Poucos brasileiros aproveitaram a alta da Bolsa brasileira dos últimos 12 meses. (Imagem: Adobe Stock)
Poucos brasileiros aproveitaram a alta de quase 50% da Bolsa brasileira dos últimos 12 meses. O forte fluxo de recursos externos, especialmente neste início de ano, mostrou que o estrangeiro aproveitou para comprar barato, enquanto o local continuou com pouca ou nenhuma alocação.
“Pouca gente ganhou essa subida da Bolsa”, afirmou Juliano Custódio, presidente da EQI Investimentos e entrevistado do Capital Insights, programa da Broadcast em parceria com o CNN Brasil Money, que vai ao ar hoje, às 19h.
“Falávamos para os clientes pensarem em comprar Bolsa, mas eles preferiam ganhar 15% a 18% na renda fixa e não correr o risco da renda variável”, disse Custódio, acrescentando que ainda há boas oportunidades na Bolsa e que o dinheiro dos estrangeiros não deve ir embora.
“Brasil ainda está barato”, disse o fundador da assessoria ligada ao BTG Pactual, com sede em Balneário Camboriú, R$ 54 bilhões sob assessoria e mais de 80 mil clientes.
Ruído político
Custódio afirma que 2026 será pautado pelas eleições no Brasil, que os “ruídos políticos” confundem o investidor e, muitas vezes, emperram os investimentos. “O Brasil tem tudo para ser destino de dinheiro, mas precisamos reduzir o ruído político”, afirmou o presidente e fundador da EQI.
A guerra contra o Irã traz incerteza para o investidor mas, por outro lado, tira o foco dos ruídos políticos, que reduzem o apetite a risco doméstico. “Quanto mais confusão fora, melhor para Brasil”, disse.
Selic
Embora aposte que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa não vai demorar para acabar, Custódio percebe a pressão inflacionária como um problema para os países, inclusive para o Brasil. Ele afirma que está menos confiante na redução dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem. “Se vier, um corte de 0,25 ponto porcentual já anima o mercado”, disse.
“Fiz o pior negócio”
A migração da XP para o BTG Pactual alavancou a EQI Investimentos, que cresceu exponencialmente e agregou novas verticais de negócios, como a corretora de valores mobiliários. Olhando para trás, porém, Custódio lamenta que tenha sido pioneiro no forte movimento de aquisições observado entre os anos de 2020 e 2021, porque acabou vendendo barato uma parte de sua empresa.
“Fiz o pior negócio de todos, porque os negócios seguintes saíram com valores bem mais altos. Ainda assim, estou superfeliz”, afirmou Custódio.
O empresário afirma que não está fácil encontrar assessores de investimento e que, por isso, a EQI prioriza treinar do zero quem planeja ingressar na profissão em vez de procurar e contratar bons profissionais. “90% da nossa equipe é formada ‘em casa'”, disse Custódio.
Para a área de “vendas” da assessoria, Custódio afirma que o perfil mais adequado ao modelo de trabalho da EQI é o “engenheiro”. Isso porque a empresa estruturou processos de trabalho e um sistema de gestão de relacionamento (CRM, na sigla em inglês) que exigem disciplina e aderência para registrar múltiplos dados do cliente.
“Acho mais fácil ensinar um engenheiro a se comunicar bem com o cliente do que ensinar a uma pessoa que se comunica muito bem a se adequar ao nosso processo”, disse Custódio, que é engenheiro elétrico de formação.
Culpa no distribuidor
Sobre a crise do Master e os efeitos sobre a indústria de investimentos, o empresário argumenta que estão querendo “colocar a culpa” no distribuidor pelo rombo causado pela liquidação do banco. A instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, detido em presídio federal, emitiu bilhões de reais em CDBs baseados em uma balanço patrimonial fraudulento.
“O Banco Central demorou para atuar. Faltou ‘desligar’ o banco Master antes”, disse.
Custódio argumenta que o Master oferecia o CDB com rating conferido por agência de classificação de risco e que o investidor demandava o produto.
A entrevista completa do programa Capital Insights está disponível em seu terminal Broadcast+, na aba Broadcast TV.