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Investimentos

Nova era Trump? Veja setores para investir e evitar conflitos na carteira

Primeiras ações do presidente pressionam ESG e comércio agrícola e favorecem óleo & gás e indústria de base

Por Leo Guimarães

21/01/2025 | 11:17 Atualização: 21/01/2025 | 11:35

Donald Trump. Foto: Agência Brasil /Alan Santos
Donald Trump. Foto: Agência Brasil /Alan Santos

A posse de Donald Trump nos EUA, na segunda-feira (20), marca o início de uma nova era política e econômica que pode afetar diretamente os investimentos no Brasil e no mundo. Com foco em desregulamentação, protecionismo e revisões no comércio internacional, as primeiras ações do presidente pressionam temas como ESG e comércio agrícola, enquanto favorecem áreas como óleo e gás e indústria de base.

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Especialistas apontam riscos de deslocamento na demanda chinesa por produtos brasileiros e o esvaziamento de pautas climáticas globais, o que deve exigir atenção redobrada dos investidores para adaptar suas estratégias.

A estrategista chefe do Banco Inter, Gabriela Joubert, diz que segmentos historicamente ligados a processos de desregulamentação, como o financeiro, já apresentam sinais de retomada. “Os resultados dos grandes bancos divulgados na semana passada confirmam o otimismo de investidores com a flexibilização regulatória, algo que deve ganhar tração no novo governo”, aponta a especialista em relatório.

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Por outro lado, a agenda ESG (ambiental, social e de governança, em inglês), que vinha ganhando força globalmente, tende a perder espaço. Para Joubert, o retrocesso em energia renovável é evidente, com Trump voltando o foco para investimentos em petróleo e gás natural. Isso coloca em xeque empresas altamente expostas a energia limpa, ao mesmo tempo que beneficia a indústria petroleira e setores como siderurgia e automotivo, “ambos mencionados em seu discurso”, comenta.

Segmentos ligados a defesa, como o aéreo, tecnologias voltadas a radares e armamentos também devem ganham impulso, a partir do discurso em favor da defesa nacional dos EUA.

Risco do deslocamento do comércio agrícola

Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, vê que, para o Brasil, o impacto é o esvaziamento da COP 30 em Belém, que perdeu relevância frente à mudança de prioridades americanas, com foco em combustíveis fósseis e redução do apoio a pautas climáticas globais.

Não está descartada, também, o recrudescimento da inflação, exigindo juros elevados por mais tempo. “Setores sensíveis a juros, como consumo, small caps e imobiliário, podem sofrer maior pressão”, avalia Joubert. A deportação em massa poderia impactar indústrias dependentes de mão de obra menos qualificada, como agricultura e a construção, elevando custos no setor e comprimindo margens das empresas, nos EUA.

Ele alerta, ainda, sobre o risco de deslocamento do comércio agrícola. “A aproximação entre Trump e Xi Jinping sugere uma negociação em que a China pode ampliar as compras de produtos agrícolas americanos, como ocorreu no primeiro mandato. Isso significaria um impacto direto no Brasil, cujo mercado chinês representa 30% de suas exportações”, diz o economista.

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Leal se refere a movimentos recentes na relação de Trump com  Xi Jinping. Na semana passada, os dois realizaram uma conversa telefônica “muito boa”, marcando o retorno de um diálogo direto entre os dois líderes em um momento tenso nas relações EUA-China. A conversa abordou temas como comércio, fentanil e o TikTok, com ambos manifestando otimismo sobre uma cooperação futura que poderia beneficiar os dois países.

Nesta segunda (20), Trump assinou ordem executiva para que o procurador-geral dos EUA não tome nenhuma ação pelo banimento do TikTok no país por 75 dias. O presidente já manifestou interesse em firmar acordo para que o mercado americano tenha metade da operação da rede social privada de origem chinesa.

De olho na inflação e desregulamentação

Leal, observa, no entanto, que a inflação está no radar do novo presidente americano, destacando que, embora neste primeiro momento Trump não tenha enfatizado as tarifas, elas permanecem centrais em sua política econômica.

“A criação da ‘receita federal das tarifas’ e o decreto de emergência energética mostram que os primeiros passos já estão sendo dados”, diz. Essa estratégia busca mitigar os impactos inflacionários do aumento das tarifas numa reação às  medidas  favorecem a produção doméstica de energia.

A presença dos grandes líderes do setor de tecnologia ao evento de posse também chamou atenção de especialistas, mostrando maior proximidade de Trump com o setor cujas empresas buscam benesses prometidas a outros segmentos, em especial relacionadas às políticas que envolvem regulação e desregulamentação.

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Sol Azcune, analista política da XP, destacou em análise para clientes, que poucas horas após sua posse, Trump assinou uma série de decretos revogando 78 políticas implementadas durante o mandato de Joe Biden. Para ela, as primeiras ações do novo presidente americano  apontam para uma era política marcada por ruídos e transformações com amplos reflexos nos mercados globais.

Embora Canadá e México estão no foco imediato da estratégia do governo, a relação com a China e suas implicações para o comércio internacional devem ser monitoradas de perto. “As mudanças significativas na política dos EUA destacam um período transformador.”

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