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Mercado

Por que o dólar está fraco e o real ainda pior em 2020

Moeda norte-americana cai ante a de países desenvolvidos e sobe em relação aos emergentes

Foto: Pixabay
  • Dólar tem desvalorização em comparação a moedas de países desenvolvidos por incertezas em relação ao futuro dos EUA
  • Moeda americana deixa de ser vista como um porto seguro no momento e euro e ouro se valorizam
  • Enquanto isso, dólar sobe em relação às moedas emergentes e real tem o pior desempenho entre elas

Na primeira semana de agosto, o ouro atingiu seu valor mais alto da história, valendo mais de US$ 2 mil por onça-troy. Na avaliação do mercado, a valorização no metal de quase 35% no ano é reflexo do enfraquecimento do dólar. Essa afirmação, no entanto, é um choque para os brasileiros, que já viram a moeda norte-americana subir 35% no ano ante ao real. Nesta segunda-feira, o dólar fechou em alta de 0,94%, a R$ 5,46.

Apesar da clara desvalorização da moeda no País, isso não é percebido porque o real está com um desempenho ainda pior. “O dólar só não está mais alto aqui porque ele está fraco no mundo”, diz Marcelo Boneri, gerente da mesa de futuros da Ágora Investimentos.

Para efeito de comparação, a cesta de moedas DXY*, que mostra a relação do dólar contra moedas de países desenvolvidos, já caiu 3,25% no ano, aos 93,389 pontos (o índice sobe quando o dólar está forte e cai quando está fraco). Frente ao euro, o dólar tem queda anual de 5,02%. Enquanto isso, em relação ao real, a moeda americana sobe mais de 35%.

Dois motivos explicam enfraquecimento do dólar

A crise causada pela pandemia da covid-19 e as eleições presidenciais nos Estados Unidos são os dois principais fatores para o enfraquecimento do dólar, segundo os analistas de mercado.

Thomás Gibertoni, especialista de investimentos da Portofino Investimentos, pontua que o país está empenhado em injetar dinheiro na economia. “Esse empenho fiscal faz os EUA emitir mais moeda ou tomar mais dívidas. Isso faz o dólar ficar mais fraco em relação às outras moedas”, afirma Gibertoni.

Além disso, Boneri ressalta que alguns dados da economia americana estão mais fracos do que o esperado e o país ainda está em ano de eleição. “Tudo isso aumenta as dúvidas em relação a recuperação dos EUA e enfraquece sua moeda”, diz o gerente da Ágora.

“Os dados da economia ainda são duvidosos e a questão política também aumenta ainda mais as incertezas. Os candidatos têm posicionamentos opostos, ninguém sabe quem vai ganhar e que linha o país irá seguir”, diz Fabrizio Velloni, economista chefe da Frente Corretora.

Segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA, o Produto Interno Bruto (PIB) do país sofreu uma contração recorde de 32,9% no segundo trimestre de 2020, segundo dados anualizados. Esse foi o pior resultado da economia americana desde a grande depressão, na década de 1930.

Neste cenário, Velloni explica que o dólar sempre foi visto como o porto seguro em momentos de crise, mas o movimento atual está diferente e a migração de recursos está direcionada para o euro e metais como o ouro. “Na Europa, a doença tem um controle mais efetivo e a economia já começou a mostrar sinais de recuperação”, afirma o economista chefe da Frente.

Por que o real está ainda mais fraco?

A desvalorização frente ao dólar não é algo que acontece exclusivamente com o real, mas em todas as moedas emergentes. “As economias dos países emergentes são mais frágeis e sofrem mais na crise”, diz Gibertoni, da Portofino.

No entanto, vale ressaltar que a moeda brasileira é a que mais se desvalorizou entre elas e isso ocorre por questões internas. “O fator Brasil pesa muito na nossa moeda”, afirma Boneri, da Ágora.

Os problemas políticos, fiscais e os recentes cortes na Selic – agora em 2% ao ano – são os principais motivos citados pelos especialistas para explicar a queda acentuada do real. “Nosso risco é maior em relação ao nossos pares, o que tira toda nossa atratividade, deixa o investidor estrangeiro receoso e, consequentemente, o dólar sobe mais aqui”, comenta Velloni, da Frente.

Com um ambiente político mais estabilizado nos últimos meses e as privatizações e as reformas de volta à pauta, o dólar passou a cair. “A volatilidade diminui, mas ele continua alto”, diz Velloni.

De qualquer modo, as sucessivas reduções na taxa básica de juros diminuem a atratividade do País aos investidores estrangeiros. “Tivemos uma longa temporada de cortes da Selic, muito maior que nossos pares, e isso faz com que fiquemos menos atrativos para investir”, afirma Gibertoni.

Na quarta-feira (5), com o corte de 0,25 ponto percentual, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), reduziu a Selic pela 9º vez consecutiva. Neste cenário, os investimentos em renda fixa, que são atrelados a taxa, perderam ainda mais atratividade. Alguns, inclusive, apresentam agora retorno real negativo, como é o caso da poupança.

Ou seja, os investidores estrangeiros saem do mercado de capitais devido ao risco elevado e da economia fragilizada, mas também deixam a renda fixa pela baixa atratividade recente, tornando o real, de fato, a moeda mais prejudicada entre os emergentes. “O capital estrangeiro sai em peso e isso faz o dólar subir em relação ao real”, afirma Velloni.

Segundo dados da B3, o saldo de investimento estrangeiro no Brasil em 2020 é negativo em R$ 69.557,4 bilhões até o dia 5 de agosto.

Confira o desempenho das moedas emergentes ante ao dólar no ano

MoedaDesvalorização no ano ante ao dólar
Real-35,07%
Rend – Africa do Sul-25,74%
Lira Turca-21,70%
Peso Argentino-21,55%
Rublo – Rússia-19,05%
Peso Mexicano-18,90%

Fonte: Estadão/Broadcast

*O DXY é composto por euro 57.6%, iene japonês 13,6%, libra esterlina 11,9%, dólar canadense 9,1%, coroa sueca 4.2% e franco suíço 3,6%.

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