EURO R$ 5,22 -0,05% MGLU3 R$ 3,74 +0,54% DÓLAR R$ 4,93 -1,13% BBDC4 R$ 19,41 -0,77% ABEV3 R$ 14,09 -0,91% ITUB4 R$ 24,81 -0,36% PETR4 R$ 34,24 +1,90% IBOVESPA 107.005,22 pts +0,71% GGBR4 R$ 27,19 +3,15% VALE3 R$ 79,91 +2,74%
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Mercado

Banco Inter: ‘O Pix beneficia quem luta por serviços mais justos’

O CEO João Vitor Menin fala sobre mudanças no setor financeiro e afirma, após a aquisição da Easynvest pelo Nubank: podemos sair às compras

Banco Inter: ‘O Pix beneficia quem luta por serviços mais justos’
João Vitor Menin, CEO do Banco Inter.Foto: Bárbara Profeta/Inter
  • Ações do Inter (BIDI11 e BIDI4) sobem no ano enquanto todas as outras do segmento se desvalorizam
  • João Vitor Menin, CEO do Inter, diz que modelo de negócios do Inter o diferenciou dos concorrentes durante a crise

O setor bancário é conhecido por ser um dos mais sólidos e resilientes à crise no Brasil. Porém, o comportamento nesta pandemia da covid-19 foi diferente e, com exceção do Inter (BIDI11 e BIDI4), todas as ações do setor acumulam desvalorização em 2020 – até o fechamento do mercado da sexta-feira (16).

Enquanto os papéis do Inter subiam 29,95% e 29,07%, respectivamente, os demais amargavam resultados na direção oposta: o Banco BMG (BMGB4) cai -48,11%; Banrisul (BRSR6), -43,28%; Banco do Brasil (BBAS3), -41,18%; Bradesco (BBDC3 e BBDC4)  -39,22% e -37,62%, respectivamente; Itaú Unibanco (ITUB3 e ITUB4) -29,60% e -35,48%, respectivamente; ABC Brasil (ABCB4), -35,26%; Santander (SANB11), -34,45%; Itaúsa (ITSA4), -33,06%; Banco Pan (BPAN4), -20,57%; e BTG Pactual (BPAC11), -3,76%.

De acordo com João Vitor Menin, CEO do Banco Inter, a instituição conseguiu se diferenciar de seus concorrentes nesta crise em razão do modelo de negócio definido pela instituição em 2016. “O Inter já tem o modelo de negócio pronto para o ‘novo normal’”, afirma o CEO.

Confira os principais trechos da entrevista ao E-Investidor:

E-Investidor – As ações dos bancos estão entre as mais resilientes na crise, mas desta vez não conseguiram acompanhar a recuperação do Ibovespa. Por quê?

João Vitor Menin – Acredito ser uma composição de fatores, mas diria que o principal seja que a pandemia deixou mais evidente de que os bancos tradicionais terão de se reinventar. O modelo de negócios de agências e de estruturas tão inchadas não faz sentido, principalmente quando começamos a viver uma pressão deflacionária para o setor.

Temos visto discussões sobre redução de tarifas e limitações dos juros do cartão de crédito e cheque especial, que hoje pagam por essa ineficiência, mas o futuro certamente não será assim. Acredito que o mercado começou a perceber que os patamares de retorno publicados por bancos nos últimos anos não serão mais sustentáveis. Teremos um ambiente mais competitivo, em que preço e experiência para o cliente são fundamentais.

E-Investidor – Por que o Inter conseguiu se diferenciar de seus concorrentes e é o único banco listado na B3 com os papéis em alta no ano?

Menin – O Inter já tem o modelo de negócio pronto para o “novo normal”, e a pandemia acabou confirmando a estratégia que definimos anos atrás: ter foco no cliente, dividir o valor gerado pela nossa eficiência com o cliente, serviços digitais e ter estrutura de custos enxuta. Entendemos que essa é a estrutura mais adequada para a prestação de serviços financeiros.

Nesse período, nós não tivemos que mudar a forma como nos relacionamos com o cliente e isso aumentou a confiança em players digitais. E, não menos importante, a pandemia também destacou o valor do nosso shopping.

Nos últimos meses, ampliamos a nossa participação no mercado de e-commerce e viramos a plataforma de distribuição para diversos parceiros do varejo. Isso comprova, mais uma vez, que a nossa estratégia de nos transformarmos em uma plataforma, conectando serviços financeiros e não financeiros, faz sentido ao cliente.

E-Investidor – Recentemente, o Nubank comprou a corretora Easynvest, podemos esperar um movimento de aquisições do Inter?

Menin – Com a realização do nosso último follow on, há pouco mais de um mês, captamos R$ 1,2 bilhão. Um dos objetivos dessa capitalização é também fazer aquisições estratégicas, mas não buscamos grandes nomes do mercado, numa estratégia de “blockbusters”.

Nosso objetivo é reforçar áreas dentro de nossa estratégia que ainda podemos desenvolver mais, trazer mais expertise e inovação, principalmente para os nossos braços de investimentos e marketplace. Então, eu costumo dizer que não queremos trazer apenas números ou comprar uma carteira de clientes. O foco em um M&A seria trazer mais conhecimento e tecnologia para aprimorar nossos produtos e serviços.

Leia também: Como a explosão digital está revolucionando o setor financeiro

E-Investidor – Qual é o maior risco para vocês no momento?

Menin – Estamos passando por um momento muito bom, com crescimento muito sólido da base de clientes e estamos capitalizados. Poucas empresas, para não dizer nenhuma, têm um modelo de negócio parecido com o nosso.

Estamos ganhando escala em todas as nossas avenidas, seja do banking, seguros, investimentos e shopping, diversificando as receitas para ter um crescimento mais sustentável. Então, os riscos talvez estejam mais ligados a fraudes, crimes cibernéticos e ataques deste tipo.

Porém, nesse sentido temos aumentado muito nossa segurança digital e de dados. Essa é uma área que temos investido muito em time, tecnologia e desenvolvimento de ferramentas internas que já mostram performance acima de ferramentas de mercado.

E-Investidor – Como o Sr. enxerga a chegada do PIX?

Menin – O Pix é mais uma tecnologia que reforça o nosso modelo de negócio e somos um grande defensor dele. Acreditamos que a tecnologia vem para beneficiar todo o sistema financeiro e, por consequência, a sociedade, que vai dispor de um serviço mais barato, eficiente, seguro e instantâneo.

Desde 2016, quando fizemos nossa revolução bancária, não cobramos nenhuma taxa ou tarifa de nossos clientes. Não faz sentido pagar R$ 10, R$ 12 por uma TED. Não cobramos do cliente, mas pagamos a conta.

Portanto, o Pix vai beneficiar não só o Inter, mas todas as fintechs e bancos digitais que já lutam por serviços mais justos e econômicos. Então, os ‘custos’ do serviço serão menores para a gente, aumentando a competitividade do setor.

E-Investidor – O Inter alcançou a marca de 7,2 milhões de correntistas no terceiro trimestre de 2020, abrindo 1,3 milhão de novas contas no período, crescimento de 120% em relação ao mesmo período do ano passado. Qual foi a estratégia para alcançar o bom desempenho?

Menin – Mantivemos nosso crescimento entregando a melhor experiência para os nossos clientes, em uma plataforma completa e gratuita de serviços para estar literalmente no dia a dia das pessoas. Neste ano, consolidamos serviços que vão além do universo financeiro.

A pandemia acelerou todas as nossas “avenidas” de crescimento e mostrou que estamos no caminho certo. Quando olhamos para o crescimento da Inter Seguros – já são mais de 180 mil clientes; nossa plataforma de investimento, que já está perto de 1 milhão de investidores; e a nossa Inter Shop, com o marketplace, atingiu R$ 376,6 milhões em vendas no 3T20, crescimento de 207%, se comparado ao 2T20.

E-Investidor – A pandemia não atrapalhou os planos de crescimento do Inter?

Menin – Deixando de lado toda a parte ruim da pandemia, que impactou muitas vidas em todo o mundo e é extremamente triste, ela não atrapalhou os planos do Inter. Na verdade, ela veio reforçar nosso modelo de negócio, que é 100% digital.

Então, a pandemia acabou acelerando o uso de serviços digitais e trouxe novos usuários para esse ambiente. Com as agências e lojas fechadas, as pessoas entenderam que é possível, barato e cômodo fazer tudo de forma online e pelo celular.

E-Investidor – Qual a estratégia do Inter para ganhar mais espaço no mercado? 

Menin – Vamos continuar entregando a melhor experiência para nossos clientes. É essa satisfação que vai atrair novos correntistas. É o filho que conta para o irmão, que conta para o amigo, que conta para o pai e assim por diante.

Acreditamos muito na recorrência, em poder entregar muito mais do que serviços bancários. Se o cliente usa nosso aplicativo para fazer uma transferência gratuita, pagar uma conta, porque não investir dentro desse mesmo aplicativo, fazer compras no mesmo ambiente e receber cashback?

Então, queremos cada vez mais ter uma plataforma completa de serviços para estar literalmente no dia a dia das pessoas. Acreditamos que essa convergência de serviços financeiro e não financeiros é o futuro.

Entre as novidades, que consolida nosso posicionamento como plataforma, está a abertura do nosso shopping para não correntistas. Entendemos que a conta corrente é extremamente relevante para ser o link de toda a plataforma, mas as pessoas também podem acessar os nossos serviços e benefícios (como cashback) mesmo sem ela.

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