WEG: mesmo com receita pressionada, companhia entrega margens acima do esperado e mantém debate sobre crescimento e valuation em 2026. (Foto: Adobe Stock)
A WEG (WEGE3) divulgou resultado financeiro do período de outubro a dezembro de 2025 (4T25) que era aguardado como o “pior trimestre em uma década”, mas que acabou entregando um desempenho mais resiliente do que parte do mercado esperava. Ainda assim, as leituras das casas de análise mostram nuances importantes entre pressão na receita, surpresa positiva em margens e discussões sobre valuation (valor do ativo).
Para o Itaú BBA, “o tão aguardado pior trimestre em uma década finalmente chegou e… foi melhor do que o esperado”. A casa avalia que o resultado pode desencadear uma reação positiva no curto prazo, após a recente performance mais fraca da ação WEGE3, e até abrir algum risco de alta nas estimativas para 2026.
O banco reforça a recomendação outperform(indicação de compra), com preço-alvo de R$ 50 para o fim deste ano – em linha com a cotação de R$ 50,28 no fechamento desta quarta-feira (25), quando foi publicado o relatório sobre a fabricante de motores e equipamentos.
Na mesma linha de surpresa nas margens, mas com leitura mais cautelosa, a XP Investimentos classificou o trimestre como “neutro”. A casa tem recomendação neutra, preço-alvo de R$ 46,00 e potencial negativo de 8,5% em relação ao último preço. Já a Genial Investimentos manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 62,00 (alta de 23%), embora reconheça ausência de gatilhos de curto prazo.
Receita pressionada por câmbio e fim de projetos
No consolidado, a receita líquida da Weg no 4T25 atingiu R$ 10,2 bilhões, o que representa queda anual (ante 4T24) próxima de 5%. O desempenho foi impactado por uma combinação de fatores: valorização do real (+7,7% ano contra ano), menores contribuições inorgânicas e o encerramento de projetos relevantes em geração solar e eólica.
O Itaú BBA destacou que tal recuo está em linha com suas estimativas e próximas do consenso, ainda que o mercado financeiro estivesse um pouco mais otimista. A XP também apontou receita 2% abaixo de suas projeções, refletindo menores entregas no segmento de geração centralizada e efeitos cambiais. Excluindo aquisições recentes como Volt, Reivax, Heresite e Tupi, a receita da Weg teria recuado ainda mais em termos anuais.
A Genial enfatiza que o principal vetor de pressão foi o mercado interno, que caiu mais de 12% ano contra ano, puxado pelo segmento de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), cuja receita doméstica recuou cerca de 29% com a ausência de novos projetos solares e eólicos. Em contrapartida, o segmento de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) doméstico cresceu, sustentado por demanda em produtos de ciclo curto e manutenção industrial.
No mercado externo, a leitura se mostra mais construtiva. Embora a receita tenha ficado praticamente estável em reais, cresceu em dólar, sinal de que a fraqueza em moeda local decorreu principalmente da valorização cambial. O Itaú observa que a dinâmica de demanda permaneceu saudável em reais, com bom desempenho em ventilação, refrigeração e motores de alta tensão. Já em GTD externo, houve avanço sequencial relevante, especialmente na América do Norte, impulsionado por investimentos em infraestrutura de redes.
O Itaú BBA chama atenção para o fato de que, enquanto seu modelo previa contração de 90 pontos-base na margem Ebitda, houve expansão de 30 pontos-base na comparação anual. A melhora foi atribuída a mix mais favorável, maior participação de negócios de ciclo longo, ganhos de eficiência e produtividade, especialmente nas operações internacionais.
A XP reforça essa leitura ao afirmar que esses fatores “mais do que compensaram os impactos tarifários” no período. Para a Genial, a preservação das margens em um ambiente de câmbioadverso e custos mais altos de matérias-primas, como cobre, mostra resiliência operacional acima do antecipado.
Lucro e retorno sob pressão moderada
O lucro líquido ficou em R$ 1,587 bilhão, com queda anual de6,3%. Apesar disso, o retorno sobre o capital investido (ROIC) permaneceu em patamar elevado – acima de 30% –, ainda que pressionado pela expansão da base de capital. O capex (investimento produtivo) de R$ 814 milhões no trimestre reforça a estratégia de ampliação e modernização de capacidade no Brasil e no exterior.
No que as casas divergem sobre a Weg no 4T25?
O grande ponto de divergência entre as corretoras que analizaram o balanço da Weg no 4T25 está menos no trimestre em si e mais na assimetria para 2026.
O Itaú vê risco positivo para as estimativas do próximo ano, mantendo a ação entre suas principais escolhas. A Genial também enxerga potencial de surpresa positiva no capex, especialmente com cortes de juros favorecendo a retomada industrial nos Estados Unidos e na Europa, com impacto direto sobre a taxa de ocupação de ativos adquiridos recentemente.
Por outro lado, a XP pondera que o crescimento orgânico de curto prazo segue limitado por capacidade e câmbio e que o valuation passou a ser mais questionado após alta acumulada relevante desde outubro. A Genial faz coro ao destacar que, negociando próxima de 30 vezes o lucro projetado para 2026, a ação exige maior visibilidade de crescimento para sustentar múltiplos.
O balanço da WEG (WEGE3) no 4T25 confirma a desaceleração da receita, mas com rentabilidade mais resiliente do que o esperado. No curto prazo, a ausência de aceleração do crescimento limita o espaço para nova avaliação de rating (risco de crédito de uma empresa) relevante. No médio prazo, porém, a tese estrutural permanece intacta, com o debate agora concentrado na trajetória de expansão em 2026 e na capacidade da companhia de justificar os múltiplos atuais.