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Mercado

Mercado defende Bolsa mesmo com início de ano ruim. Veja as novas projeções

PIB tende a fortalecer os resultados das companhias em 2024 e impulsionar o Ibovespa

Por Isaac de Oliveira

23/02/2024 | 3:00 Atualização: 23/02/2024 | 7:07

(Imagem: Rawpixel.com em Adobe Stock)
(Imagem: Rawpixel.com em Adobe Stock)

Após encerrar 2023 com um fôlego que não se via desde 2019, com ganho anual de 22,28%, o Ibovespa reduziu a marcha em 2024. Prestes a entrar na última semana de fevereiro, a principal referência da B3 ainda não conseguiu restabelecer o patamar de pontuação e rumar para as projeções mais animadoras, que chegam aos 170 mil ao final de 2024. Afinal de contas, a Bolsa já subiu no telhado?

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O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (22) na faixa dos 130 mil, um recuo anual de 2,91%. Embora ainda acima dos 128.698,28 pontos com que encerrou janeiro, está quatro mil pontos abaixo da marca mais alta de 2023, quando bateu nos 134.193,72 pontos em 28 de dezembro do ano passado.

Instituições do mercado financeiro veem o Ibovespa capaz de atingir um amplo espectro de patamar, que vai da estimativa mais tímida de 138 mil pontos até a mais otimista de 170 mil pontos. Veja as projeções abaixo.

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O que faria, então, o IBOV abandonar a região circundante aos 130 mil pontos para tocar em níveis superiores?

Na leitura de analistas consultados pelo E-Investidor, a onda positiva do Ibovespa depende da continuidade de ventos que já começaram a soprar no passado e levaram a referência da B3 a bater os 134 mil pontos. No caso, os juros em queda no Brasil – e, possivelmente, em breve nos Estados Unidos – e o crescimento econômico favorecendo os resultados corporativos.

“O cenário de queda de juros vai influenciar o mercado doméstico e internacional. Historicamente, nos anos de queda nos juros, o Ibovespa subiu. Estatisticamente, é um indicador bem forte e sinaliza a probabilidade do índice fechar no positivo”, avalia Leonardo Piovesan, CNPI e analista fundamentalista da Quantzed.

  • Veja também: Em ano difícil, a recompra de ações pode mudar o jogo da Hapvida (HAPV3)

Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos, concorda e se diz otimista com a política do Banco Central (BC) para os juros e o controle da inflação. “A condução do Comitê de Política Econômica (Copom) em torno da flexibilização dos juros no Brasil é um fator que vai depender da inflação, que eu ainda não vejo ser problema. Vai depender da questão fiscal brasileira, que, apesar do mercado ter se estressado no início do ano, para mim também ainda não é um problema”, diz Villegas.

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A política monetária nos Estados Unidos aparece como outro fator que pode ajudar a Bolsa brasileira, na avaliação das fontes. Henrique Castro, professor de finanças da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), adiciona que o fato de a queda de juros – continuando no Brasil e podendo começar nos Estados Unidos – não ser ação resultante de uma recessão é “um ótimo sinal”.

“A queda de juros baixa o endividamento das empresas, acaba trazendo mais resultado para os negócios e isso aumenta o valor de mercado dessas firmas e atrai investidores para a Bolsa”, relaciona Castro. “Outro ponto é a questão fiscal, por parte do governo, e as reformas, que acabam criando um cenário mais estável para o crescimento das empresas, com uma perspectiva de um ano mais calmo.”

Resultados das empresas como catalizador do Ibovespa

Outro fator que tende a favorecer uma escalada do Ibovespa é o otimismo com a atividade econômica, que tende a fortalecer os resultados das companhias em 2024. “O Produto Interno Bruto (PIB) tem surpreendido positivamente há vários trimestres. Uma economia mais forte, se recuperando bem, ajuda na projeção de lucro das empresas”, aponta Piovesan.

  • Ações de Vale (VALE3) e commodities começam ano na lona. O que fazer agora?

O professor da FGV lembra que o mercado tem perspectivas de crescimento da economia, ainda que em ritmo menor do que o registrado em 2023. “O Brasil vem nos últimos trimestres tendo um crescimento um pouco acima do esperado pelos analistas. O que é sempre uma boa notícia. A perspectiva de crescimento para 2024 é positiva e, para 2025 e 2026, ainda melhor”, diz Castro.

Além do agronegócio, o professor da FGV acredita que o setor financeiro deverá se destacar entre as empresas do Ibovespa, assim como ações mais ligadas a commodities.

Quais setores e empresas podem se destacar na Bolsa

Leonardo está otimista com o setor de petróleo, especificamente com as júnior oils, como Enauta (ENAT3) e a PetroRio (PRIO3). “Essas empresa têm possibilidade de superar a performance da Petrobras. O setor como um todo tem sido negligenciado”, diz Piovesan.

O analista da Quantzed, que não cita preços-alvos, também acredita que o setor de construção civil deve ir bem em 2024. Para ele, os segmentos de média e alta renda vão ter recuperação de retorno sobre o patrimônio (ROE) em relação a 2023 e serão beneficiado pela queda de juros. Aqui, a preferência é por Moura Dubeux (MDNE3).

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“Adiciono o setor de varejo, mas focado em vestuário. Algumas dessas empresas estão bem amassadas em valuation (valor do ativo). O setor foi impactado nos últimos anos. pode ter recuperação mais generalizada com a recuperação de vendas e margens. Sobretudo as empresas com um braço financeiro bem relevante”, diz Piovesan, citando Guararapes (GUAR3) e Lojas Renner (LREN3).

  • Arezzo x Renner: qual ação o investidor deve escolher?

Pedro Serra, chefe de pesquisas da Ativa Investimentos, destaca Suzano (SUZB3) no setor de matérias-primas, que pode se beneficiar com a retomada do preço da celulose. Entre os bancos, a preferência é Banco do Brasil (BBAS3), seguido por Itaú (ITUB4). Já no varejo, o foco é consumo, com Arezzo (ARZZ3) e Renner entre as indicadas. “Elas podem começar a ter uma melhora com o apetite do consumidor neste ano”, avalia Serra.

Na construção civil, o analista destaca EZTec (EZTC3). Em educação, a recomendação é Yduqs (YDUQ3). “Ela tem uma tendência interessante. Andou bem. Tem valuation esticado mas vemos com bons olhos um ano de recuperação em base de alunos e crescimento do ticket médio de produtos.”

Nos setores defensivos, Serra cita Copel (CPLE6), Sabesp (SBSP3) e Assaí (ASAI3).

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