A decisão do Banco Central (BC) brasileiro interrompe um ciclo de aperto que vinha desde setembro de 2024 e já era esperado pela maior parte do mercado financeiro. Ainda assim, havia incerteza sobre a magnitude. Conforme a XP, apenas 22% dos gestores apostavam em um corte mais moderado de 0,25 ponto porcentual – justamente o que se confirmou.
A curva de juros indica uma Selic ligeiramente abaixo de 14% no fim de 2026, com cortes graduais e uma taxa terminal ao redor de 13,40% em 2027. “O corte de 0,25 p.p. tem impacto limitado nos preços de mercado”, avalia a XP, já que esse movimento já estava amplamente incorporado nos ativos.
Quanto rendem R$ 10 mil com a Selic a 14,75%?
Com a taxa ainda em patamar elevado, a renda fixa segue oferecendo retornos atrativos, especialmente em aplicações pós-fixadas, que acompanham o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – e, por consequência, a Selic.
Em simulação da XP, considerando um investimento inicial de R$ 10 mil e a Selic estável em 14,75% ao longo do tempo, os resultados mostram diferenças relevantes entre os produtos.
Em 1 ano
Em 3 anos
- Poupança: R$ 12.260,60;
- Tesouro Selic: R$ 14.269,76;
- CDB: R$ 14.268,13;
- LCI/LCA: R$ 14.180,46.
Em 5 anos
- Poupança: R$ 14.044,92;
- Tesouro Selic: R$ 18.293,12;
- CDB: R$ 18.265,03;
- LCI/LCA: R$ 17.915,30.
Os números deixam claro que, mesmo com a queda dos juros, produtos atrelados ao CDI continuam bem à frente da poupança, principalmente no longo prazo. Isso acontece porque a poupança tem regras próprias de rendimento, limitadas pela taxa referencial (TR) e por um porcentual da Selic, enquanto outros ativos capturam de forma mais direta o nível elevado da taxa básica de juros da economia.
O que fazer agora?
Apesar do início do ciclo de cortes, o cenário ainda favorece a renda fixa. A XP Investimentos tem uma visão “construtiva” para a classe de ativos, destacando que os juros continuam em dois dígitos, o que sustenta bons retornos.
A casa aponta que títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+) seguem atrativos, já que oferecem taxas reais elevadas. Para quem busca liquidez e menor risco, os pós-fixados se apresentam como boas alternativas. Já nos prefixados, a preferência é por vencimentos intermediários, enquanto no crédito privado a recomendação é de cautela e seletividade.
Mesmo com a Selic em trajetória de queda, o investidor ainda encontra um ambiente bastante favorável na renda fixa, mas com diferenças importantes entre produtos e prazos.