Ainda assim, em função dos hedges, os analistas Leandro Fontanesi e Victor Romano esperam que deve demorar cerca de 12 meses para que as mudanças nos preços spot (à vista) das commodities tenham reflexo nos resultados. “Dito isso, estimamos que os dados de inflação de cerveja de 9% maior na comparação ano a ano a partir de junho sejam superiores ao aumento estimado do Custo dos Produtos Vendidos (CPV) de 8% anual”, afirmam.
Além disso, os profissionais acreditam que um ambiente competitivo relativamente favorável permitirá à Ambev recuperar margens à medida que o consumo retorna aos bares, onde os preços são maiores. “Isso porque a Heineken provavelmente enfrentará restrições de capacidade até 2024, quando deverá abrir uma nova fábrica, e entendemos que Petrópolis está buscando uma reviravolta em sua operação, o que pode levar a uma redução em sua capacidade de distribuição”, avaliam.
O Bradesco BBI permanece otimista não só com relação à Ambev, mas também com outras companhias do setor de Bebidas e Alimentos que devem se beneficiar da queda nos preços das commodities. Entre elas, estão BRF e M. Dias Branco, com preços-alvo de R$ 27,00 e R$ 40,00, respectivamente. Os valores representam potencial valorização de 83,29% e 49,53%, em ordem, ante o último fechamento.