar disso, Marques aponta que variáveis como a inflação global, o movimento de alta de juros, o lockdown na China e a guerra entre Rússia e Ucrânia fazem com que o risco eleitoral seja “diluído entre outros vetores”.

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