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Mercado

Joe Biden deve consolidar agenda ESG

Analistas discutem o quanto a gestão do novo presidente americano estará atenta aos temas envolvendo a governança ambiental, social e corporativa

O democrata Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)
O democrata Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)
  • Expectativa é que os democratas adotem uma agenda mais verde, jogando luz sobre as práticas ambientais, sociais e de governança das empresas
  • Para analistas, papéis de companhias que já têm essas práticas no seu DNA ou que investem nelas há algum tempo podem sair na frente
  • É possível que mais empresas se comprometam com boas causas e passem a integrar as carteiras ESG dos investidores

A vitória de Joe Biden e Kamala Harris para a presidência dos Estados Unidos animou o mercado global. Diversas bolsas pelo mundo registraram alta, animadas também com a notícia de avanços nas pesquisas envolvendo vacina contra a covid-19. Os democratas prometem dar uma guinada na política ambiental norte-americana adotada durante a gestão de Donald Trump, derrotado nesta eleição.

A expectativa de uma agenda mais verde por parte da maior economia do planeta joga luz sobre as práticas ambientais, sociais e de governança (que compõem a sigla em inglês ESG) adotadas pelas empresas. Analistas lembram que a pauta já vinha em um movimento de consolidação, mas acreditam que o novo presidente dos EUA pode trazer mais visibilidade ao assunto.

“O Biden se mostrou um candidato mais atento a essas questões e isso tende a elevar a pressão para que o mundo se torne um pouco mais sustentável, sob todos os aspectos”, diz Ricardo França, especialista da Ágora Investimentos.

A pauta ambiental, inclusive, foi um dos pontos-chave da campanha do democrata, que prometeu recolocar os Estados Unidos no acordo climático de Paris, por exemplo. Os EUA haviam abandonado o acordo oficialmente na semana passada, por decisão de Trump.

No Brasil, o meio ambiente tem potencial para se tornar um campo de batalhas. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, apoiador deTrump à reeleição, deu início à relação com Joe Biden com declarações em tom beligerante, na última terça-feira (10). Vale lembrar que, até hoje (13), Bolsonaro não reconheceu oficialmente a vitória do democrata.

“Depois que acabar a saliva, tem que te pólvora. Não precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem”, afirmou Bolsonaro, em relação à fala de Biden sobre o Brasil sofrer consequências econômicas, caso não atue de forma mais firme na proteção da Amazônia.

Com ou sem embates políticos, a agenda ESG é uma realidade e, segundo analistas do mercado, não deverá retroceder. A questão é saber quem irá aderir ao movimento, seja aprimorando as suas boas práticas ou passando a adotá-las daqui para frente.

“As empresas que adotam práticas ESG serão as grandes vitoriosas. As companhias estão dedicando mais tempo, recursos e valores para se encaixarem nas boas práticas. A vitória de Biden deixou ainda mais claro que esta vai ser uma questão cada vez mais importante para o sucesso das empresas no longo prazo”, diz França.

Quais setores ou companhias podem se beneficiar?

Ainda que não seja possível dizer que o papel X ou Y vai crescer com um virtual avanço da agenda ESG, analistas lembram que os papéis de empresas que já têm as práticas no seu DNA ou que já investem nelas há algum tempo podem sair sair na frente.

“A Natura (NTCO3) tem uma agenda bem bacana neste sentido. A Suzano (SUZB3) é de um setor super elogiado, com seu programa ambiental. São exemplos que podem se sobressair”, avalia Pedro Serra, gerente de pesquisa da Ativa Investimentos.

O setor deenergia é outro visto como potencial oportunidade, visto a grande capacidade do País em gerarenergia limpa, em comparação a outras economias que contam com uma matriz energética muito poluente.

“Quem explora isso tende a ter ganhos bastante importantes nos próximos anos. É um setor que pode trazer grande fluxo de investimentos para o Brasil, um país que tem condições de gerar muita energia renovável”, analisa Rossano Oltramari, estrategista e sócio da 051 Capital.

Para Serra, é possível que novas empresas assumam boas práticas e passem a integrar as carteiras ESG dos investidores. “Alguns setores naturalmente vão ser colocados contra a parede e as empresas terão a chance de se diferenciar. O agronegócio, por exemplo, tende a ser questionado porque sua atividade é bem exposta a essas cobranças”, diz.

É neste aspecto que podem surgir grandes surpresas: a depender das soluções e práticas adotadas, algumas empresas podem apresentar ganhos na margem, diferenciando-se dos concorrentes.

“A Petrobras (PETR3) recentemente criou uma diretoria para ESG e pretende reduzir a emissão de carbono. A JBS (JBSS3), dentro da agenda ambiental, fez um movimento positivo e abraçou a questão da Amazônia”, diz Serra.

Mas é sempre bom lembrar que discurso não basta para convencer investidores no quesito agenda ESG – é preciso comprovação. As companhias devem garantir que têm mais do que boas intenções na manga e que estão, de fato, encontrando soluções sustentáveis para a sua operação.

Apesar de o meio ambiente estar no foco das discussões, a agenda ESG também depende dos aspectos sociais e de governança – o tripé precisa orientar as decisões do alto escalão. “Não é um processo simples, porque envolve várias esferas da companhia. Algumas são mais dependentes do meio ambiente, outras reforçam sua governança. Já durante a pandemia, ficaram evidentes os esforços do ponto de vista social”, diz França, da Ágora.

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