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Mercado

A Via (VIIA3) vai virar uma ‘penny stock’?

Somente em 2022, a ação amarga uma queda de 45,58%. Em 12 meses, a desvalorização é mais expressiva, de 74,46%

A Via (VIIA3) vai virar uma ‘penny stock’?
Em 2020, a Via foi um dos grandes destaques da Bolsa. Foto: Sérgio Castro/Estadão
  • No fechamento desta quinta-feira (12), os papéis da Via (VIIA3), antiga Via Varejo, estavam cotados a R$ 2,71, o mesmo patamar de seis anos atrás
  • O crescimento do GMV digital (marketplace) também desacelerou em 12 meses. No primeiro trimestre de 2021, houve uma alta de 123,5%. No mesmo período deste ano, ficou em 12%
  • O cenário não lembra, nem de longe, a situação atravessada pela varejista há dois anos. Em 2020, a Via foi um dos grandes destaques da Bolsa

Uma ‘penny stock’ é uma empresa cuja ação na bolsa é negociada por menos de R$ 1. Esse patamar funciona como um limite que, ao ser cruzado, joga a companhia em um limbo. Alcançar essa cotação demonstra que o player pode estar passando por graves problemas financeiros ou que não tem a confiança do mercado.

No fechamento desta quinta-feira (12), os papéis da Via (VIIA3), antiga Via Varejo, estavam cotados a R$ 2,71, o mesmo patamar de seis anos atrás. Somente em 2022, a ação amarga uma queda de 45,58%. Em 12 meses, a desvalorização é ainda mais expressiva, de 74,46%.

No 1° trimestre de 2022, a varejista apresentou baixa de 90% no lucro líquido contábil em comparação ao mesmo período do ano passado. O montante agora está em R$ 18 milhões, contra R$ 180 milhões obtidos um ano antes. A margem de lucro líquida também caiu de 2,4% para 0,2%.

Magazine Luiza (MGLU3) e Americanas (AMER3), pares que também estão na Bolsa, sofrem com a conjuntura macro de juros e inflação altos. Ainda assim, a Via está em uma situação financeira mais delicada frente aos concorrentes. A queda vertiginosa preocupa investidores que mantiveram os papéis na carteira. Afinal, a Via pode virar a ‘nova’ penny stock da Bolsa?

Para Lívia Rodrigues, analista de research da Ativa Investimentos, no médio prazo as perspectivas continuam ruins para a empresa. Sem indícios ainda de arrefecimento da inflação e com eleições presidenciais à vista, a especialista não vê gatilhos de melhora para a companhia.

Por outro lado, ela acredita que os riscos em torno do papel já estão precificados. Isto é, a ação não deve chegar de R$ 1. “A Via tem muita exposição a bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos. Com a redução da renda disponível do consumidor, estes são itens cujo consumo fica muito ‘machucado’”, afirma a analista. “Mantemos nossa perspectiva conservadora tanto para Via, quanto para o e-commerce no Brasil.”

Apesar da queda da lucratividade, que já era esperada, Rodrigues também viu os resultados da Via como ‘mistos’. A analista ressaltou que as vendas ficaram 3% abaixo do projetado pela Ativa. A receita líquida caiu de R$ 7,5 bilhões no 1° trimestre de 2021 para 7,4 bilhões no mesmo período de 2022.

O crescimento do GMV digital (marketplace) também desacelerou em 12 meses. No primeiro trimestre de 2021, houve uma alta de 123,5%. No mesmo período deste ano, ficou em 12%. “Essa parte do resultado consideramos negativa. Mas quando olhamos para a rentabilidade, a margem EBITDA (de 10,2%) veio mais de 1 ponto percentual acima do que eu estava esperando. Eles fizeram uma contenção de gastos muito eficiente e conseguiram entregar uma margem melhor”, diz Rodrigues.

Na análise de Matheus Jaconeli, analista da Nova Futura Investimentos, as ações não devem se recuperar no curto prazo, mas também não deve haver uma pressão que faça a companhia ir abaixo de R$ 1 na Bolsa. “Na minha concepção o resultado veio ruim. Precisamos de mais tempo e mais resultados para aferir se haverá robustez no faturamento dela. A Via ainda passa em um momento em que os custos são elevados, as margens estão espremidas, e isso tem muito relacionado a questão de cenário da empresa”, diz Jaconeli.

Alguns indicadores trazidos por Jaconeli ajudam a entender o posicionamento da Via em relação aos concorrentes. Segundo o especialista, o índice ‘Dívida líquida / EBITDA’ (que mede o endividamento) da companhia é de 17x. Isso significa que a varejista precisaria de 17 trimestres para pagar sua dívida líquida com base na operação. Já Magazine Luiza tem essa relação em 5x.

“Por mais que esse número (17x) tenha diminuído em relação aos últimos meses, ainda é mais de um ano para a empresa pagar a dívida líquida dela”, afirma Jaconeli.

Cerca de 47% da dívida da Via também seria de curto prazo, o que é mais arriscado, enquanto a dívida longa corresponderia a 53%. A concorrente Magalu, que também passa por problemas, tem dívida curta de 8% e longa de 92%, segundo o analista da Nova Futura. “Isso me deixa um pouco preocupado”, diz Jaconeli. “O movimento é igual, mas os fundamentos são muito diferentes. A Magazine Luiza tem muito espaço em relação à Via.”

Outro indicador que gera incertezas é a dívida em relação ao capital. “O capital de terceiros da Via, que praticamente é só dívida, é de mais de 70%. Isso me chama atenção e vejo como um risco muito elevado”, diz. Jaconeli não recomenda entrar nesse momento no papel e vê a conjuntura de curto prazo como volátil.

Para ele, a Via ainda não gerou lucro de modo ‘convincente’ e o diferencial estratégico, que seria a parte logística, não está tão distante do padrão encontrado em outras companhias. “Mas ainda é cedo para falar em virar uma penny stock. Vamos olhar os próximos faturamentos e, aí sim, teremos mais propriedade para falar.”

Ascensão e queda

O cenário não lembra, nem de longe, a situação atravessada pela varejista há dois anos. Em 2020, a Via foi um dos grandes destaques da Bolsa. A maior tendência a compras on-line após o início da pandemia e um cenário macro de juros e inflação em baixa levou o papel a fechar o exercício com valorização de 44,67%, aos R$ 16,16.

Na máxima obtida no período, as ações chegaram a atingir os R$ 22,36. Os resultados consolidados também representaram uma virada: a varejista teve lucro de R$ 1 bilhão naquele ano, versus prejuízo líquido de R$ 1,4 bilhão em 2019. Para efeito de comparação, em 2018 e 2017 o resultado líquido foi de -R$ 267 milhões e +R$ 195milhões.

Os números foram uma chancela para a nova ‘gestão’. No final de 2019, a família Klein (que fundou as Casas Bahia) se tornou acionista de referência da varejista após o Grupo Pão de Açúcar alienar sua participação de 36% na companhia. Sob nova direção, a companhia passou por intensa reestruturação para retomar o caminho da lucratividade.

Somente o empresário Michael Klein chegou a alcançar uma participação de 10,88% das ações ordinárias da então Via Varejo, na esteira das vendas feitas em leilão pelo GPA. “O objetivo de minha aquisição, ora comunicada, foi de incrementar a minha posição de acionista relevante e de referência da companhia”, afirmou o empresário, em comunicado divulgado à época.

De acordo com comunicado enviado pela Via ao E-Investidor, em junho de 2019 a Companhia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar) alienou a totalidade da sua participação no capital social da então Via Varejo S.A. e mais de 35% das ações foram compradas por milhares de investidores individuais.

“De modo que a empresa passou a não ter um controlador definido, caracterizando-se como uma “Corporation”, o que se mantém até hoje, com a Via tendo mais de 400 mil acionistas individuais, principalmente pessoas físicas”, afirma a Via.

Contudo, a inversão da conjuntura macroeconômica teve grande impacto sobre a Via. Desde 2021 a inflação vem acelerando e, com ela, os juros. Atualmente a taxa Selic está a 12,75%, enquanto a inflação medida pelo IPCA já chega a 12,48% em 12 meses (entre abril 2021 e abril de 2022) – uma situação desfavorável ao varejo, principalmente o de produtos não essenciais (como é o caso da Via).

Jaconeli lembra que a reestruturação recente pode explicar os resultados piores em relação aos pares. No ano passado, a empresa também passou por uma reformulação no posicionamento da marca, deixando de ser Via Varejo, para se tornar ‘Via’.

“Esse momento de reestruturação gera muito custo, um custo que a Magazine Luiza não teve, por exemplo. E isso não se elimina de uma hora para outra”, afirma Jaconeli. “Para ganhar mercado, a empresa precisou fazer investimentos, que geram dívida. No e-commerce, a Magazine Luiza está em uma situação mais ‘folgada’.”

Rodrigues aponta que a Via também está mais exposta que os demais a um segmento mais afetado pela inflação. “Ela tem uma exposição maior ao segmento de 1P (vendas feitas a partir do próprio estoque) e, dentro deste segmento, muito mais exposição ainda a bens duráveis”, afirma. “E com juros altos, a Via acaba sendo mais prejudicada que as outras, que são mais expostas ao 3P  (vendas por marketplace) e itens com tíquete médio baixo, como as Americanas.”

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