Tesouro amplia emissão de NTN-B longas e mantém foco em LFTs em meio a incertezas externas e juros elevados (Foto: Adobe Stock)
Os dados recentes dos leilões do Tesouro Nacional indicam mudanças na estratégia de emissão dos títulos. Após um período de volumes mais elevados, as vendas de NTN-B (Tesouro IPCA+) passaram por uma redução e se estabilizaram, em geral entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões por leilão.
Ainda assim, houve picos relevantes, como um volume superior a R$ 20 bilhões em meados de fevereiro. No entanto, trata-se de um dos maiores leilões desde o início das tensões no Oriente Médio — o Tesouro aproveitou uma janela mais favorável de mercado para ampliar a colocação de títulos.
No detalhamento da XP Investimentos sobre as NTN-B, além do aumento de volume, observa-se uma elevação do DV01, indicador que mede o risco de taxa de juros. No leilão mais recente, o DV01 total foi de cerca de R$ 3,40 milhões, refletindo a concentração em papéis mais longos, como os vencimentos em 2037 e, principalmente, 2045.
A oferta foi distribuída entre R$ 0,67 bilhão em NTN-B 2031, R$ 1,31 bilhão em 2037 e R$ 2,14 bilhões em 2045, totalizando aproximadamente R$ 4,12 bilhões.
Maior leilão de NTN-B desde o início da guerra no Oriente Médio. (Fonte: XP Strategy Watch)
Apesar desse avanço nas NTN-B, o destaque absoluto da estratégia recente segue sendo a forte emissão de LFTs (Tesouro Selic). No leilão analisado, o Tesouro ofertou cerca de R$ 19 bilhões em papéis com vencimento em 2032, volume significativamente superior ao das NTN-B.
O histórico de títulos pós-fixados mostra que esses volumes chegaram a superar R$ 35 bilhões em meados de janeiro, antes de se estabilizarem entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões ao longo das semanas seguintes, com nova alta recente próxima a R$ 25 bilhões no início de abril.
Tesouro amplia emissão de NTN-B longas e mantém foco em LFTs (Fonte: XP Strategy Watch)
O Tesouro busca combinar flexibilidade no curto prazo, via papéis pós-fixados, com o alongamento do perfil da dívida por meio de títulos indexados à inflação.