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Mercado

Bolsonaro recua: mercado aceitou as desculpas do presidente?

Após a divulgação da carta ‘Declaração à Nação’, o Ibov saltou 2% no final do pregão da última quinta (9)

O presidente Jair Bolsonaro na cerimônia de posse do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (Foto: Adriano Machado/Reuters)
  • A Bolsa viveu dias turbulentos após as manifestações de 7 de setembro. No feriado, o presidente Jair Bolsonaro teceu ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) para as centenas de milhares de apoiadores que ocupavam as ruas
  • Todas as tensões institucionais fizeram o principal índice de ações da B3 ceder 3,8% na quarta-feira (8), maior queda desde o dia 8 de março
  • Na última quinta (9), entretanto, a carta redigida por Michel Temer e assinada por Bolsonaro apaziguou os ânimos e fez o Ibovespa sair da trajetória de queda

A Bolsa viveu dias turbulentos após as manifestações de 7 de setembro. No feriado, o presidente Jair Bolsonaro teceu críticas e ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) para as centenas de milhares de apoiadores que ocupavam as ruas – mas o tiro saiu pela culatra. Fruto desse clima bélico, grupos de caminhoneiros decidiram fazer uma paralisação em apoio ao líder do executivo, que foi contrário à atitude da categoria.

Todas as tensões institucionais fizeram o principal índice de ações da B3 ceder 3,8% na quarta-feira (8), maior queda desde o dia 8 de março. Na última quinta (9), o Ibovespa se encaminhava para mais um pregão de baixa, quando uma carta mudou toda a trajetória do indicador.

Chamada de ‘Declaração à Nação’, e idealizada pelo ex-presidente Michel Temer, o documento assinado por Bolsonaro tentava apaziguar os ânimos e soou como um mea culpa ao mercado.“Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”, afirma o presidente, em um trecho do texto.

Logo após a rendição oficial do ‘capitão’, o Ibovespa saiu do patamar dos 112,6 mil pontos, registrado às 16h30, para 115,1 mil pontos, às 16h41, em um salto de cerca de 2% em poucos minutos. No final, o indicador terminou as negociações com valorização de 1,72%, aos 115.360,86 pontos. Até às 12h02 desta sexta (10), o índice se segurava no azul, com uma discreta alta de 0,082%, aos 115.455,38 pontos.

Segundo João Beck, economista e sócio da BRA, a nota mostrou uma postura pragmática, dada as consequências negativas de todos os ataques feitos ao STF ao andamento de reformas e projetos do Executivo. O especialista também vê como confiável o novo posicionamento ‘paz e amor’ de Bolsonaro.

“Os últimos números de pesquisa eleitoral mostram uma deterioração da popularidade do presidente. É um dado mais importante que o barulho das manifestações. Enquanto essa tendência se mantiver, muito ruído pode ocorrer por parte do presidente, sem grandes efeitos”, explica Beck.

Entretanto, essa visão não é unanimidade. “Obviamente (o mercado) gostou do que ele falou, mas a Bolsa depende de consistência no discurso nos próximos dias e semanas para se convencer que, de fato, ele tomou um chá de consciência”, afirma Leonardo Milane, sócio e economista da VLG Investimentos.

Leia na íntegra a opinião de especialistas de mercado sobre a versão mais ‘mediadora’ do presidente.

João Beck, economista e sócio da BRA

“É uma postura pragmática. A hostilidade do congresso e do judiciário pode atravancar qualquer nova agenda do presidente, incluindo a reforma tributária e a resolução dos precatórios.

O posicionamento é confiável, sim. Os últimos números de pesquisa eleitoral mostram uma deterioração da popularidade do presidente. É um dado mais importante que o barulho das manifestações. Enquanto essa tendência se mantiver, muito ruído pode ocorrer por parte do presidente, sem grandes efeitos. O desemprego ainda alto, inflação, crise hídrica e a previsão de PIB mais fraco não ajudam para um quadro de popularidade que possa reverter. Pelo contrário.

Será um ano desafiador. Chegamos perto de um ano eleitoral, com expectativa maior de inflação e expectativa menor de crescimento.”

Samuel Cunha, Economista da H3 Invest

“O mercado não esperava uma retratação tão rápida por parte do presidente. Isso resultou em uma mudança drástica no resultado do pregão ontem. Ou seja, foi bastante positivo ter essa consciência de que, por mais insatisfeito que o presidente estivesse em pontuar as questões presentes na carta, ele sabia que era importante para apaziguar a situação e criar um cenário mais estável para se fazer política.

Falas polêmicas e discursos agressivos fazem parte da forma como o Bolsonaro se comunica. Ruídos seguirão vindo à tona e os impactos negativos causados na relação entre os poderes também.

Considerando a postura do mercado, daqui para frente entende-se que por mais difícil que seja a relação entre o Bolsonaro, Senado e STF, o presidente está disposto a abrir mão de uma parcela do seu ego com a intenção de se mostrar mais flexível – em linha com a postura desejada pelas instituições. Isso faz com que seja factível ter um ambiente com mais clareza ao longo do percurso, mesmo sabendo que o cenário político brasileiro é propício a surpresas.”

Leonardo Milane, sócio e economista da VLG Investimentos

“Tudo depende de como ele [Bolsonaro] vai se comportar daqui para frente. Eu acho que a fala foi boa, mas ele tem um temperamento bem tempestivo. Vamos esperar como ele vai se comportar nos próximos dias, mas o mercado gostou, claro.

Obviamente (o mercado) gostou do que ele falou, mas a Bolsa depende de consistência no discurso nos próximos dias e semanas para se convencer que, de fato, ele tomou um chá de consciência. Dependemos dos próximas capítulos.

Se realmente ele tiver tomado essa consciência, a Bolsa pode pode voltar a andar e a curva longa de juros fechar, dessa forma teríamos um alívio.

Um comunicado não é suficiente, apesar de ser um sinal positivo, não é suficiente para a total retomada de confiança. Carecemos de novas declarações e o tempo que vai mostrar isso para os investidores.”

Thomás Giuberti, economista e sócio da Golden investimentos

“O mercado deu um belo recado nessas duas primeiras horas do pregão de que a princípio, não vai comprar essa narrativa de paz. Vieram compradores fortes na primeira hora, e os vendedores aproveitaram para desovar bastante. Então, fica essa narrativa de curtíssimo prazo, mas chama muita atenção para os próximos acontecimentos, o mercado está passando a mensagem que só vai voltar a comprar quando o governo mostrar negociação e articulação internamente, para aí sim acreditar nessa nova narrativa de paz, fruto da nota assinada pelo Bolsonaro.

Mas de qualquer forma, quando você olha daqui para frente, vem o questionamento, de o que tem de ruim para acontecer agora, você começa a pensar isso. Então, para o investidor que tem paciência e tem realmente um horizonte de mais longo prazo, o próprio Luis Stuhlberger na carta dele da Verde Asset, comentou isso, de que os preços dos ativos estão muito baratos, o que realmente é convidativo, só que você tem uma inércia dessa desconfiança muito grande, e o mercado a princípio continua cético, e no primeiro momento não vai comprar essa narrativa. Mas, chama a atenção que as coisas realmente podem melhorar no horizonte curto.”

Anderson Meneses, CEO da Alkin Research

“De fato, o mercado gostou muito e também viu a influência do Temer para salvar o barco, como algo positivo. Essa nota foi soltada nos últimos 20 minutos do pregão, a alta foi absurdamente expressiva, hoje a bolsa ainda está ensaiando uma valorização.

Mas não é o suficiente, precisamos de uma continuidade. Foi um alívio, mas não a solução, tem muito problema para ser resolvido e precisa ter uma constância, tem que ser um padrão a partir de agora. O mercado não pode ficar sujeito a esse tipo de volatilidade por conta de declarações ou conflitos políticos.

É bom lembrar que não é só a Bolsa de Valores que é afetada, a taxa de juros também e que acaba precificando o risco do País maior, um cenário fiscal mais deteriorado, isso mexe com o Brasil inteiro. Muita gente acha que essas falas são só para agradar a Bolsa de Valores, o que não é o caso.”

Julio Erse, sócio e gestor da Constância Investimentos

“Achamos que o impasse que foi criado era bem real e os próximos movimentos tanto dos agentes políticos, como do presidente, poderiam ser bem traumáticos para o País,  no sentido de tanto um processo de Impeachment por um lado, como Bolsonaro convocar o Conselho da República e o Conselho de Defesa e, por fim, envolver as Forças Armadas para tentar resolver o problema. Isso teria consequências muito grandes para o País como um todo, e o mercado vinha pedindo mais prêmio com um grau de aversão ao risco alto.

Essa nota do presidente foi bem forte e também mediada por um agente político importante, e a nossa percepção é que isso foi parte de algum entendimento entre os agentes. Claro que a situação é fluida e não resolve todos os nossos problemas no curto prazo, é natural o mercado aliviar a desconfiança que vinha e vai ficar bem atento aos próximos desdobramentos, que na nossa opinião pode vir com coisas do tipo: o que acontece com inquérito conduzido pelo Alexandre de Moraes, a questão dos precatórios e o encaminhamento de reformas como um todo

Qualquer desenvolvimento positivo desse lado, mostra que há alguma condição política das coisas voltarem a uma certa normalidade e por fim enxergamos pelo menos os ativos de renda variável com bastante desconto, ou seja, as ações parecem baratas como um todo, não sem motivo, visto os riscos embutidos. Então, se continuar descomprimindo, enxergamos que os preços podem continuar subindo.”

João Guilherme Penteado, CEO da Apollo Investimentos

“Minha opinião é de que Bolsonaro continua sendo o mesmo de sempre, mas se ele continuar a ouvir o Temer e/ou outros políticos experientes e que trafegam bem entre os poderes, o País volta a andar para frente pelo simples fato de reduzir a contaminação política nas questões que de fato são importantes, como as reformas e a retomada econômica.”

 

*Colaboração de Rebeca Soares, Luiz Felipe Simões e Luana Meneghetti

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